Quase Deuses

Quase Deuses

Por Maria Andréa Souza de Andrade Nascimento

 

Quase Deuses é um filme baseado em fatos reais, que conta a historia de um rapaz chamado Thomas Vivien, de cor negra e de família precária. A história ocorre no ano de 1930, quando a predominância do racismo era tão explícito que os banheiros, as barbearias, os assentos de ônibus, dentre outros, eram específicos, de forma que existiam lugares para negros e lugares para brancos. Mesmo assim, Vivien, que tinha sua profissão como marceneiro, não desistia de seu sonho: ser médico.

Enquanto trabalhava, guardava todas suas economias no banco para pagar sua faculdade de medicina, mas o inesperado aconteceu, o banco faliu e Vivien perdeu todo o dinheiro investido. Mesmo uma porta se fechando naquele momento, ele acreditava que tudo iria dar certo. Neste mesmo período de transtornos, surgiu uma vaga no laboratório do medico mais respeitado da época, Dr. Blalock,para Vivien cuidar dos cães que serviriam de cobaia para possíveis pesquisas. VivienO doutor, observando a curiosidade de Vivien folheando uns de seus livros, e sua capacidade de entender as coisas com facilidade, o convidou para alguns testes no laboratório na parte de assistência. Logo Vivien com suas habilidades se destacava e deixava o doutor Blalock mais fascinado. Os dois se juntaram, formando assim uma bela parceria, entre doutor e assistente. É a partir deste momento que os sonhos de Vivien começam a se realizar, mesmo não sendo médico e não cursando nenhuma faculdade, só a da vida. Os anos se passaram, e o doutor Blalock admirava cada vez mais a capacidade do seu assistente e sua sabedoria, que se enriquecia cada vez mais com a sua grande dedicação. Com quase doze anos de parceria surge a oportunidade de Vivien acompanhar o doutor para outra cidade para trabalharem em um hospital de grande porte de pesquisadores médicos. Ao chegarem conhecem a doutora Taussig, que lhes apresenta uma pesquisa jamais vista entre os médicos, “a doença do bebe azul”. Era uma doença que comprometia o coração, com os seguintes sintomas: respiração fatigante e todo seu corpo progressivamente ficando azul até chegar o dia da sua morte. Como nenhum médico teria descoberto ainda cirurgias cardíacas, esse seria um grande desafio para eles.

Quase Deuses

O bebe Saxon, foi o primeiro a ser cobaia dessa possível tentativa, pois só teria seis meses de vida. Nenhum médico aceitou estudar o caso, e como o doutor Blalock era um médico considerado revolucionário da medicina, logo aceitou o desafio juntamente com Vivien.Como eles não poderiam desistir,pois se tratava de uma vida que poderia ser salva, aceitaram essa responsabilidade não como um risco, mas como uma oportunidade de ajudar essa criança e tantas que estavam à espera da cura. Vivien, por sua vez, estava aprendendo muito e tornando-se um verdadeiro profissional na medicina, mas por falta de oportunidade e da predominância do racismo que era muito forte ainda, ele era não era reconhecido entre os médicos, apesar de que era ele que orientava o Doutor Blalock nas operações.. Sua inteligência não era suficiente. Era julgado e criticado a todo tempo por causa de sua cor. Por ter um bom caráter e manter uma postura de não se preocupar com o que os outros pensavam, centrava somente em estudar mais e pesquisar, não deixando escapar nenhuma das oportunidades que lhe eram propostas. A cirurgia foi realizada com sucesso e muitas crianças puderam desfrutar de mais uma chance para viver, e o principal causador, foi Thomas Vivien, que junto com o doutor Blalock conseguiram revolucionar a medicina.

Quase Deuses

Em 1964, depois que o doutor Blalock morreu, Thomas Vivien foi reconhecido mesmo sem ter cursado a faculdade: foi homenageado pelo Conselho de Medicina do Hospital de John Hopkins recebendo o título de  Dr. Thomas Vivien.

A operação pioneira do “bebe azul” no Hospital de John Hopkins abriu o campo da cirurgia cardíaca. Hoje, nos Estados Unidos, realizam-se mais de 1.750.000 cirurgias cardíacas por ano.

Terminarei o texto com uma frase que me encantou muito e que eu coloco como palavra-chave do filme. Antes de morrer o doutor Blalock disse a Vivien:

“Dizem que na vida não viveste se não tens muito que lamentar. Lamento algumas coisas, mas acredito que não devemos recordar o que perdemos, mas sim o que fizemos. Todas as vidas que salvamos, e salvamos muitas”.

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19 Respostas para “Quase Deuses

  1. Assisti a boa parte desse filme, e chama a atenção a atuação digna e contida de Mos Def, rapper e ator americano. Isso mesmo, um rapper com atuação contida…

    Brincadeiras à parte, o ator dá um show demonstrando resignação em relação às humilhações pelas quais o personagem Vivien Thomas costumava passar. O momento em que ele se disfarça de garçom para ver o pronunciamento do médico é tocante.

    O filme nos leva a refletir sobre o racismo, e lembro de uma pergunta feita há algum tempo:

    ONDE VOCÊ GUARDA O SEU RACISMO?

    As pessoas respondiam que escondiam, que enterravam, que guardavam em casa, etc., quando a resposta correta é: não guarde seu racismo, acabe com ele. Não seja racista.

    Para mim o racismo é a prova maior do quanto somos ainda primitivos. Até bem pouco tempo havia estudiosos respeitados que sustentavam que, cientificamente, poder-se-ia provar que negros eram mais propensos ao trabalho manual, eram menos inteligentes, eram mais agressivos, tinham maior chance de cometer crimes, dentre outras atrocidades.

    Hoje, na época do “politicamente correto”, ninguém diz isso às claras, mas ainda há atitudes que demonstram como condenamos o outro pela sua cor de pele ou pela sua origem.

    Parabéns pelo texto, Andréa, belo desenvolvimento e um bom acréscimo à nossa lista de filmes.

  2. Não assiti a este filme, especificamente; mas já assisti a vários que tem como premissa a lição de vida e o combate ao racismo. Impressionante como ainda hoje, em um país como o Brasil, há ainda tanto preconceito racial. Acho que todos assitimos ao vídeo no youtube onde cientistas faziam testes com crianças, e perguntaram a uma menina negra qual boneca ela queria: a negra ou a branca. A menina escolheu a branca com o argumento de que ela era boa e a negra era má. Então os cientistas disseram: você também é negra, vocé é má? – e a menina não soube o que dizer.

    É um absurdo. Há poucos dias aqui em Aracaju, uma carteira (ela era branca) foi entregar cartas numa residência, e a dona da casa, arumentando que as correspondências estavam atrasando, começou a bater na empregada dos correios. Um homem negro que passava foi ajudar, e foi duramente humilhado e chamado de negro, safado, etc.

    Foi um ótimo tema a propor. Pois engana-se quem pensa que o racismo está acabando, ele está apenas se escondendo. Quem aqui nunca viu um jogador de futebol perder a cabeça e começar a chingar integrantes do time adversário de negrinhos, macacos, etc?

    Não o racismo não está acabando. Ele ainda está por aí, apenas se disfarça. Ele está mais perigoso na verdade, agora está dissimulado.

    Parabéns Andréa, pelo texto. Agora ficamos no aguardo pelo próximo filme.

  3. Ainda não assisti ao filme, mas pretendo em breve. Gostei da temática abordada por Andréa, pois este tema fomenta em nosso blog uma discussão importantíssima, que é a questão do racismo. Não vamos aqui sermos hipócritas: todos somos preconceituosos; uns em maior ou menor escala. Desde “brincadeiras”, piadas, comparações; até nas escolhas de pessoas que escolhemos para fazer parte do nosso meio: amigos, namorados ou namoradas. Todos temos um pouco desse mal, que foge ao nosso controle. Problema esse quê, para mim, é histórico cultural. Para uma aproximação e estudo sobre essa temática, sugiro as obras: O caráter nacional brasileiro: historia de uma ideologia, de Dante leite Moreira; Classes, raças e democracia, de Antonio Guimarães Sergio Alfredo; Estereotipos, preconceitos e discriminação, de Marcus Eugênio Oliveira Lima.
    Façamos um exame de consciência. Vamos tentar a partir de agora não apenas julgar o próximo, mas percebermos nos nosso próprios valores uma semente de preconceito.

    Parabéns. Agora faltou uma revisão no texto, pois várias palavras se repetem.

  4. Parabéns pelo texto Andrea!
    Esse é um tema que sempre está presente em nosso dia-a-dia.

    Só continuando os exemplos de Eduardo, recentemente aconteceu o famigerado episódio da médica no aeroporto aqui em Aracaju, que chamou o funcionário de “nego morto de fome”.
    Não digo que o racismo está acabando, mas eu acredito que, de fato, diminuiu, está menos explícito. Em lugar disso só aumenta o preconceito relacionado à posição social, que se confunde cada vez mais com a cor da pele. Um negro rico já não é tanto problema, mas um negro pobre já é marginal.
    “O jardineiro fiel” fala bem desse desprezo aos negros, usando africanos como cobaias para testar remédios”. Um absurdo!
    Outro absurdo que eu acho é a existência de cotas para negros. Por que?? Só porque é negro é menos capaz que outros? Claro que não! Isso já mostra a associação dde ser negro com ser pobre, algo muito mais presente.
    Parabéns pelo texto Andrea! Ainda não assisti ao filme, mas pretendo assim como os outros.
    xD

  5. As vezes as pessoas assistem filmes como esses e ficam horrorizadas com o tamanho da ignorância humana, a ponto de julgar uma pessoa pela sua cor. Mas aí é que está, será que essas pessoas também não fazem o mesmo? Tudo bem, você não queima ninguém em uma fogueira, ou simplesmente mata alguém por ser negro, mas será que aquela piadinha que você diz ser “inocente”, não é um pequeno fruto?
    Não assisti esse filme, mas pelo que vi a história retratada como todo bom filme levá-nos à reflexão. Sem falar também na bela lição de vida, que apesar de as pessoas dizerem que sonhos são bobagens, nunca devemos seguir esse pensamento, mas sempre buscar aquilo que tanto almejamos, apesar das dificuldades e das pedras no caminho, chegar ao final e vê que toda dor e sofrimento valeu a pena: isso não tem preço!

    Parabéns pelo texto Andréa! ^^

  6. Parabéns Andréa!

    Direto ao ponto. Boa descrição do filme.
    Apesar de ser um tema um pouco batido, o filme não perde o seu merito por contar uma boa e interessante história de superação, de uma forma que sempre envolve a fé e a persistência do protagonista. Gosto muito de filmes assim, mesmo não sabeno ao certo como ele é,pois nunca assisti. Mais uma vez, ressaltando a sua descrição do filme, realmente fiquei curioso, me pareceu bem emocionante.

  7. Os heróis estão homenageados em bronze, dr. Thomas Vivien é um deles.
    A história do dr. Vivien revela que todas as pessoas são dotadas de extraordinário talento e inteligência e que oportunidades não são iguais, e o racismo impossibilita oportunidades.
    Nunca ouvi falar deste médico que é referência para a humanidade por seu trabalho, solidariedade e dedicação.
    dr. Vivien se tivesse tido a oportunidade de estuadar seria maravilhoso para a humanidade.

  8. Excelente filme. Expõe de maneira clara e objetiva os preconceitos que somente os seres humanos são capazes de cultivar.
    O racismo, a pobreza, a falta de um diploma são temas abordados nesta história verídica. Nos faz refletir sobre nossas atitudes no dia a dia, no convívio com nossos semelhantes.
    Quantos diretores, presidentes de organizações são agraciados com prêmios de reconhecimento quando, na verdade, quem deveria ser homenageado sequer é lembrado? Quantos anônimos contribuem de maneira substanciosa para que triunfos sejam alcançados nas mais diversas áreas científica, médica, cultural e permanecem na obscuridade? Quantos não graduados desempenham papéis imprescindíveis em prol de melhores condições de vida para todos os seres?
    Devemos observar e buscar meios de combater tais injustiças e discriminações em favor de um mundo melhor, mais justo e honesto.

  9. BOM DIA!
    JÁ ASSISTI O FILME QUASE DEUSES E DEVO DIZER QUE É UMA DAS HISTÓRIAS MAIS LINDAS QUE JÁ VI, É MUITO EMOCIONANTE VER A PERSEVERANÇA DO VIVIEN QUE MESMO A CONTRA GOSTO DE TODOS NÃO DESISTIU DE SEUS IDEAIS. ELE É REALMENTE UMA LIÇÃO DE VIDA, SE DAR O DEVIDO VALOR MESMO QUANDO MUITOS O DESPRESAM, E NÃO ENXERGAM SUA CAPACIDADE, SÓ SUA COR.
    BEIJOS JOSINHA!

  10. é realmente emocionante mesmo Vivien mostrar de forma perfeita o sofrimento que todos nós profissionais passamos todos os dias com a falta de reconhecimento pelo que fazemos.
    Mas na verdade não abandonamos o que fazemos porque todos os dias vem novos desafios,preconceitos, discriminações o filme é bastante educativo vale a pena assistir!!!

  11. Assisti o excelente filme e fiquei mto emocionada pq minha neta nasceu com essa cardiopatia e irá passar por esse cirurgia, sei que irá se sair bem, graças ao meu bom Deus e os médicos que irão operá-la. Que Deus a proteja.

  12. ASSISTI O FILME VOLTANDO DE UMA VIAJEM DO INTERIOR DE SP. REALMENTE, O FILME É UMA FORMA EXPLICITA QUE O RACISMO AINDA ESTÁ FORTE EM NOSSO DIA-DIA. MAS TENHO QUE CERTEZA QUE AS PESSOAS QUE ASSISTEM O FILME, COMEÇA A TER REFLEXÃO DIFERENTE E MAIS PURA DA QUESTÃO.

  13. Eu assisti e paramin foi viver em parte o q os negros sofreram no passadoes,perto do rassismo de hoje foi muito triste choro pelas mães q esperavam seus filhos chegarem em casa ,eles chegvam mortos. Ou retalhados hoje não essiste racismo mais sim intolerancia ,ipocresia ,inveja ,pobresa ,falta de cultura e o mais inportante falta de. Conpaixão e amor pelo procimo nos coracões dos seres humanos .triste vergonha q passaremos para nossos filhos.

    • Eu assisti o filme e è realmente tocante ,mais hoje o racismo. Não se compara com o do passado onde q mães choravam. pela a espera de seus filhos, q ao voltar da escola era humilhado ,e muitas vezes Mortòs,decapitados,retalhados,hoje qualquer palavra,mau colocada ja consideram rasismo,hoje para mim não é racismo e sim intolerancia,arrogancia,ipocrisia da sociedade,pobresa,inveja ,falta de cultura,falta de deternura ,amor , pelas pessoas ,compaixão,fico triste e envergonhado pelo q deixamos para nossos filhos nessa sociedade hipocrita.

      • O racismo ainda existe, sem sombra de dúvida, mas cabe a cada um de nós contribuir de forma ativa para que ele seja banido da sociedade,Enio, Davi e Dbadeji(?). Obrigado pela visita ao blog e voltem sempre.

  14. Ainda não vi o filme, mais estou muito ansiosa para assisti lo. Me recomendaram não pelo tema racismo mais sim pelo fato de tratarem a primeira cardiopatia congênita. Meu filho é cardiopata e me disseram q esse filme ajudou muito outras mães de cardiopatas.

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