Madame Bovary – Gustave Flaubert

Por Renata Déda

11/03/2010

Durante as aulas de literatura sobre as escolas literárias, é comum o professor citar várias obras e fazer sempre um pequeníssimo resumo das principais. E meu professor fazia isso. Eu ficava muito curiosa com algumas histórias, mas nunca me determinava a lê-las. Como nós estudamos mais as escolas literárias no Brasil, e o assunto sempre se inicia com a origem da escola fora do país, o professor citava algumas obras importantes que foram marcos para suas respectivas escolas. Destas, as que mais me chamaram a atenção foram “Os sofrimentos do jovem Werther”, de Goethe, que imagino ser muito deprimente, então devo me preparar psicologicamente antes de ler, e Madame Bovary. Esta última obra eu encontrei numa ida à Biblioteca Pública Epifânio Dórea. Sabia que era um clássico, mas não lembrava em que escola literária estava inserida. Olhei no meu caderno e vi que o livro foi o marco do realismo na França. Como essa história de realismo, no começo, gerou muita polêmica, procurei na internet algo relacionado, e encontrei que a escrita rendeu a Flaubert um julgamento, no qual foi acusado pelo governo francês de ter escrito uma “obra execrável sob o ponto de vista moral”. O autor, por sua vez, conseguiu ser absolvido com a frase histórica: “Madame Bovary sou eu”. Há uma crítica muito forte à Igreja, e também à burguesia, fato que incomodou muito em 1858, ao ser lançado o romance.

O livro é dividido em três partes. Essas partes não são denominadas, e como não encontrei nada a respeito, acredito que seja apenas por questão de organização. Estou ainda no final da primeira parte e já percebo que ler Flaubert está sendo um desafio para mim, pois não tenho ainda intimidade com os livros, e sua linguagem ainda é difícil, principalmente por ser demasiadamente romântica e antiga, em minha opinião, além de ter muitas palavras desconhecidas. Pelo que já li, percebe-se claramente a principal característica do realismo: a descrição minuciosa das coisas, além da anti-heroicização da mulher, que já se mostra na primeira esposa de Charles Bovary – uma mulher autoritária e controladora do seu marido.

Flaubert foi especialmente excepcional quando mesclou o romantismo de décadas atrás, que ele mesmo já fora adepto ao escrever “Novembro” (1842), à personagem principal. Emma carrega consigo uma história secreta cheia de sonhos e aventuras ao lado do seu príncipe amado, e um futuro coberto de insatisfações amorosas, adultério e suicídio. Um momento do livro que eu percebi como importante foi o baile na casa do Marquês d’Andervilliers. Emma já tinha um espírito aburguesado, mas no momento do baile, vendo todos aqueles vestidos, aquela fartura de comida, as conversas sobre lugares famosos, sentia uma vontade imensa de viver tudo aquilo, e seu passado no campo tirando leite da vaca era como se nunca tivesse existido em sua vida.

Resumindo rapidamente, o livro fala sobre a história de Emma, uma moça prendada demais para ter sido criado no campo, que se casa com Charles, um jovem médico viúvo. Antes do casamento sentia até certa alegria e excitação ao vê-lo, mas ao casar, mesmo ele sendo sempre devotado a sua esposa, ela perde a animação e fica constantemente entediada, o que a leva a cometer os adultérios que eu ainda não li.

A própria vida de Gustave Flaubert pode ser dividida entre a primeira fase do romantismo, quando, aos 15 anos, apaixona-se perdidamente por uma mulher casada e com filhos e o realismo, quando resolve dedicar-se apenas à literatura e esquecer o seu amor. E nesse momento de sua vida, inspirado por um caso real de adultério seguido de suicídio, faz nascer Madame Bovary.

Além do livro, há também dois filmes. Um de 1933, dirigido por Jean Renoir, e outro de 1949, dirigido por Vincente Minnelli.

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4 Respostas para “Madame Bovary – Gustave Flaubert

  1. Ótimo texto Renata. Enriquece, e muito, nossos posts rápidos. Quando você terminar faça um julgamento dessa livro e, caso sua análise seja positiva, diga se vale realmente a pena lê-lo.

    Flw, e boa leitura.

  2. Acredita que conclui Werther há meia hora? E estava pensando exatamente em ler Madame Bovary . Parece brincadeira. Estou estudando essas escolas literárias e aproveitando para ler algumas obras.
    Seu texto ficou muuito bom. Fiquei ainda mais interessada em ler a obra.
    Parabéns!!!

  3. A única escola literária que estudei foi o Realismo, e na verdade o realismo no Brasil, e me lembro que na época me interessei bastante. A descrição das coisas, falar das coisas sem expressões floreadas, apenas transcrevê-las, imagino o tipo de revolução que isso causou na época. E escrever um livro sobre uma mulher de alta sociedade, burguesa, rica, que vivia o adultério. Muito legal.
    ;) da mesma forma que disse a Leonardo, sempre volte aqui e nos fale mais do livro.

    :-* minha linda.

  4. Comprei, por coincidência, uma edição de Madame Bovary em um sebo lá em Brasília, semana passada. Conversando com uma colega de trabalho, ela disse que quando estudou o ginásio (há cerca de 30 anos), Madame Bovary não era considerado um livro “adequado para moças”, por conta do tema central do livro.

    Mais um na minha lista.

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