Moby Dick – Herman Melville

Por José Leonardo Ribeiro Nascimento

29/03/2010

Comecei ontem a ler essa obra do escritor americano Herman Melville. Quando mais novo (e na verdade, há até bem pouco tempo) acreditava que Moby Dick era uma história meio que para crianças, já que vemos centenas de adaptações infantis desse clássico nas livrarias. Por conta disso é que nunca havia me interessado muito em ler esse livro, que trata da obsessão de Acab, o capitão do navio Pequod, em encontrar e matar a baleia albina Moby Dick, que destruíra todos que haviam tentado matá-la.

O livro ganhou a minha atenção ao ler a obra “Como e por que ler”, de Harold Bloom, na qual ele cita Moby Dick como um exemplo de literatura e diz que praticamente toda obra que traz um inimigo inatingível, um desafio impossível, uma obsessão por uma luta desigual tem a influência - direta ou não – de Melville e sua maior realização.

Estou bem no começo do livro e me chamou a atenção uma frase belíssima. Como já falei antes, a capacidade de um escritor se expressar de forma artística e inesperadamente bela é o que mais me chama a atenção na literatura. Ismael, o narrador da história, em determinado momento fala que prefere viajar no mar como marinheiro que como passageiro, principalmente porque na primeira opção ele é pago para viajar, enquanto que na segunda ele tem que pagar para viajar, algo que ele abomina. Para expressar essa repulsa ele diz o seguinte:

“O ato de pagar talvez seja o castigo mais desagradável que os dois ladrões de pomar nos legaram.”

É ou não é genial? Nunca imaginei em me referir a Adão e Eva como ladrões de pomar. Exageros à parte, essa frase, para mim, já fez o livro valer a pena.

29/06/2010

Três meses e ainda leio Moby Dick. É um romance espetacular, mas é difícil de ler (para mim). O autor, Herman Melville, era um baleeiro, e decidiu escrever o livro definitivo do amor às baleias. Ele deixa transparecer a todo instante a devoção ao “Leviatãs. Há capítulos para falar sobre a cauda do cachalote, a cabeça do cachalote, a pele, o esqueleto, os fósseis, os hábitos, enfim, a capítulos detalhando tudo que se possa imaginar em relação à atividade baleeira. E não são em forma de romance. São como artigos, em linguagem técnica. Quebram muito o ritmo da narrativa, e tornam muito difícil “engrenar”. Para mim, o romance tem três momentos: quando ele fala de baleias (uma parte muito chata, na minha opinião); quando a trama está efetivamente acontecendo (é fantástico, espetacular. Ele coloca diálogos e divagações tão grandiosas na boca de Ismael, do cozinheiro, de um imediato, de um louco… Um talento impressionante) e quando Acab fala. Tudo se torna pequeno quando Acab resolve falar qualquer coisa que seja. Nunca vi isso em livro nenhum. Ismael acabou de descrever o processo de limpeza de um navio, por exemplo, algo incrivelmente cansativo para mim. Começo a achar o romance chato. Mas aí Acab aparece e fala algo do tipo:

“Não me fale de blasfêmias, homem; eu bateria no sol, se o sol me insultasse.”

Acab é louco, e sua loucura toca a minha pele enquanto leio. E isso não é brincadeira. Ele incomoda. Sua insana autoridade é tão inquestionável que você só tem que contemplá-lo levando todos à ruína.

Estou perto de terminar o livro, e ele tem algumas passagens memoráveis. Uma das melhores, e que vale todo o livro (são várias as partes que valem o livro), é a pregação que o cozinheiro Fleece faz aos tubarões que tentam devorar partes de uma baleia recém-capturada. Inesquecível.

Outra, igualmente insana, é a conversa que Acab tem com a cabeça dessa mesma baleia…

Para encerrar o post, duas frases que ficarão na minha memória sempre que eu lembrar de um livro (o que acontece com frequência):

“O fato é que vós, livros, deveis conhecer vossos lugares. Servis para dar-nos simples palavras e fatos, mas entramos com o pensamento.”

“Pois o que é verdadeiramente espantoso e temível no homem ainda não foi posto em palavras ou livros.”

Minha Avaliação:

5 estrelas em 5

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2 Respostas para “Moby Dick – Herman Melville

  1. (risos)

    Boa definição criminal para Adão e Eva…
    E tem algo menos merecedor de punição que roubar pomar? (risos)

    Reinald0 já havia comentado sobre este teu problema técnico contra o excesso de descrições cetáceas (risos)

    WPC>

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