Harry Potter – sua verdadeira magia

Harry Potter e a Pedra Filosofal

by Renata Deda

Publicada pela primeira vez em 1996, a série Harry Potter, da autora Joanne Kathleen Rowling, tem sete volumes e conta a história de um bruxinho órfão que sobreviveu ao mais terrível feitiço do mundo bruxo: o da morte. Harry foi criado pelos tios Valter e Petúnia Dursley, trouxas – denominação atribuída àqueles que não são bruxos. Por ser diferente do resto da família, não era bem quisto, e por conta disso sua infância foi bastante perturbada. Até que, aos onze anos, recebe uma carta de admissão à Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts. A partir daí, Harry descobre que seus pais, Lílian e Tiago Potter, foram assassinados pelo bruxo das trevas mais poderoso que existia, e que não só ele, como sua cicatriz, são famosos por terem, aparentemente, derrotado o Lord Voldemort. Ao ingressar na escola, Potter fica encantado, – e até o último volume é possível notar momentos em que ele fica maravilhado com a magia, mesmo que, com o passar dos anos, esses momentos sejam cada vez mais raros – faz amizades e inimizades, descobre um mundo repleto de caminhos perigosos, decisões importantes, traições, e por vezes enfrenta Você-Sabe-Quem (maneira pela qual os bruxos se referem ao Lord das trevas). Num desses encontros, descobre uma profecia muito importante que diz que enquanto um sobreviver o outro não viverá, ou seja, ou Harry, ou Voldemort deve morrer. Tudo isso sempre ao lado de seus amigos inseparáveis Rony Weasley e Hermione Granger.

Comecei a me interessar pela história quando tinha uns 11 anos. Foi uma amiga quem me mostrou o primeiro filme: “Harry Potter e a Pedra Filosofal”, e também ela me ofereceu os livros para ler. Lembro que com o passar do tempo que eu continuava gostando da série, muitos colegas riam de mim por apreciar tanto uma historinha tão besta de criança – como se eles também não fossem crianças! Fiquei, de fato, um tempo menos empolgada com os livros, tanto que só recomecei a leitura da série esse ano. Hoje eu percebo que o conteúdo das obras não é tão infantil como eu ouvia falar há uns anos. É notório que há uma grande discrepância na evolução dos volumes, mas ainda assim é uma história complexa e cheia de pormenores, detalhes, mensagens. Não mensagens subliminares nem algo do tipo, mas sim a mensagem de que o amor é a “arma” mais poderosa que uma pessoa pode ter, a separação visível entre o caminho do bem e o caminho do mal, punindo este e incentivando aquele. Isso pode soar um tanto ridículo. Mas o que mais falta no mundo, se não amor? Tal idéia aparece, por exemplo, para explicar o porquê de Harry não ter morrido na noite em que lhe lançaram o feitiço Avada Kedavra. A razão disso foi o amor de sua mãe, que, ao se jogar na frente do filho, transmitiu para ele toda a proteção que pôde. Por isso é que um simples estudante de bruxaria consegue, por tantas vezes, sobreviver ao pior bruxo das trevas.

O único interesse de Voldemort durante a trajetória dos livros é conseguir a imortalidade, e para isso ele faz qualquer coisa. Seu próprio nome, inclusive, significa vôo da morte. A história completa desse temido bruxo só aparece no sexto volume, quando, através de algumas memórias, Alvo Dumbledore, diretor da escola e protetor de Harry, – digamos assim – remonta a história de Tom Riddle: um garoto criado em orfanato, filho de mãe bruxa e pai trouxa, que culpou o pai pela morte de sua mãe, e por isso criou aversão a qualquer ser não-bruxo, mudando seu nome, que por sinal era igual ao do pai. De Tom Riddle passou a ser Lord Voldemort.

Assim como muitas outras histórias fantasiosas, a série escrita por J. K. Rowling é carregada de emoções que dão ansiedade para saber mais e mais sobre o livro, acompanhando sua evolução a cada publicação. Ao lançar a primeira edição, Rowling não tinha um direcionamento de público leitor. Contudo, tendo em vista a idade dos protagonistas no início da história, é compreensível que a obra, primordialmente, tenha  apresentado um aspecto infantil, enfatizado pela editora responsável na Inglaterra, através das capas animadas. Mas somente aspecto. No desenrolar da trama o clima fica cada vez mais pesado, e isso foi mais impactante com último filme lançado mês passado. Sua atmosfera é mesmo mais “acinzentada”. Os personagens, ao mesmo tempo em que enfrentam situações pertinentes a bruxos adultos, passam por conflitos amorosos tipicamente adolescentes. Ouço muitas pessoas dizerem que não gostaram desse último filme, mas eu, particularmente, gostei. Apesar de ser o mais assustador e o menos fiel ao livro – não que seja infiel, mas a cena inicial da garçonete, por exemplo, não está no livro – não deixou de transmitir a essência da história desse volume: a busca pelo segredo de Voldemort – as horcruxes.

Numa entrevista com J.K. Rowling, a autora afirmou que quando começou a escrever o primeiro romance passou por diversas situações que influenciaram em muitos detalhes de sua obra. De uma dessas influências, quando estava em depressão, ela criou os dementadores. Dementadores são espécies de guardas da prisão dos bruxos, a prisão de Azkaban. Esses seres são enormes e esqueléticos, usam capas e tem o poder de sugar toda e qualquer lembrança feliz que a pessoa tenha guardada na memória. Como Leonardo disse no texto inaugural do blog, as idéias não brotam da cabeça do autor simplesmente.

A série Harry Potter passou esses anos por muitas críticas. Desde acusações de plágio, já desmentidas e devidamente indenizadas, como acusações de indução de jovens a práticas ocultistas. Concordo que o livro contém bruxaria (poções, feitiços,…), mas é ficção. Assim como em “O Senhor dos Anéis” há um anel poderoso que corrompe as pessoas, há magos; assim como são criados mundos diferentes do nosso para embasar a criação de tantos escritores brilhantes, cabe a nós separar vida real de ficção, e não permitir a desvirtuação de nossas crenças. Quem nuca pensou em acordar todo dia e ter um orc para enfrentar, como eu já ouvi falar (rsrsr)? Ou até mesmo uma fada para realizar seus desejos? Não que eu queira viver esse mundo de fantasia. Eu nunca quereria, por exemplo, a imortalidade. Entretanto as histórias não deixam de ser envolventes. Acredito que seja exatamente essa “fuga” do mundo real que torna esse tipo romance tão atraente. Faz lembrar um pouco a cultura celta, a Idade Média… Esses tempos em que qualquer pessoa um pouco mais à frente do seu povo era considerado feiticeiro.

A primeira impressão que Harry Potter pode deixar nas pessoas é a de um clichê voltado para distrair pré-adolescentes. Mas não se pode julgar um livro – ou filme – pela capa. Muitas obras grandiosas do cinema e da literatura foram escritas sob clichês de amores impossíveis ou de garotinhos órfãos, e nem por isso deixaram de proporcionar a seus leitores um passeio ao improvável, ao ápice da imaginação tão-somente elaborada para despertar caminhos novos e, mesmo que parecidos, diferentes a cada nova história contada.

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8 Respostas para “Harry Potter – sua verdadeira magia

  1. Simplesmente brilhante Renata! Já imaginava que sua capacidade de escrever estaria acima da média e que a linguagem do seu texto não seria cansativa. Tenho absoluta convicção de que um bom escritor não precisa “complicar” seu texto com lindas frases – muita das vezes confusas -, mas apresentar suas idéias com refinamento e simplicidade.

    O trecho mais curioso e que me despertou lembranças foi este: ” Quem nuca pensou em acordar todo dia e ter um orc para enfrentar, como eu já ouvi falar (rsrsr)?”. Lembro dos momentos e da expectativa quando esperava meu irmão chegar de viagem, para então, passar todo o final de semana jondo RPG (Jogo de interpretação de personagens). Realmente viajava nas suas estórias fantásticas de dragões, cavaleiros, ORCS, bruxos e masmorras.

    Parabéns Renata!

  2. Não sou fã da série Harry Potter – nem dos livros, que nunca li, nem dos filmes, dos quais assisti três – mas não dá pra não reconhecer a importância do bruxo na literatura atual. Fenômeno incontestável de vendas na literatura e nos filmes, que, inclusive, fizeram do ator Daniel Radcliffe uma das pessoas mais ricas da Inglaterra, muitas crianças e adolescentes descobriram a paixão pela leitura a partir das aventuras evolvendo as três crianças aprendizes de bruxaria.
    Lembro do filme “O Diabo veste Prada”, em que a chefe da personagem vivida por Anne Hathaway, pede que ela consiga uma cópia do novo livro de Harry Potter (que ainda não havia sido lançado nas livrarias) para suas filhas. Como em filme tudo se resolve, após alguns malabarismos ela consegue e as meninas vão correndo ler as novas histórias narradas por J. K. Rowling.

    O texto de Renata reflete bem o que é essa aventura de se encantar com personagens que só existem no papel, essa expectativa que se cria para saber o que acontecerá em seguida, qual o próximo perigo a ser enfrentado e como eles vão se safar.

    Por falar no texto, parabéns, Renata! Ficou parecendo uma resenha profissional, retirada de algum site especializado em literatura.

    Espera aí!

    Esse site é sobre literatura! Sua resenha é de profissional.

    Então ficou parecendo o que realmente é!

    Que bom ver gente que gosta de ler escrevendo tão bem.

  3. Como sempre Renata aparece com um ótimo texto. Linguagem simples e agradável, escreve com muito estilo!!!
    É bem interessante esse tema, pois além de colocar de lado o preconceito e esse negócio de que é coisa do “encardido”, mostra que realmente é muito divertido imaginar outras realidades variantes da nossa, onde as lendas seriam reais, e perigos nos esperam atrás dos muros das cidades. Acho que por influencia do RPG eu sou fanático por esse tipo de ambientação, a Fantasia Medieval, descrita por J. R. R. Tolkien e outros tantos autores.
    Sempre gostei de Harry Potter desde os primeiros filmes e já virei fã “quase de carteirinha” da série, apesar de ainda não ter lido os livros. Claro que se você prestar atenção muita coisa na sua história é clichê, mas como li num texto de um escritor dessa área uma vez: Nada se cria, tudo se copia. E é realmente isso mesmo. Não importa quanto original seja sua idéia, alguém já fez algo parecido, cabe a quem escreve apenas dar toques pessoais, personalizando o rumo da história.
    Parabéns Renata, já estou ansioso por seu próx. texto!!
    xD

  4. Nossa, Renata fiquei admirada com seu belíssimo texto. Gosto muito desse estilo de texto simples e faz com que o leitor se interesse para ver o final.A parte que mais me atraiu foi:” A razão disso foi o amor de sua mãe, que, ao se jogar na frente do filho, transmitiu para ele toda a proteção”.Mesmo sendo um filme de aventura e muita ficção, ele passa essa linda mensagem de amor, de uma mãe para com o filho.

    Beijos!!!
    Andréa

  5. Primeiramente, parabéns pelo texto Renata!

    Eu não sou fã da série, mas dos cinco filmes que eu assisti, todos me encantaram, em especial o terceiro (“O prisioneiro de Azkaban”). Toda a história, os personagens, as intrigas, o enredo, é incrível ver essa capacidade que o ser humano tem de criar, ou melhor, de imaginar. E como Eduardo disse em seu comentário, longe de todo o preconceito que há relacionado a esse tipo de história de magia, bruxaria ou coisa do tipo. É necessário que enxerguemos muito além disso, pois cada texto tem algo para nos mostrar, basta que prestemos atenção.

    A série Harry Potter foi muito criticada pelo fato de influenciar os jovens, desligando-os da realidade e levando-os a um mundo de fantasia. Na verdade, todo o tipo de leitura tem essa capacidade, cabe ao leitor saber fazer essa distinção de ficção e realidade.

    Enquanto em relação ao texto mesmo, está realmente ótimo!
    Na verdade eu nunca duvidei da capacidade da minha cunhadinha;)

    Parabéns cdf! 😀

  6. Parabéns pelo texto Renata! Você soube se expressar muito bem.
    Claro que nem todos nós tivemos a oportunidade de acompanhar esta obra, no entanto você soube detalhar as principais partes da história como um todo de uma forma resumida, a fim de que nós, mesmo aqueles que não gostam de Harry Potter, possamos ter uma compressão melhor de como devemos nos portar perante esse gênero literário.

    Nada melhor que o/a autor/a se utilizar da ficção para nos transmitir uma mensagem que valha a pena as pessoas refletirem, esse tipo de coisa é o que faz a alegria e o interesse de um leitor.

    Mais uma vez párabens pelo texto!

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