Curados para amar

Girassóis

Por Maria Andréa Souza de Andrade Nascimento

No mundo tão sequioso que vivemos, as pessoas mostram-se muito carentes em relação aos sentimentos. Quando Leonardo me propôs a ler algum livro para participar desse site, pensei logo em um dos livros de um inteligentíssimo autor, o saudoso Padre Léo: “A cura do ressentimento”. No momento que comecei a lê-lo, cheguei a pensar que era algo “bobo”, ou então, “sei lá, não tem nada a ver com os livros que alguns participantes já leram”. Então me deparei com o seguinte pensamento: O que escrevemos, por mais que não seja interessante para o outro, mas só pelo fato de ser escrito com carinho e dedicação, pode cativar alguém.

Padre Léo foi o fundador da comunidade Bethânia, autor de vários livros como: Corações Curados, Rezando a Vida, Seja Feliz Todos os Dias, Jovens Sarados, dentre outros. É interessante que muitas vezes achamos que o ressentimento é algo que não existe, e que estamos imunes a ele, mas pelo contrário, estamos a todo tempo expostos a sermos ressentidos, pois não existe ninguém no mundo que já não sofreu ou que sofre esse tipo de sentimento devastador. Quando nosso coração está tomado por raiva ou decepção, pequenas coisas do dia-a-dia que nos machucam, nos magoam, muitas vezes são transformadas em ressentimento. O autor vem nos mostrar que já foi comprovado que esse tipo de comportamento psicológico vem muitas vezes acarretar alguns tipos de doenças, como doenças do coração, úlcera, dentre outras.

“O ressentimento surge em nosso coração quando alguma coisa fugiu ao nosso controle, quando algo não aconteceu conforme tínhamos previsto, ou quando alguma coisa indesejada por nós acabou acontecendo.” Padre Léo

A pessoa ressentida busca estar voltada sempre para ela como vítima nas situações do dia-a-dia, tornando-se assim uma pessoa escrava do problema, pensando que todos estão tramando algo contra ela. Sendo assim, todos ao seu redor têm a obrigação de ouvi-la sobre seus problemas do passado, que em muitos casos já foram contado várias vezes, criando-se assim um círculo vicioso, transformando-se em uma doença maior.

O mais lindo de tudo isso é que há cura para o ressentimento. O Padre Léo vem nos mostrar uma coisa belíssima e fantástica: a única maneira de ser curado desse mal é pelo amor. E não existiria outra pessoa para nos ensinar isso a não ser Jesus.

Uma das coisas da vida de Jesus é que Ele não deixava o ressentimento tomar conta do seu coração. Era humano como nós, a única diferença era a sua santidade. Podemos pegar em algumas passagens bíblicas trechos que nos mostram momentos que Ele poderia muito bem ficar ressentido. Primeiramente peguemos em Mateus (Mt 26, 36-46), que vai retratar a traição do seu amigo Judas:

“O filho do homem vai ser entregue nas mãos dos pecadores… levantai-vos, vamos! Aquele que me trai esta perto daqui.”

E mesmo Jesus ficando triste com toda aquela situação que iria lhe trazer sofrimento, e sofrimento de cruz, Ele perdoou Judas. Outra passagem que faz parte da minha vida pessoal, e da minha história como cura interior, é quando Jesus nos ensina:

“Não ponhamos o sol sobre o vosso ressentimento. Não deis oportunidade alguma ao diabo.” (Efésios 4, 26b-27)

Essa ultima passagem bíblica vem nos ensinar de forma simples – admiro em Jesus também sua simplicidade e sabedoria em nos ensinar as coisas – que para sermos pessoas livres e felizes, não há outra maneira a não ser pela transparência para com o outro, seja no casamento, no namoro ou em qualquer relacionamento. Viver de forma coerente, e, em Deus, sempre em Deus.

Termino esse texto com uma historinha de ficção, mas que, para mim, traz um valioso aprendizado, uma lição de vida.

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Fugindo do leão

Estavam no meio da mata um mineiro e seu parente da cidade grande. De repente, surge um terrível e feroz leão rugindo na frente dos dois. Um olhou para o outro. Imaginem o que devem ter pensado. O mineiro, sossegado, se assentou numa toca de arvore, retirou a pesada bota que estava usando e colocou um tênis muito mais leve e macio. O parente da cidade começou a rir e caçoar do coitado do mineirinho:

– Deixa de ser bobo, primo. Você acha que com este tênis vai correr mais do que um leão?

O mineirinho , já se levantando, respondeu:

– Eu não estou pensando em correr mais do que o leão. Eu só preciso correr mais rápido do que você!

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O ressentimento é como a bota: pesada, desajeitada, atrapalhando nossa corrida. Devemos sempre estar dispostos a calçar o tênis do perdão, que nos faz correr mais rápido.

Termino o meu texto assim, de forma simples. Espero que todos gostem e possam aproveitar a leitura para refletir sobre o que você, leitor, tem calçado: a bota ou o tênis? Na sua vida o que tem sido alimentado? O ressentimento ou o perdão?

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6 Respostas para “Curados para amar

  1. A bota ou o tênis?” Existe um meio termo? Acho que não. Do mesmo jeito que seu texto foi muito “pessoal” a minha resposta não vai fugir à regra. Estou tentando usar o “tênis”, mas como é de se esperar (pessoal, sou humano e erro), sempre caio nos mesmos erros, escolho a “bota”. Qual o motivo dessa escolha? Acho que a resposta está na facilidade em continuar no ressentimento a não perdoar. Um mal tão grande e que muitos de nós teimamos em continuar. O ressentimento é sentir novamente, mas que sentimento é esse? Algo bom? De maneira nenhuma. Essa escolha em continuar ruminando as idéias ruins, ficar alimentando o pecado, apenas causa mal a nós mesmos e as pessoas que nos cercam.

    Gostei do seu texto Andréa, principalmente porque trata de um livro do Pe. Léo, que sem dúvida foi um dos maiores nomes de toda história da Igreja Católica.

    Parabéns.

  2. Belíssimo texto, meu amor. Parabéns!

    Falar de ressentimento e de perdão é prova de coragem e de humildade. No mundo de hoje só se alimenta a vingança, o ódio, o “Olho por olho, dente por dente”. O perdão é muitas vezes confundido com covardia. Na verdade, entretanto, é exatamente o contrário: Para perdoar é preciso ter coragem, ter fibra. Essa historinha do Pe. Léo esconde muita sabedoria. Que o leitor não se deixe enganar pelo humor. O Pe. Léo era um grande pregador, um homem de muita intimidade com Deus e que merece ser lido e ouvido, mesmo depois de sua morte.

    Em relação à sua pergunta, tenho sempre tentado trocar a bota pelo tênis. Graças a Deus tenho lutado sempre para não deixar o ressentimento ganhar espaço em meu coração.

    Bela estréia, Andréa, tanto na escolha do tema quanto no texto em si.

  3. Muito bom o texto Andréa! Parabéns! O tema é muito interessante, e ainda mais sobre um trabalho de Padre Léo que é simplesmente extraordinário.

    Talvez não exista ninguém no mundo totalmente livre desse pecado, alguns em maior e outros em menor escala, mas como Leonardo disse, o mundo hoje é regido pela lei dos maus pensamentos, dos maus sentimentos, ou melhor, dos sentimentos deturpados, os que são retorcidos de modo a deixar a situação mais conveniente para cada um. Acho que esse é o maior pecado de muita gente (me incluo nessa lista, já respondendo a sua pergunta). Fazer as coisas das maneiras mais fáceis, fugindo das responsabilidades da vida. E ressentir é uma maneira de fugir da responsabilidade, fugir do caminho mais difícil: Perdoar. E perdoar muitas vezes àqueles que não nos querem bem, inclusive aqueles que não nos perdoaram. Isso nos leva a Jesus, que como Ele mesmo disse, é o caminho, a verdade e a vida. Se não recorrermos a Jesus, buscando a Deus, nunca seremos livres, pois não adianta apenas ir na igreja e confessar, o perdão é uma ferida que leva muito tempo para cicatrizar, dependendo do motivo. Nunca devemos nos acomodar, achando que já chegamos no patamar ideal da fé, quanto mais nós temos, mais nos será cobrado.

    Gostei muito do seu texto Andréa. Tanto pelo tema, quanto pela simplicidade que você faz questão de mostrar em suas palavras. Umas das características que mais respeito em alguns escritores é o fato de que eles não precisam recorrer ao vocabulário sofisticado, e por que não dizer, de difícil digestão, ou a idéias mirabolantes que acabam apenas por confundir o leitor, para contar suas estórias. Criatividade não tem nada a ver com isso. Tire pela música, por exemplo: as mais bonitas melodias são escritas com poucas notas, mas com uma inspiração genial.

    Gostei bastante! E que esse seja o primeiro de muitos que estão por vir!!!

  4. Ah! O saudoso Padre Léo, como esse sábio homem faz falta pra gente. Num mundo onde é crescente os sentimentos ruins, as mágoas, a dor, e por conseqüência: o ressentimento. Suas palavras que revelavam nada mais que a verdade, tocavam os corações. E seu senso de humor cativava qualquer um.

    O perdão é um tema belo e ao mesmo tempo pesado para se tratar. Pois como seres humanos que somos, erramos e pecamos de forma absurda. Mas acontece que, quando se trata dos NOSSOS erros, nós sabemos ser compreensivos, e dizemos justamente isso: “sou só um ser humano, eu erro!”. Mas quando se trata dos erros dos outros? Por que não somos mais compreensivos? Perdoar é deixar de ser egoísta, é dar mais uma chance ao outro, de recomeçar, de ser melhor… Se as pessoas vissem o perdão dessa forma: como uma expressão do amor, e não como uma fraqueza, talvez não existisse tanto ressentimento, tantos pensamentos ruins, como os que existem hoje no mundo.

    Enquanto à pergunta proposta, sinceramente pra mim, eu graças a Deus, pois, costumo andar com os “tênis”. Apesar de as vezes teimar e calçar a bota, na minha vida eu deixo que Deus comande, e para isso faço o que Ele me ordena. Se o melhor pra mim é usar o tênis: é perdoar, me curar do ressentimento, então eu o faço, sempre por aquele que deu a vida por mim. ^^

    Muito bom o texto Andréa, é uma forma tão simples e ao mesmo tempo muito bela de escrever. O tema então diz respeito a cada um de nós. Muito bem cunhada! xD

  5. O texto está realmente muito bom Andréa!

    Só fugindo um pouco do tema em si, gostei da ideia de você ter ressaltado que neste blog nós não seguimos nem falamos a respeito de obras acerca de nenhum gênero literário em particular. Umas das coisas que eu achei de fundamental importância, pois defende a ideia de diversidade de conteúdo, e por conseguinte da sua riqueza.

    Com relação a este tema em particular, apesar de não ter lido o livro nem de ter esse tipo de preferência, reconheço, como cristão, a importância de nós como companheiros partilharmos também a respeito de assuntos tão pessoais e ao mesmo tempo tão comuns não apenas na nossa vida, – evolvendo toda a sua particularidade – mas também na nossa vida cotidiana onde nós como irmãos aprendemos através de obras como estas como exercer a caridade com os nossos semelhantes.

    Quanto ao seu texto, um elemento que eu acho que todos notaram foi a simplicidade que você usou ao descrever o conteúdo do livro. Algo notório, tendo em vista o seu cuidado em partilhar sobre este tema de uma forma acessivel a todos e ao mesmo tempo não perder o foco em relação ao objetivo do autor em nos instruir.

    Parabéns pelo texto!

  6. Que belo texto Andréa!! Você foi muito feliz na escolha do tema,por ser algo simples e de tamanha importância no nosso dia-a-dia, além de transmitir emoção e grande pessoalidade, que deram uma coisa especial à produção.
    Realmente, é fácil falar palavras bonitas para que uma pessoa não guarde rancor de alguém, mas quando somos nós, é complicado, ou ao menos, complicamos. Há uma passagem em “O Menestrel” que fala que ser flexível não é ser fraco. Tem muita gente que pensa que não perdoar é se impor diante da situação, mas se bem soubessem, fazem mais mal a si mesmas que ao próximo.
    Gostei bastante da historinha do leão. É simples, e inteligente. Respondendo à pergunta, eu tento calçar o “tênis”, mas às vezes fico no meio termo. Penso que nunca se sabe o dia de amanhã. Se hoje eu brigo com uma pessoa e não a perdoo, julgo-a, amanhã eu posso precisar dela e ser julgada da mesma forma. Dessa maneira, tenho sempre a ajuda de Jesus para me conduzir pelo Seu caminho, e ser, assim, mais feliz, como Ele quer.
    Belíssimo texto Andréa!! Parabéns!

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