Confiança – Uma virtude dos corajosos

Confiança

Por Maria Déborah Ribeiro Nascimento

Observando a situação atual do mundo, duas coisas são evidentes: a falta de amor e de confiança. O medo de se machucar e a impaciência que são comuns hoje em dia fazem com que as pessoas troquem o eterno pelo passageiro. Não é possível existir amor sem confiança, e essa última não existirá sem a paciência, pois confiança requer tempo, e aí está o problema: tempo. A sociedade prega o imediato, é o famoso “carpe diem”. E quando não é esse o problema, acontece o seguinte: certas pessoas são tão presas às suas crenças religiosas que acabam criando um muro. Para elas só se deve confiar em Deus e em seus familiares mais próximos; quanto aos demais, deve-se “confiar desconfiando”.

No primeiro caso, não é nenhuma novidade o fato de a maioria das pessoas terem essa filosofia de vida. “Para que esperar o melhor, se posso ter o que é bom agora mesmo?” Não é esse o pensamento que a sociedade julga ser correto? E isso não é só com relação ao amor entre um casal, mas também aquele existente numa amizade. Se bem que agora é até difícil dizer que há amor entre amigos (as), por que a sociedade já banalizou e transformou o amor em algo tão físico, que a primeira coisa que vem a cabeça quando, por exemplo, fulano diz que ama cicrano, é que fulano “deseja” cicrano.

Então é isso? O sinônimo de amor agora é desejo? Este nada mais é do que um dos tipos de amores, é o amor Eros. Aquele que é egoísta e busca a satisfação individual através do que é carnal. A verdade é que qualquer outro tipo de amor apresentado à sociedade (Philos ou Ágape) é rapidamente rejeitado. Quer dizer que por isso todos devem se adaptar a essa regra? “Para ser feliz alimente o amor Eros, esqueça a família, amigos e esse tipo de coisa que consome muito o seu tempo!” Você quer viver dessa maneira? A decisão é só sua.

Quanto ao segundo caso, é evidente que se deve confiar primeiramente em Deus e também na própria família, tê-los como amigos. As relações, porém, não podem se resumir a isso, você não pode querer ficar preso apenas nesse círculo familiar. A vida traça outros caminhos e, querendo ou não, você conhecerá outras pessoas. Se quer que Deus aja na sua vida, como espera que o faça? Deveria Ele descer do céu e atender particularmente as suas preces? A maneira mais comum que Deus usa para “participar” da sua vida e ajudá-lo é através de outras pessoas! Isso mesmo! Seres humanos falhos e pecadores como qualquer um, mas que a partir do amor que nasce de Deus, têm o poder de transformar sua vida.

Em “O pequeno príncipe” (obra clássica que tem como tema principal a amizade), há um diálogo entre o principezinho e uma raposa. Eles falam sobre cativar, ou seja, criar laços. Num momento ele pergunta à raposa o que é preciso para “cativar”. Ela então responde que “é preciso ser paciente”. Mas por que a paciência é tão importante?

Em primeiro lugar, assim como você, a outra pessoa é apenas um ser humano, portanto, não se pode exigir a perfeição. Afinal, a beleza do amor está justamente em amar o próximo mesmo conhecendo seus defeitos. Em segundo lugar, você nunca saberá quem será seu amigo ou cônjuge, pois não existe amor (fraternal ou conjugal) à primeira vista, não é algo repentino. Uma pessoa que há algum tempo era mais uma entre muitas outras, a partir de certo momento passa a ser única e essencial na sua vida. Mas para que isso aconteça, é preciso ter paciência para conhecer o outro, identificar suas qualidades e limites; se ainda assim você o quiser por perto, é porque, sem dúvida, ele é especial.

Quanto ao medo, não se pode temer um relacionamento por receio de se machucar ou sofrer; na vida é inevitável ferir-se, portanto, o único medo que você pode ter é o de não viver. Quando se der conta disso, entenderá a beleza desses versos declamados pelo pequeno príncipe quando ele foi rever as rosas:

“Vós não sois absolutamente iguais à minha rosa, vós não sois nada ainda. Ninguém ainda vos cativou, nem cativastes ninguém. Sois como era a minha raposa. Era uma raposa igual a cem mil outras. Mas eu a tornei minha amiga. Agora ela é única no mundo.”

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12 Respostas para “Confiança – Uma virtude dos corajosos

    • Não só acredito, como tenho certeza! Essa sem dúvida é a única certeza que tenho na minha vida! Um Deus que me ama, que me fez à sua imagem e semelhança e só me exige uma coisa: QUE EU SEJA FELIZ!
      Quando você fala se eu acredito n’Ele quando falo do amor… E tem como separar? Falar de Deus é falar do amor, e quem acredita em Deus conseqüentemente acredita no amor.

  1. Novamente um texto sobre sentimento e atitude, e, como era esperado, brilhante. Demonstrando, mais uma vez, o grande potencial do nosso blog; a partir do momento que temos no grupo tamanha diversidade de “linhas de pensamento”, o resultado é esse: enriquecimento dos temas e propostas de reflexão. Deborah traz para todos mais um texto, não apenas rico em detalhes e argumentos (aqui me refiro ao corpo do texto e linguagem), mas carregado de puro sentimento confessional. Discurso apaixonado, verdadeiro e pessoal; assim, somente aqueles que convivem e conviveram com ela, poderão absorver toda a mensagem contida no texto.

    Parabéns Deborah!!!

  2. Para se viver o verdadeiro amor é preciso coragem de muitas vezes renunciar. Renunciar ao orgulho, às vaidades, ao egoísmo, às vontades. Infelizmente a palavra amor está, neste mundo, associada ao ato sexual. Só se conhece o Eros. Tanto que “fazer amor” é sinônimo de relação sexual. O mundo parece que esqueceu que é possível que dois amigos se amem. Que irmãos se amem. Os filhos deveriam ouvir mais dos seus pais “eu amo você”, assim como é muito salutar um “eu te amo” partindo de um filho para seus pais.

    É preciso ter coragem para se fazer isso. E dar o passo adiante, passar da palavra para os atos, é ainda mais difícil. Viver o amor, como falei acima, requer diversos sacrifícios. Todos eles valem a pena. Viver sem amor é viver no vazio, buscando satisfações momentâneas e que não preenchem o ser humano. Por isso há tantas traições, tantas pessoas deprimidas, abandonadas aos vícios.
    Parabéns, Déborah, pela coragem de falar de amor. E parabéns pela coragem ainda maior de viver o amor.

    Um cheiro de seu brother.

  3. Mais uma vez Déborah vem e, como já se esperava, com um ótimo texto e, apesar do pouco tempo de blog, já podemos colocar como uma de suas maiores características a facilidade que ela tem para falar de sentimentos. O texto está ótimo e ensina a todos nós de alguma forma. É ótimo saber que Deus está cuidando tão bem de minha mana, ela é sim uma mulher templo do espírito santo, que em condição de irmã mais nova, vem ensinando a todos nós muitas coisas.

    Os sentimentos são difíceis de cultivar para que rendam bons frutos, e por serem assim de tamanha dificuldade essa nova era que já estamos vivendo vem pregando que sentimentos são falhos, são idiotices, que devemos deixá-los para trás viver o hoje, o prazer carnal. O mundo ensina de todas as formas a destruição dos valores que nos foram passados pelos nossos antepassados: está triste? encha a cara e vá para uma festa. Está desesperado? Use drogas que esquecerá destes problemas. Mas o mais banalizado dos sentimentos, do qual todos os outros derivam é o amor. Hoje poucas pessoas pensam no amor verdadeiro. Para o mundo se você sente uma afeição por alguém deve levá-lo(a) para cama, se for bom é porque existe amor, se não não pode dar certo. Que absurdo!!
    O sacrifício, que dói, fere, trás ressentimentos, consequências, mas que constrói a alma, dignifica o amor. Esse foi sempre o caminho, ensinado por Jesus, e o mundo agora quer destruir tudo que nos foi dado, tudo que conquistamos. Tudo o mais nos será tirado, mas o amor, e aqueles que amamos, nunca nos deixará. Amar a Deus, os pais, os irmãos, a namorada, noiva, esposa, filhos, amigos, etc.
    Parabéns pelo texto Déborah. Mais uma vez você nos ensina, e nos ilumina o caminho para que vivamos sempre o Amor de Deus, e fiquemos longe do que o mundo nos oferece.

    Parabéns!
    xD

  4. Parabéns Deby!
    Você é, realmente, um orgulho para todos. É uma mulher de Deus que prega e segue o amor na sua essência, aceitando os defeitos dos outros, e, ao mesmo tempo, podando-os.
    Dentre os sentimentos que existem, o amor é o mais banalizado mesmo. E não é só o amor entre um homem e uma mulher, é o amor em geral mesmo.
    Dificilmente você encontra homens que dizem “te amo” para um amigo, pois se falar todos dizem que é gay, sem o menor conhecimento de causa. Eu sempre ouvia minha mãe dizendo que colegas a gente tem um monte, mas amigos de verdade são poucos. Justamente por precisar de paciência e de tempo é que temos poucos amigos, pois uma amizade demora muito para ser construída, mas depois de firmada, nada consegue destruí-la. Eu, por exemplo, tenho uma amiga que não vejo há 3 anos, e as poucas vezes que conseguimos nos falar é como se ela morasse ali na esquina.
    Minha professora de português da 5ª série, costumava falar que ‘seguido do prazer vem a dor’ para nos obrigar a fazer o dever de casa. Com o tempo percebi que essa frase tem um sentido bastante amplo, seja no campo afetivo, acadêmico,…

    Parabéns pelo texto brilhante Deby!
    Eu te amo ^^
    xD

  5. Parabés pelo texto Deborah!

    Estou achado inclusive muito interessante a ideia de colocar no blog realmente aquilo que todos nós precisamos parar refletir. Esse tipo de atitide sua nos ajuda a desvendar muitos misterios na nossa vida, principalmente os que estão ligados ao relacionamento entre nós que somos filhos daquele que é só amor. É ai que entra a sua incrivel analise (confesso que também queria falar sobre este tema): O Amor humano. Se nós formos parar pra pensar, tá um pouquinho diferente daquele que Jesus pregava. Justamente pela vontade do homem de se socializar, que ele acaba incorporando uma serie de vaidades e de facilidades que acabaram por mistificar o amor que todos devemos ter pelo próximo, amor esse que hoje é uma verdadeira utopia, meu Deus!

    O amor ao proximo hoje é visto como uma coisa mais banal, mais recheada de paixões e “descontos”. E O PIOR DE TUDO, é esse o amor que o mundo exerga como amor entre casais. Filosofando um pouco, já que num simples e comum namoro que agente ve por ai, já é dificil a pessoa exercer esse amor, IMAGINE numa amizade simples e comum que agente vê por ai. Por isso que muitos hoje acabam com depressão, com o relacionamento acabado por infidelidade, etc. E ainda por cima, nós (eu, você e os que se preocupam e se perguntam) temos que ficar batendo a cabeça atrás de explicações, até porque nós fazemos parte dessa sociedade também né?

    Mas porque Deborah? Porque que esse amor é uma coisa tão dificil de se exercitar na pratica?

    É apartir de textos como o seu que eu começo a compreender porque é que o amor sobre a rocha que nós foi ensinado se tornou outro sobre a areia, pois esse tipo de pergunta engloba muitas outras coisas: confiaça, paciência, compreenssão, etc. E o mais importante é que você procura sempre lembra-nos desses elementos sob uma perspectiva cristã, o que torna o amor uma coisa mais presente e bonita na nossa vida através desses outros elementos que nós no nosso cotidiano exercemos sem muita dificuldade.

    Mais uma vez Deborah, parabéns pelo texto e boa sorte nessa caminhada de partilha que aos poucos se mostra uma verdadeira pregação e um testemunho de conversão.

  6. Concordo com: ”Observando a situação atual do mundo, duas coisas são evidentes: a falta de amor e de confiança. ”

    Refletir sobre o papel do amor é preciso!

    Mas ao falar de ”coisas mágicas” e personagens de história imaginários como ”Deus”? É discrepante! Usar como a mitologia para dar enfase algum dado da leitura,ok!
    Mas basear no concretismo seria mais lógico!
    ** é evidente que se deve confiar primeiramente em si! Na desenvoltura humana, somos humanos, ”humanos” o que existe apenas , … e se basear na retórica , só vai ficar no bláblá..

    Sugiro a todos para apurar a consciência e por consequencia a ética HUMANA:

    http://deusilusao.wordpress.com/

    • É uma pena “NáJUNG” que você pense dessa forma.
      Não baseio os meus pensamentos e os meus posicionamentos em nenhuma mitologia ou “coisas mágicas”, eu os baseio em duas coisas: primeiramente em Deus, o Criador, aquele que criou a mim, a você e todo o universo. E em segundo lugar, na minha experiência de vida.
      Se não acredita em Deus, você não pode de maneira alguma afirmar que acredita no amor, por que Deus é amor. E é uma pena que coloque os “seres humanos” num patamar tão alto. Confiar em si mesmo é fundamental, porém o SER HUMANO é IMPERFEITO ele erra, ele peca, erramos inclusive com nós mesmos.
      E ainda mais essa sua afirmação: “‘humanos’ o que existe apenas”, é mesmo uma pena que você não acredite em Deus, pois saiba meu “amigo” que se você tá achando que o mundo tá perdido por “falta de amor e de confiança”, saiba que o mundo tá do jeito que tá, por que existe muitas pessoas que pensam assim como VOCÊ! Que paradoxo, não? xD

      • Que réplica, maninha!

        Caro NáJung,

        Não sei o que o fez se tornar ateu – também não quero discutir isso com você. Entretanto, você já deve ter percebido que esse blog é escrito por pessoas que acreditam em Deus e que vivem de forma prática sua religião. Não se trata de escrever apenas. Somos os chamados “católicos praticantes”. Acreditamos em coisas fora de moda, como castidade, obediência, Deus, amor, etc.
        Acho legal seu depoimento aqui no blog, mas apenas fique bem convencido de que você não vai nos convencer do seu ponto de vista. Se os textos lhe interessaram de alguma forma, continue acessando o blog. Temos um cronograma e toda semana tem texto novo. Há mais textos falando de Deus e do amor; alguns nem os citam.

        Nosso objetivo é discutirmos entre nosso grupo – o blog possibilita isso, já que há pessoas morando em cidades diferentes. Não temos um objetivo missionário ou evangelizador; apesar de que os textos realmente podem chamar a atenção de pessoas que compartilhem do mesmo pensamento – chamou até a atenção de um ateu!

        Então, meu caro, não se nutra de esperanças de que nos tornaremos fãs do seu blog. Dei uma olhada rápida. Não é para mim. Se este aqui, entretanto, é para você, pode permanecer. Deus ama mesmo aqueles que não acreditam.

  7. Primeiramente gostaria de parabenizá-la pelo texto belíssimo que acabei de ler. Um ensinamento grandioso. Quando eu tinha 13 anos conheci Cristina uma verdadeira amiga, nossa amizade era tão intensa que eu nunca a esqueci. Depois que ela casou e foi morar em salvador perdemos o contato. Mas como não tenho duvida de que nossa amizade foi constituída por Deus, mesmo distante lembro-me dela todos os dias e a coloco nas minhas orações sempre.
    Parabéns Debi
    Mais uma vez obrigada pelo ensinamento!

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