O Curioso e o Coco Verde – Capítulo V

Por José Reinaldo do Nascimento Filho

Enquanto isso…

O coronel Otávio e seu capanga, Isaias, estavam numa camionete indo em direção à sua fazenda, que ficava próxima ao povoado Lagoa.

– Conhece o ladrão, Isaias?

– Sim, conheço. Neto da finada Gertrudes, patrão.

– Gertrudes?! Ela não foi professora do Lagoense Tancredo Neves?

– Sem dúvida, patrão. Acho que foi a primeira professora do colégio… Ah, ah, ah, ah, ah!!! Aquilo é mais “véia” que o diabo. Ah, ah, ah, ah, ah!

-“E sairão, e verão os cadáveres dos homens que prevaricaram contra mim [Deus]; porque o seu verme nunca morrerá, nem o seu fogo se apagará; e será um horror a toda a carne” – disse o coronel ao seu empregado, Isaias.

– Gostei do “será um horror a toda a carne”. De onde o senhor veio com isso, patrão?

– Isaías 66, versículos 22 ao 24. Foi o primeiro livro que ganhei do meu finado pai, que Deus o tenha. Homem rigoroso. Quando completei 10 anos de idade ele me deu de presente a Bíblia. Desde ent….

– Mas o senhor não era ateu, seu Otávio? – interrompe Isaias, um pouco surpreso. – Como é que o senhor sabe de “cor e salteado” um pedacinho da Bíblia?

– É necessário conhecer o inimigo para poder derrotá-lo, Isaias. Leio de tudo nessa vida. Aprender com o inimigo é muito importante, você deveria saber muito bem disso. Lembra do finado Antônio? Aquele que quase arrancou sua orelha com uma faca peixeira? Pois então, se você soubesse como ele era bom com a “bicha”, você tinha arrancado logo a mão boa dele, e não a direita.

– Verdade patrão. Mas não se preocupe, desde aquele dia venho tomando muito cuidado: Arranco logo é as duas… Ah, ah, ah, ah, ah!!!

– Fico pensando nesse safado que roubou meu cavalo e, além disso, quebrou a pata do bicho…

– Acho que ele não vai resistir. O ferimento é muito grave; dever ter perdido uns três a quatro litros de sangue.

– Espero que esse safado acredite em Deus, pois vai precisar muito de um milagre. Porque você sabe que minha punição é justa, não sabe? Nesse tipo de situação não existe outra opção, vou ter que sacrificá-lo, pois…

– O cavalo ou o ladrão? – pergunta Isaias, com um sorriso grande e aterrorizante, ao mesmo tempo em que mostrava seus dentes podres e amarelos.

– O ladrão, é óbvio. Safado! Vai se arrepender pelo resto da vida, de ter se metido com o “Coronel Otávio Assunção”! – disse, batendo com toda a sua força as duas mãos no painel da camionete.

– Calma patrão, eu cuido disso. Deixe comigo…

***

A fazenda ficava aproximadamente a uns trinta quilômetros da cidade, e quinze do povoado Lagoa. O sol estava se pondo quando a camionete chegou. Assim que o coronel desceu do carro, alguns empregados vieram para recebê-lo.

– Hoje quero carne de porco, ouviu Glorinha? – Glorinha era uma senhora de 85 anos; a empregada mais antiga do coronel; baixinha, gorda e nariguda. Seu jeito atrapalhado e desengonçado fazia o Coronel ferver de raiva; mas, apesar de todos seus defeitos, tinha um coração puro e generoso; e não tinha aquele, que não gostasse da “pequena Glorinha”.

– Sim, Dr. Otávio. Respondeu Glorinha – com a voz e a cabeça baixas, como era de costume.

– Zé e Tiziu. Já mataram o porco que mandei?

– Já patrão. Não se “apreocupe”, pois tudo está nos conforme, como o senhor mandou.

– Pois bem, disse Otávio, enquanto levantava suas calças acima do umbigo. – Estou aqui de passagem. Vim apenas pegar uma novilha que deixei amarrada no curral. Vocês não foram mexer nela, foram?

– Não patrão, de maneira alguma.

– Sua palavra é como um tiro, responde Tiziu, enquanto sorria.

– Glorinha, estarei aqui por volta das dez da noite. Quando voltar, quero tudo pronto na mesa. Você me entendeu? Enquanto isso vocês dois vão à cidade; vão lá chamar o veterinário, Dr. Omar.

-…?

– O “médico de bicho”, Tiziu. Pode dizer a ele: “Coronel Otávio Assunção”, pode falar assim mesmo, está chamando vossa senhoria urgentemente na sua fazenda.

– SIM, SR. OTÁVIO! – respondem os dois empregados.

– Pois então! Vão logo, estão esperando o quê?! Vou cuspir no chão, e vocês já sabem: vão ter que voltar antes que o cuspe seque. E você Isaias, pare de me olhar com essa cara de lerdo. Vamos até o curral, antes que o bicho consiga se soltar…

***

O curral ficava a uns cem metros da casa; era possível sentir o forte cheiro de esterco misturado com a urina dos animais. O cheiro estava insuportável. As moscas tomavam conta do lugar; moscas grandes, varejeiraa. Até mesmo Otávio, que estava acostumado com aquele cheiro, sentiu náuseas.

– Cadê o safado?! Já irritado com o fedor, e, conseqüentemente, com os empregados.

– Estava aqui patrão! disse Isaias, espantado com o sumiço do ladrão, que ele mesmo havia amarrado. – Eu juro, ele estava aqui! Eu mesmo amarrei com essas mãos, dei nó dos bons, nem mesmo uma “novia” forte ia se soltar, patrão.

– Pois você vai atrás dele de novo. O safado deve ter fugido pra casa da irmã pedir ajuda; ou… humm, é, pode ser… Eu sei onde encontrá-lo… – Deve estar escondido na casa da avó, disse Otávio, enquanto enroscava seu dedo indicador no grande bigode. – Você sabe onde é a casa da finada Gertrudes, aquela que fica…?

– Na estrada dos umbuzeiros, disse Isaias, enquanto estalava todos os dedos.

– Pois então, você vai lá agora e vê se encontra aquele safado. É caminho pra cidade; sendo assim, você não perde tempo. Se não estiver nessa casa, que deve estar abandonada, vá direto procurar na cidade, no bar do Mengão. Mas, sem dúvida alguma, deve ter ido atrás da irmãzinha comunista dele. Safado! Se eu já estava com raiva, agora estou com ódio…

– Vou agora mesmo, patrão. De cavalo ou na camionete?

– Pode ir com a motocicleta; é mais fácil para entrar nos corredores. Eu fico por aqui esperando. Tenho muitas coisas para resolver.

– Certo patrão! Não vou demorar. Trago ele ainda hoje, nem que seja aos pedaços.

– A motocicleta, onde você guardou? – O sangue de Otávio estava fervilhando; era possível notar as salientes veias da sua testa; naquele instante elas pareciam ganhar vida própria.

– Deixei ontem mesmo aqui, patrão! O safado deve…

– Você acha que eu já não havia deduzido?! Esquece a motocicleta! Vai rápido com a camionete! Vaaaaiiiiiiii, cabra da peste!!! – Otávio em muitos anos não havia dito nem um palavrão, mas a raiva era tão forte que não resistiu; principalmente quando se lembrava do seu cavalo, presente do seu pai.

Isaias correu desesperado em direção à camionete. Deu a partida, e pisou fundo no acelerador: VRUUUUMMMM! fez o ronco do motor; um barulho conhecido e temido por todos nas redondezas. Os brilhantes faróis se ascenderam, lembrando dois grandes olhos flamejantes – Alguns juravam que a camionete tinha sido comprada no exterior, nos “Isteites””. “Foi necessário vir de navio”, era o que falavam do carrão do Coronel Otávio. Isaias deu um cavalo-de-pau, deixando apenas poeira para trás. “É hora de caçar!”, pensou ele, enquanto segurava com todas as forças o volante do carro.

***

Eram mais ou menos dez horas da noite, quando André abriu a porta, para averiguar o estranho ruído, que antes havia ouvido, e ler a misteriosa carta. Assim que ele deu inicio à leitura, uma lufada de vento invadiu a sala, jogando algumas folhas velhas para dentro da casa, além de um forte odor nauseante. Logo atrás do vento veio um homem horrível, magro e alto, orelhas grandes e cabeludas. Seus olhos vermelhos e famintos pareciam querer devorar André; sua expressão era de um louco enfurecido. Aquela figura imensa deu dois passos em direção a André, que, na tentativa de andar para trás, tropeçou nas próprias pernas, deixando cair a carta. André, inconscientemente, pensava apenas em um coisa naquele momento: “Isaias! Ele veio me matar”. O gigante estendeu a enorme mão na direção de André, e disse, com voz rouca:

– Márcia está ai?

André, que sempre mostrou coragem e bravura, ficou paralisado com aquele “monstro” aterrorizante.

– Ei, menino, eu te conheço. Você não é filho de…?

– Que diabo está acontecendo aqui?! Manoel?! É você?! – Desesperada Márcia correu em direção a André, que estava caído no chão, frio como gelo.

– André! Você está bem?! – aflito, Ítalo correu para ajudar o amigo.

– Fiz burrada, Márcia! Preciso da sua ajuda! PRECISO DE AJUDA!!!

– O que foi que você andou aprontando, Manoel? Por que desse fedor de merda de bicho?! Não me diga que… Andou ROUBANDO DE NOVO?!

Márcia correu em direção à porta para trancá-la, e avistou uma motocicleta derrubada no chão do alpendre.

– Aquela motocicleta, onde você pegou?

– Roubei do Coronel Otávio.

– É piada?! Você está maluco?! Aquele homem vai mandar te MATAR! Você está ouvindo bem? TE MATAAAR!!!

– E “ocê” acha que num sei, “muié”? Pior agora, que quebrei a pata do cavalo dele. “Tô” achando que o bicho vai morrer. Meu Deus! O que foi que eu fiz?! Justo aquele cavalo… Justo aquele!

-… Você… Você… Você fez o quê?! Ai meu Deus, ai minha Nossa Senhora! Foi o cavalo…?!

– Sim, bem esse mesmo. Isaias descobriu que fui eu quem roubou o bicho; me deu umas porradas; me amarrou, e depois me jogou no curral dos bois. Consegui me desamarrar, peguei a moto, e vim direto pra cá. Sei que todo dia, no mesminho dia da semana, você vem “práqui”.

– Calem a boca vocês, e venham me ajudar com André! Olha pra ele, está paralisado! Será que vai morrer?! – Ítalo jamais havia falado de maneira tão grosseira em toda sua vida, mas percebeu que aquele era um bom momento para deixar as formalidades de lado.

– Temos que levá-lo para o Dr. Feijó lá na Lagoa, disse Márcia. Ele vai saber o que fazer nessa situação. Vocês estavam indo para onde mesmo?

– Nós…?! Humm… Nós estamos indo para… Humm, casa da nossa avó – Ítalo engole a seco. Dessa vez se sentiu muito mal, percebendo que suas mentiras haviam chegado longe demais.

– Certo… Sei.

– Não posso levar essas crianças. Vim aqui apenas para pegar um dinheirinho emprestado. Nem pense nisso!

– Pois então, se você não levar essas crianças agora para o Dr. Feijó, não vou te dar um só centavo; e mais, vou dar parte na polícia, cabra safado! Por que não vai trabalhar?! Um homem desse tamanho, novo e sadio; bom para o trabalho na roça. Tanto traba… ÔÔÔÔHHHH MANOEL, você é uma pessoa tão boa! Como faz uma dessa comigo?!

– Já chega! Tenho tempo pra ouvir sermão de irmã mais velha não. Eu levo os guris; mas tem que ser agora. Preciso de dinheiro pra dar o fora daqui. Vamos.

Enquanto Márcia trancava as portas da casa, Manoel tentava ligar a motocicleta que teimava em não pegar. Enquanto isso, Ítalo, mesmo menor que André, carregava, nos ombros, o amigo até a moto.

– Vamos lá André, acorda amigo! Por favor, não me deixa nessa; não agora…

– Será que cabemos os quatro nessa moto? – Perguntou Márcia.

– Vai ter que caber, do contrário, você fica. Você é muito grande, a moto não vai agüentar mais um adulto.

-Você tem razão. Eu vou a pé. Mas vou te avisando: é para levar os meninos direto para o Dr. Feijó.

Manoel, Ítalo, e André subiram na moto. Nesse momento ouviu-se, não muito distante dali, um barulho: VRUUUUMMMM. – “É a camionete do Coronel Otávio, pensa Manoel!”. Foi quando André abriu os olhos, e nesse instante olhou para faróis – Seu olhar ainda turvo, devido ao choque que acabara de tomar, fez aumentar ainda mais a sensação de medo. Manoel puxou fundo o acelerador, chegando a empinar a moto.

– É ISAIAS!!! Disse Manoel. – Temos que correr. Segura aí do jeito que puder.

***

A camionete estava maior do que de costume: seus faróis brilhavam ainda mais forte; seu tamanho? ocupava toda a estrada; e o barulho do motor? esse sim, fazia o homem mais valente do mundo tremer. Esse monstro tinha vida própria; passou por cima de um tronco imenso que estava caído no caminho, fazendo parecer um simples galho de goiabeira. Ao aproximar-se do fundo da motocicleta, um calor enorme exalava de dentro da “fera”. VRUUUUMMMM!, era o som do motor.

– O QUEBRA COCO?! – Gritou André.

– André?! Você não morreu! – Disse Ítalo, abraçando André com toda sua força.

– O que está acontecendo?! Por que aquele monstro está correndo atrás de nós?!

– Roubei o cavalo do Coronel Otávio e agora, sua moto…

– Você é maluco?! Por que você não vai traba….

– Cala boca! Não começa! Não é hora de sermão. Parem de conversar os dois. “Voceis” estão balançando a moto, dessa maneira podemos cair.

– Quem é esse cara, Ítalo? – Perguntou André.

– É uma longa história. Quando chegarmos a Lagoa eu explico – Ítalo estava muito contente por ver que seu amigo recobrara a consciência.

Manoel, apesar de alguns machucados que dificultavam suas manobras, demonstrava ser um exímio motociclista. Em alguns momentos a camionete chegava quase a encostar-se ao pneu traseiro da moto. Quando isso acontecia, Manoel pendia a moto para a direita, e logo em seguida para esquerda; seus movimentos precisavam ser rápidos e precisos; qualquer descuido era fatal. Mas ele sabia que as coisas não ficariam tão “fáceis” por muito tempo: nuvens carregadas aproximavam-se lentamente. O tempo estava preparando um temporal daqueles. Em instantes a luz da lua se apagaria, e a chuva que se aproximava iria piorar, ainda mais, a estrada de pedra. “Será que pode piorar”, pensou Manoel.

– Cuidado com a pe-pe-pe-peeeeeedra! – Gritaram Ítalo e André, quase não saindo a voz. Seus corações estavam a mil.

– Lembre-se do precipício logo à frente, disse André.

O caminho era estreito e pedregoso (triste daquele que caísse em um chão assim), dificultando a travessia, tanto da moto quanto da camionete. Mas os corredores eram mais difíceis de serem contornados pelo carro, porque seu tamanho ocupava praticamente todo o corredor. Manoel levava vantagem. Em muitos momentos chegou a perder contato com a camionete; mas, em poucos instantes, estava ela ali, pronta para passar por cima deles.

– Cuidado com o precipício, Manoel! – Gritou Ítalo.

Num momento que André olhou para trás, na vã esperança de terem conseguido despistar o “monstro”, viu-se preso aos olhos do motorista: nesse instante seu coração parou. Aquela visão ficou marcada em sua mente; nunca mais poderia esquecê-la: “É agora que ele me pega”, pensou André. Foi quando Manoel adentrou bruscamente num corredor, fazendo André perder de vista seu algoz e seus olhos flamejantes.

– Você pode ir mais rápido?!!! Gritava André, para Manoel.

– Está no máximo. Essa geringonça não vai passar disso.

De ladrão a grande mestre na arte de guiar motos. Manoel respirava fundo e esperava o momento certo para realizar manobras mais arriscadas. Parecia não piscar, tamanha concentração. O trecho era difícil de ser vencido. Seus obstáculos naturais exigiam muito da habilidade de Manoel. Era necessário desviar de arbustos, ao mesmo tempo de pedras e troncos, além dos mosquitos que teimavam em entrar na sua boca.

Uma luz brilhou para Manoel; ele avistou, logo à frente, um caminho quase imperceptível e aparentemente intransponível. “Vou entrar”, pensou Manoel. E assim ele fez.

***

– Olha, ele passou direto!- Gritaram os dois garotos, quase caindo da moto.

Manoel seguia no pequeno corredor, enquanto olhava na direção da camionete. Foi então que o carro parou, e começou a dar para trás. “Ele não vai conseguir colocar o carro nesse caminho, é impossível” – pensava Manoel.

No momento em que voltava seu olhar para a estrada – quando perdera de vista a camionete –, Manoel deixou escapar o guidão da motocicleta, e os três caíram estatelados numa possa de lama.

– Que azar dos infernos!- Berra Manoel.

– Você está bem, Ítalo? – Pergunta nervoso, André.

– Sim, estou. Não se preocupe. Estou pronto para outra… Hehehehe… Ai meu braço!- Ítalo estava com um grande arranhão no braço esquerdo, que já começava a sangrar.

André não agüentou ver seu amigo machucado, se desesperou:

– Meu Deus, o que foi que eu fiz?! É tudo culpa minha, tudo por causa disso! – gritava André, enquanto colocava a mão no bolso à procura da famigerada carta. – Mas cadê?! Onde está a carta?! Eu perdi… Eu perdi!

Nesse instante Ítalo coloca a mão no bolso, e estende a carta para André:

– Calma amigo. Você não perdeu, apenas deixou cair no chão; eu então peguei de volta, não precisa se preocupar.

– O que faremos Ítalo?! O que faremos?!

Nunca isso havia acontecido com André: pedir conselho ao “covarde” do Ítalo? Jamais. Mas foi o que aconteceu. André estava desesperado. Viu que havia ido longe demais com aquela sua idéia estúpida de pegar o livro; por causa dele o amigo se machucou e, além disso, tinha um monstro “quebra coco” pronto para rachar a cabeça dele e do seu companheiro fiel e inseparável.

– Temos que desistir, disse André.

– Você está maluco?! Depois de tudo o que nós passamos? Você quer que matem seu pai? E que sua mãe fique louca, e depois se mate? E tem mais, agora sou seu cúmplice… É mesmo, sou seu cúmplice… Vão querer matar meu pai e minha mãe também… Ela vai ficar louca, depois se matar também! André… Temos que desistir!

– Acorda Ítalo! Já fomos longe demais, precisamos continuar – gritava André, enquanto chacoalhava o amigo. – Confie em mim.

– A moto não pega; vamos ter que ir a pé – Falou Manoel, enquanto olhava para o final do corredor, procurando seu futuro algoz, Isaias, o quebra coco.

De repente uma luz, que parecia ser de uma lanterna, surge não muito distante dali. Manoel olha para os dois garotos, e fala:

– “Voceis” não podem vir mais comigo, é muito perigoso. Temos que nos separar. Daqui uns quinhentos metros tem uma estrada; sigam essa reta pelos matos, e lembrem-se: não olhem para trás. Eu vou tentar chamar a atenção do Isaias. Boa sorte crianças.

Manoel sai correndo na direção oposta dos meninos.

E agora André?! O que faremos?! Estamos sozinhos – Pergunta Ítalo, agora tremendo como era de costume.

– Você está tremendo, Ítalo?

– É o frio. Veja como meus dentes batem uns nos outros…

– Ah, sei. Vamos seguir o que Man… Manoel, Manoel, não é? Vamos ouvir o conselho dele – Que Deus te abençoe, Manoel, pensou André.

André e Ítalo começaram correr em linha reta – sem olhar para trás, como Manoel havia aconselhado. Para o azar deles, estava escuro. O único momento de visibilidade era quando a lua aparecia por completo: Naquele momento, ela não queria aparecer, principalmente quando nuvens gigantes se aproximavam dela, cobrindo-a por completo– “estou com medo”, pensava Ítalo. Além do escuro angustiante, era possível ouvir ruídos, vindos de todas as direções; sons estranhos, provenientes das copas das árvores.

Ítalo pára bruscamente, e diz:

– André! Lembra do caminho dos umbuzeiros?

– Sim, lembro. Estamos longe deles. E eu pensando que fossem ATERRORIZANTES. Que nada… Puff… Aquilo não assusta nem minha avó!

– É?! Mas nós vimos apenas um umbuzeiro no caminho. Segundo meu pai, são vários umbuzeiros.

Enquanto falavam um vento forte balançou a copa das árvores, e um respingo, grudento e gelatinoso caiu sobre o ombro de Ítalo.

– AFF! Que nojo!

– Que foi?

– André… Olha isso…

Os dois olham para cima, e vêem, pendurados na copa das árvores, um enorme bando de morcegos.

Não se mexa, Ítalo… – sussurra André.

Não se preocupe André, faz tempo que não me mexo.

Nesse momento, os primeiros pingos de chuva começaram a cair…

* * *

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4 Respostas para “O Curioso e o Coco Verde – Capítulo V

  1. E agora? O que acontecerá ao pobre André? Como ele foi colocar o seu amigo Ítalo em uma enrascada dessas? Como terminará essa eletrizante história? A cada capítulo, novas emoções, e mais expectativa. A vontade que dá é não terminar agora, só pra não ver essa tão vibrante aventura ter um fim tão precoce…
    Parabéns pela eletrizante continuação, Reinaldo.

    Agora a bola está com você, Eduardo.

  2. Ação eletrizante do começo ao fim. O texto de R. Filho prova mais uma vez as diferentes opniões de cada autor sobre o que a história precisa, ou sobre o que cada um gosta de falar.
    Ótima continuação, e a história agora se encaminha à reta final… que caminhos obscuros André e Ítalo irão percorrer? Do que eles terão que abrir mão para completar o objetivo sem seqüelas maiores?

    Essas respostas, e mais algumas, serão respondidas no próx. capítulo de “O curioso e o coco verde”, aqui nessa mesma hora e nesse mesmo canal. Próx. sábado, não percam o VI capítulo do conto digno de reis.

  3. Caramba! O conto está ficando cada vez mais surpreendente, nunca imaginaria algo parecido…

    E apesar de alguns problemas serem resolvidos, outros são propostos. Como: o que acontecerá com Manoel, e só restam dois capítulos para resolver os problemas e fazer André e Ítalo recuperem o livro, se é que eles conseguirão. Afinal, nosso conto já mostrou que tudo pode acontecer, inclusive o inimaginável.

    Parabéns Rei, foi mais um ótimo capítulo para o nosso conto 😀

  4. Caramba! O conto está ficando cada vez mais surpreendente, nunca imaginaria algo parecido…

    E apesar de alguns problemas serem resolvidos, outros são propostos. Como: o que acontecerá com Manoel, e só restam dois capítulos para resolver os problemas e fazer André e Ítalo recuperem o livro, se é que eles conseguirão. Afinal, nosso conto já mostrou que tudo pode acontecer, inclusive o inimaginável.

    Parabéns Rei, foi mais um ótimo capítulo para o nosso conto

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