O Curioso e o Coco Verde – Capítulo VI

Por José Eduardo Ribeiro Nascimento

Capítulo VI

A professora Márcia ficou de pé parada ainda por alguns instantes, até que olhou pra trás e viu um clarão. A visão daquele monstro congelou sua espinha; saber que o homem mais perigoso de toda região estava ali dentro fê-la sentir muito medo de perder o irmão.

Vendo a Senhorita parada na estrada, Isaías parou o carro ao seu lado e falou num tom rouco:

– Boa noite Márcia, cadê seu irmãozinho? O coronel tem uns assuntos a tratar com ele… e não é bom desapontar o homem.

– Eu não sei do meu irmão… e é melhor você… “vo-você” deixá-lo em paz…

– Olhe aqui, é melhor que ninguém fique no meu caminho. Você acha que eu não o vi saindo daqui com a moto roubada do coronel? Só to dando uma distância de vantagem, Há! Há! E aproveitando pra tirar uma prosa com você… depois que acabar com seu irmão eu volto pra gente ter uma conversinha…

VRUMMMMM!

*************************************************

A chuva caía devagar, mas em pingos grossos. Ítalo começou a soluçar.

– Tenha calma Ítalo, são apenas morcegos – disse André quase chorando, mas tentando acalmar o amigo – vamos fazer o seguinte, está vendo aquela abertura na nossa frente, naqueles galhos tortos? Ande pra lá bem devagar… cuidado pra não pisar em nada, eu vou atrás de você.

– Vou tentar André… não consigo! Eles estão olhando pra nós… esses olhos brilhantes e vermelhos… eu não consigo…

– Vamos lá! Me dê a sua mão, eu te levo. Mas tenha cuidado.

Deram alguns passos e já estavam saindo da sombra da árvore dos morcegos, mas foi aí que Ítalo viu…

André sentiu um puxão na mão, e logo depois ouviu Ítalo choramingar: – É gigante André e quer me pegar, ele não para de olhar pra mim…

Foi aí que André o viu: nunca tinha visto um morcego tão grande. Seu olhar de menino assustado calculou o tamanho do morcego em pelo menos uns 70 cm de comprimento, e imaginava, ao menos, uma envergadura de mais de um metro e meio. Quando olhou praquele monstro e viu que Ítalo não tirava o olho do morcego, tentou pensar rápido e tomou uma decisão.

– Ele está dormindo Ítalo, venha, me dê a mão, vamos embora.

Assim que tocou a mão de Ítalo no escuro, este deu um pulo, gritou e começou a correr em uma direção aleatória. André fez uma careta, e nesse momento olhou pra trás e só ouviu o movimento no ar, tudo ficou escuro, e ele foi rodeado por vendavais de morcegos. Nesse instante a chuva engrossou.

André sentiu o coração explodir, todos os pêlos do seu corpo pareceram gritar querendo fugir, suas pernas ficaram fracas e dormentes, e, apesar de tudo pedir uma corrida louca, ele não teve forças. Caiu de joelhos, centenas de morcegos rodopiavam sobre as suas costas, alguns usavam suas garras e faziam cortes por todo o corpo de André, braços, pernas, pescoço. Todo lugar descoberto era um ponto fraco. Já sem suportar a dor, André tomou uma última decisão: antes mesmo de levantar do chão começou a correr. Correu como se sua vida dependesse disso.

A trilha recém inventada por Ítalo não ajudava: a chuva, a lama, ele escorregava, caía nas folhas secas, esbarrava em espinhos. Chorava sem parar. E foi nesse momento que ele ouviu novamente…

VRUMMM!!

*************************************************

Só naquele momento ele lembrou de tudo, o porquê daquele sofrimento. Mas uma luz iluminou sua fronte: Viu Ítalo, caído no chão escondido embaixo de um arbusto, a cabeça entre os joelhos, todo sujo de lama… André não se segurou e começou a rir e chorar. Não sabia do que ria, tudo estava saindo tão errado, tão fora do plano… mas eles ainda estavam juntos. Ítalo tomou um susto quando viu André, mas assim que caiu na realidade, foi como se seu coração tivesse soltado um peso. Olhou para cima, a chuva caia, mas agora eles podiam ver o céu. Estavam num lugar com vegetação baixa, e inclusive já podiam ver a estrada a uns 50 metros.

André, ainda rindo, puxou Ítalo para que se levantasse. Este continuou sisudo, como que tentando demonstrar que não estava se divertindo.

– Vamos Ítalo, as coisas já foram piores. Olhe, lá está a estrada, devemos estar perto.

Ítalo soltou um sorriso que ia de orelha a orelha…

– Puxa! Você se animou rápido desta vez… é só uma estrada…

– Não. É a professora Márcia. Ela está lá na estrada. Olhe!

Nesse momento André viu a professora conversando com Manuel na estrada, que estava apressado, e logo depois correu para um lado. Ela continuou seu caminho a passos largos na direção oposta, indo para o povoado.

-Vamos logo André, é a nossa chance de tentar remediar a situação – disse Ítalo, ainda enxugando as lágrimas.

-É, vamos.

Eles começaram a correr no meio dos arbustos. Conforme iam se aproximando da prof. Márcia, percebiam nela um semblante de preocupação e tristeza, deixando-a com uma horrível aparência.

Já chegando perto da cerca que separava a estrada do mato, eles viram a professora se distanciando cada vez mais. Então Ítalo, desprovido de bom senso, resolveu chamar sua atenção, num grito que mais parecia um berro:

– PROFESSORA MÁRCIA!!!

Márcia, que estava mergulhada em seus pensamentos, sem perceber nada que acontecia a sua volta, deu um salto e parou, soltando o guarda chuva. “– O Algoz do meu irmão me encontrou… o que ele vai fazer comigo? Ai meu Deus, minha Nossa Senhora… por que Manoel não toma prumo, cabra safado!”

O local estava escuro. O berro soltado por Ítalo, mesmo sendo de uma criança, elevou os nervos da Professora, já em frangalhos, a um nível crítico. Ela ficou paralisada, não conseguiu criar coragem para olhar para trás, nem seu coração ela sentia bater, ele estava duro e gelado, as pernas fracas, os braços tesos, os ombros encolhidos. A única coisa que vinha na cabeça de Márcia era “Por quê? Por quê?”

André, percebendo o que Ítalo tinha feito exclamou:

– Você é maluco? Ela já está assustada e você dá um berro desses? Pareceu o Tarzan chamando os macacos…

– Desculpe, mas é que ela já estava longe, e eu estou com medo… – disse Ítalo, percebendo que tinha feito besteira.

– Peça desculpa a Professora, ela está tesa de medo.

Passaram pela cerca e André começou a falar em tom baixo, enquanto se aproximava: “Professora somos nós, desculpe o susto… a senhora está me ouvindo?”

Vendo que Márcia não dava sinal de vida, apesar de estar de pé, André começou a ficar preocupado e olhou pra Ítalo, que já estava a ponto de chorar de tanta culpa.

Nesse momento a chuva começou a cessar, “- Ítalo, vá pegar o guarda chuva!”, disse André sussurrando. Eles chegaram ao lado da professora e apareceram em sua frente, já com o guarda chuva na mão, dizendo: “-Professora, desculpa…”

Ela baixou a cabeça devagar e olhou para os meninos. “-Ai meu Deus, por que Manoel não toma jeito? Se meu Pai estivesse vivo ele morreria de desgosto…”

André e Ítalo suspiraram de alívio, afinal a culpa da situação de Márcia não era deles. Nesse instante Márcia acordou de seu torpor e conseguiu reparar nos meninos: Estavam todos arranhados, a lama se misturava com sangue nos braços. “- Ai meu Deus… onde Manoel enfiou vocês?” Falou Márcia se reenchendo de novas preocupações. “-Vou ter que levá-los para casa, vocês vão tomar banho e vestir umas roupas do meu sobrinho. Devem ter algumas velhas lá em casa… Ai meu Deus! Quando seus pais descobrirem isso o que será de mim…?”

– Er… bem … eu… a gente num conta pra ninguém não… se meu pai e minha mãe descobrem que a gente estava nas estradas tão tarde da noite, eles vão tirar o meu couro…

– Isso não. Vamos ter que falar com eles. Mas a gente fala disso depois, vamos, antes que alguém nos veja.

O povoado Lagoa ficava a uns 100 metros de onde se encontraram. Estava vazio, já era pra lá de onze horas, a maioria das pessoas já devia estar dormindo. Apenas em um lugar no povoado podia se encontrar sinal de vida: Na Lanchonete Coco & Cia. Eles passaram por longe, mas Ítalo conseguiu ver algo curioso:

-Olha lá André, não é Rafael no bar?

– Fala baixo, se a professora ouvir, manda eu ir ficar com o meu irmão… É mesmo – Cochichou André perto de Ítalo – Por isso que ele não encrencou comigo: além de estar em um bar, tão longe de casa, está bebendo e conversando com Adriano.

– Quem é Adriano? – pergunta Ítalo meio fora de contexto.

– Fale baixo! Adriano era nosso vizinho, ele foi pra capital estudar na universidade, e virou comunista. Nosso Pai proibiu Rafael de andar com ele, pro povo não pensar que somos comunistas.

-Humm…

– O que vocês estão cochichando aí? – perguntou a professora, como se tivesse acabado de acordar de um sono profundo.

– Nada não… é que… eu queria já ser mais velho pra poder dirigir… – responde André, pensando em como sua desculpa saiu idiota…

– Chegamos em casa. Vocês vão tomar banho, lá no fundo tem um banheiro. – Disse a professora com ar de alívio.

A casa da professora era grande, mas mal dividida, como o eram todas as casas do interior naquela época. A porta dava numa sala com duas janelas e uma porta para um quarto. No lado direito havia um corredor com dois quartos, que dava pra outra sala, com televisão e mais duas janelas. Por fim, no fundo da sala havia uma porta para a cozinha, que era de um tamanho razoável, e nessa havia outra que dava pro quintal. Lá havia um banheiro, com uma grande bacia no meio, e um chuveiro.

Começaram a tomar banho, um no chuveiro e outro na bacia. A água era fria, e os cortes ardiam, mas eles nem percebiam isso. André estava maquinando o que fariam agora, e Ítalo tentava inventar uma desculpa para sua mãe para estar tão arranhado.

– Nem posso dizer que estava jogando bola… – disse Ítalo dentro da bacia – ela nunca iria acreditar.

-Está preocupado com isso? – resmungou André – Nós nem sabemos se vamos estar vivos quando o dia raiar…

– Olhe, meninos, eu coloquei umas roupas limpas aqui no varal, vou sair pra cuidar de um assunto com meu irmão, volto daqui a uma hora pra preparar algo pra comermos. Podem ligar a TV, disse a professora com uma voz triste.

O semblante de André se iluminou: “-Ela é a responsável pela biblioteca, né?”

– É, por quê? – Perguntou Ítalo novamente sem entender.

– Fale baixo! Se ela é encarregada da Biblioteca ela deve ter a chave aqui em algum lugar, isso se os livros não estiverem aqui…

Esse último raciocínio renovou as forças dos dois, que terminaram o banho rapidamente, e, depois de constatar que Márcia realmente tinha saído, começaram a procurar alguma chave que se parecesse com a de uma biblioteca.

André foi ao quarto da professora e começou a procurar. Em uma cadeira perto da cama encontrou alguns livros. Quando foi ver quais eram tomou um susto e acabou derrubando o livro no chão. Ítalo ouviu o livro cair e veio correndo saber o que ocorrera. André olhou para ele e mostrou o livro. Ítalo começou a ler:

– Que foi André… que é isso? “Ma-ni-fes-to do Par-ti-do Co-um-nis….” Ahh! Você encontrou, foi mais fácil do que eu imaginava!

-Esse não é o livro do coronel…  o do coronel fazia parte de uma coleção. A capa era vinho e estava cheio de anotações. Esse livro tem figuras na capa verde e já está meio velho, olhe as folhas amareladas.

– Então a professora também é comunista… e agora André? Ela deve conhecer o coronel, devem ser amigos do mesmo partido, ela deve ter descoberto tudo, e foi chamá-lo. Eu não quero morrer… vamos embora An…

– Não viaja Ítalo! Você acha que se ela fosse amiga do coronel ele estaria caçando seu irmão? Vamos esquecer isso… achou a chave?

– Achei essa no mesmo chaveiro da porta da casa. Ela tem um papelzinho colado com o nome biblioteca.

– Ótimo. Agora só resta um problema: como entrar na escola… nós nunca conseguiremos arrombar uma fechadura.

– E agora André? Quando acontece uma coisa boa vem uma três vezes pior. O que faremos agora?

– Bem… só resta pedir ajuda pra uma pessoa, e eu realmente estava torcendo pra não ter que recorrer a ele.

– Quem? – Pergunta Ítalo sem o mínimo de raciocínio lógico.

– Rafael…. Ele sabe abrir fechaduras, já abriu muitas vezes a sala dos professores. Vou ter que chantageá-lo com a bebida e Adriano. Mas não posso dar o verdadeiro motivo de eu estar fazendo isso… tenho que inventar uma história… Vamos.

Ítalo ficou sisudo de novo. Fecharam a porta e começaram andar silenciosamente em direção ao bar. Olhavam para todos os lados imaginando ver a qualquer instante Isaías, gritando: “Já sei de tudo!”

*************************************************

Rafael viu de longe seu irmão chegando. E sua cara de felicidade se desmanchou na hora. De um salto ficou de pé e correu na direção dos meninos.

– O que você ta fazendo aqui? – Disse Rafael abrindo um sorrisinho e tentando mostrar tranqüilidade.

– Está bebendo Rafa? Se Papai descobrir… E quem é aquele lá sentado? É Adriano? Ish, parece que temos um problema maior que o meu aqui… muito maior.

– Que é que você quer André? Você sabe que o Adriano é gente boa, e eles estão bebendo, eu não. Só estou acompanhando. – Disse Rafael já com a voz trêmula.

– É, mas como papai diz sempre: “Quem com porcos anda….”

– O que você quer pra ficar de boca fechada? Quer que eu bote pneus novos na bicicleta? Quer que eu compre um livro? O quê?

– Nada de mais… Só quero que você… bem… arrombe a porta da escola Tancredo Neves, e depois feche de novo. Só pra eu pegar uma coisinha minha que ta lá dentro…

– Ora, ora… parece que agora a conversa mudou de plano. Quem está mais encrencado agora? Pedindo pra eu arrombar uma escola? Você sabia que isso é crime? Dá cadeia, sabia?

– Não tanto quanto ser comunista… Eu só quero entrar lá pra… mudar uma nota de uma garota que eu to afim…

– Há! Há! Há! Há! E quem é essa maluca? Deve ser prima do Frankenstein. Há! Há!

– Nem. Ela é linda. Tem os cabelos castanhos, branca, mas não pálida, usa uma fita rosa no cabelo sempre solto e gosta de ler.

Ítalo arregalou os olhos: “- Ele está descrevendo a aluna da professora Márcia, de onde ele tirou essa idéia?”

– Você acha mesmo que eu vou acreditar nessa lorota toda? Mas não me importa o que você quer lá dentro… Levando em conta que o seu delito é mais grave que o meu, você ainda vai ficar me devendo um favor: qualquer coisa que eu quiser você vai ter que me dar!

– Rafael você é meu irmão, pelo menos uma vez na vida faça algo por mim. – suplicou André com as sobrancelhas caídas.

– Há! Há! Sai dessa André, você sabe que esse papo de irmão bonzinho não cola comigo. Farei o que você quer… mas quando eu precisar você irá me ajudar.

– Ta certo, não tenho escolha mesmo.

-Vou falar com os caras, me espere na esquina da escola, daqui a dez minutos eu chego.

Rafael virou as costas e voltou pro bar. André parecia satisfeito, receava que o irmão exigisse mais coisas, Ítalo perguntou qual era o plano.

-Nunca entrei nessa escola, mas devem ser todas iguais. Pulamos o muro, Rafael abre o portão e fica esperando do lado de fora, nós entramos e procuramos a biblioteca. Deve ficar perto da diretoria como na nossa escola. Assim que encontrarmos o livro, nós o pegamos e voltamos para a casa da professora. Ela não pode dar por nossa falta.

– Parece mais complicado que o primeiro. Acho que estamos esquecendo alguma coisa – comenta Ítalo com ar de mistério.

– Acho que não.

Assim que chegaram à esquina da escola começaram a reparar onde seria melhor de pular. O muro era alto, duma cor amarela envelhecida. Do lado esquerdo havia um poste de luz que ficava próximo do muro. “- É ali.” – pensaram os dois.

Não demorou muito e Rafael chegou. Ele andava com um ar sorridente, como se tivesse ganhado na loteria. Isso deixava André desconfortável. Pensar no que Rafael pediria para ele fazer era doloroso.

– Vamos pular ali Rafa, depois você abre o portão e espera do lado de fora. – Disse André.

– Hum. Tá certo. Tem certeza de que não quer me dizer o que você vai ver lá dentro?

– Já lhe disse. A menina me pediu para mudar a nota de matemática. E eu vou fazer isso.

– Ainda com essa história? Vamos lá, então.

Rafael pulou o muro como se estivesse passeando. A sua facilidade não pareceu surpreender André. Ítalo teve problemas nessa parte do plano, e resolveu esperar do lado de fora.

– Eu fico aqui. Se alguém aparecer, me escondo naquela moita – falou Ítalo apontando para um arbusto do outro lado da estrada.

– Tem certeza Ítalo? Pode ser perigoso ficar sozinho aí – perguntou André de cima do muro.

– Vamos André, não temos tempo pra frescura, meus amigos estão me esperando – retrucou Rafael impaciente com a cena.

– Eu não demoro Ítalo. Cinco minutos e estou de volta.

A escola tinha um pequeno pátio entre o muro e o prédio. O portão era grande e preto, feito em barras redondas de ferro. No meio tinha um ferrolho guardado por um grande cadeado amarelo. Rafael não perdeu tempo: meteu a mão no bolso e tirou três arames com espessuras diferentes.

– Sua sorte é que o Tony sempre anda preparado – falou Rafael, abrindo um sorriso.

– Realmente você tem que se orgulhar desses amigos… – falou André, num tom irônico. Rafael pareceu não gostar da piadinha do irmão, mas ficou calado.

Quinze segundos foram suficientes para Rafael e os arames: O portão estava aberto. Como um relâmpago, André correu pelos corredores procurando a biblioteca. Não demorou muito e encontrou-a ao lado da cozinha. Colocou a chave e rodou: “-Abriu!!” – gritou ele consigo mesmo.

Era uma sala pequena, mais ou menos quatro por cinco metros. Três estantes tomavam todo o comprimento de três paredes. Na outra havia uma mesinha, igual a uma carteira escolar nova, com um caderno preto em cima. “Registros” – estava escrito na capa. No centro da sala, e tomando quase todo o espaço, uma grande mesa vinho. “- É menor que a da minha escola” – pensou André. Deu uma olhada minuciosa pelos cantos, olhou as prateleiras. Nada!! Quando já estava entrando em desespero viu a caixa em cima das estantes.

– Viva!! – exclamou. Mas como iria pegá-las?

Saiu no corredor, e viu que na frente de um tanque, do outro lado da escola, havia uma escada. Correu. Pegou a escada e voou pra biblioteca. Colocou a escada e tentou puxar a caixa. “- Como é pesada!”- pensou ele. Parou e tentou pensar noutra solução. Subiu o máximo e se segurou na estante. Tentou abrir a caixa. Estava aberta. Começou a tirar os livros procurando o seu. Bem no fim puxou e olhou a capa: “É esse!!”. Enfiou dentro das calças – Rafael não podia ver o livro – levou a escada de volta, e trancou a porta.

Chegando ao portão, Rafael, que estava sentado no degrau, reclamou: “- Que demora! De quantas meninas você ta afim? – Há! Há!

– Vamos embora Rafa. Já fiz o que tinha que fazer.

Rafael fechou os portões e correu pro muro. Colocou os olhos por cima do muro pra observar se tinha alguém por perto, e logo depois pulou. André andou devagar, distraído. Subiu o muro e viu que Ítalo estava agachado atrás da moita. Estava qualquer coisa, menos escondido. André começou a rir e desceu.

– Venha Ítalo, Rafael já foi. Cadê a carta? – Gritou entusiasmado André, correndo na direção da moita.

– Tenho uma péssima notícia: Estamos perdidos… – choramingou Ítalo.

Ítalo levantou um papel, e aí André pôde ver, e lágrimas brotaram dos seus olhos.

– A carta está inteira, nem um milímetro de sujeira, mas o envelope não serve mais, está todo sujo de lama. O que faremos André? O que faremos?

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3 Respostas para “O Curioso e o Coco Verde – Capítulo VI

  1. Belíssima continuação. Agora, como costuma dizer um colega meu: está tudo certo e nada resolvido. A trama visivelmente se encontra em sua reta final e Renata vai ter que fazer mágica para que toda a situação criada pelo curioso do André se resolva. Só resta ver se seus pais vão lhe dar uma bela sova.

    Aguardo ansioso pelo próximo capítulo.

  2. Parabéns Eduardo, pela ótima continuação. Nosso Conto apresentou, a cada capítulo, uma qualidade jamais esperada ( não esperava textos tão bons e fascinantes). Espero um final brilhante, porque temos uma ótima “escritora”, que é nossa amiga catalisadora, Renata Deda. Boa sorte. Agora a Bola está com você.

    Já estou ansioso pelo próximo Conto multiautoral.

  3. Caramba! Que batata quente pra Renata hem? xD

    E como o próprio André disse: “quando acontece uma coisa boa vem uma três vezes pior” 😀
    E agora o “grand finale” fica por conta da genial colega catalisadora Renata xD
    Para uma histõria ocmo essa cheia de altos e baixos, é esperado u mfinal ainda mais supreendente!

    Parabéns pela belíssima continuação Edu 😉

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