As crianças também podem ser tristes…

Por José Leonardo Ribeiro Nascimento

Escrever sobre filmes, para mim, não é muito difícil, pois tenho várias películas guardadas em lugares especiais na minha memória. Filmes que me provocaram reflexões, que me fizeram rir, chorar, ter raiva, enfim, filmes que me emocionaram. O problema, neste caso, é escrever sobre UM filme. Quem me conhece um pouquinho melhor – leia-se: quem já foi a uma locadora comigo – sabe como sou indeciso quando o assunto é cinema. Quando entro em uma locadora, mesmo que já tenha um filme na cabeça, tenho que passar por todas as prateleiras, ver filme por filme, para ter a certeza de que vou assistir ao filme certo (como se existisse o filme certo). Ao pensar, então, sobre qual filme eu iria escrever para o blog, imediatamente veio a vontade de escrever sobre algum clássico marcante: pensei em “A Malvada”, o roteiro mais bem escrito que já vi; “Quem tem medo de Virgínia Woolf”, também um roteiro belíssimo, um filme fantástico sobre relacionamentos entre casais; “Crepúsculo dos Deuses”, um grande filme sobre o próprio cinema, dentre tantos outros. Sentia que, ao escolher um, estaria sendo injusto com o outro, como se o texto que eu fosse escrever significasse qualquer contribuição relevante para a história da sétima arte ou acrescentasse algo à dignidade desses maravilhosos filmes…

Depois comecei a pensar em dois filmes em especial, ambos com protagonistas infantis. Em seguida veio um terceiro, e ainda a vontade de assistir a outros dois filmes que estavam na minha lista. Mais uma vez, esses últimos três filmes têm como característica o papel central de crianças na história. Mas não é essa a única semelhança entre as cinco obras: todas trazem uma carga dramática forte, um efeito peculiar que, para mim, é o mais impressionante que o cinema pode gerar.

Como falei no início, filmes provocam emoções, e é isso o que mais admiro na telona. Quanto mais um filme pode emocionar, mais eu o considero autêntico cinema. Claro que quando falo de emoção, não estou me referindo necessariamente a lágrimas, mas ao riso, à raiva, ao medo, à tristeza e a um sentimento especialmente forte e desagradável, que chamo de nó na garganta, e que é aquela emoção impressionante à qual me referi. É aquela sensação ruim de desconforto, um misto de tristeza e de revolta, um mal-estar com uma determinada situação. Só não confundam com o mal-estar causado por filmes como Jogos Mortais, O Albergue e outras drogas.

Como vocês já devem ter percebido, citei cinco filmes com crianças e vou falar um pouquinho sobre eles, pois acho que cada um, dentro das suas características, são fundamentais e merecem ser vistos.

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O primeiro filme é um clássico: Cinema Paradiso, de 1988, do diretor italiano Giuseppe Tornatore. O filme é uma homenagem ao cinema e uma bela e tocante reflexão sobre as coisas que deixamos pelo caminho da vida, em especial as pessoas, os afetos. A película começa, na verdade, como uma pequena comédia, com uma das crianças mais carismáticas que já vi no cinema, o pequeno Totó, que desde cedo era completamente apaixonado pelo cinema e vivia na cabine de projeção conversando e brigando com Alfredo, o projecionista. A primeira parte, que contempla como Totó substituiu Alfredo no trabalho no Nuovo Cinema Paradiso, mostra o cotidiano daquele povo que se congregava no cinema, sendo tudo abordado com extremo bom humor, desde as censuras do padre (que não permitia que fossem exibidos nem beijos nos filmes) até as travessuras das crianças, as peculiaridades de cada morador e, claro, o divertido relacionamento entre Totó e Alfredo. A segunda parte, entretanto, vai ficando mais amarga, e vai nos mostrando como vamos deixando as coisas que nos são preciosas e como é difícil lidar com o remorso e o arrependimento, sentimentos terríveis e contra os quais eu, particularmente, luto cada dia da minha vida. Uma das coisas que mais me incomoda é exatamente imaginar que eu magoei alguém e que determinada situação chegou a um ponto em que não poderá ser consertada; por isso, graças a Deus, procuro viver em paz com todos. O final de Cinema Paradiso é um dos mais lindos e emocionantes, dispensando palavras, usando somente o que o cinema tem de melhor: as imagens. E justamente esse final nos deixa com aquele nó na garganta, ajudando-nos a refletir sobre o que realmente é importante em nossa vida.

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Assisti também a “A Criança”, co-produção da Bélgica e da França, vencedor da Palma de Ouro em Cannes em 2005, escrito e dirigido pelos irmãos Luc e Jean-Pierre Dardenne. O filme conta a história de um jovem casal, Bruno e Sonia, que acabou de ter um filho. Bruno é um delinqüente, e comanda uma pequena quadrilha infantil, vivendo de pequenos roubos e não sentindo qualquer dificuldade em também pedir uns trocados na rua. Ele não sente o menor carinho pelo bebê, não hesitando em enxergá-lo como uma oportunidade de ganhar um bom dinheiro, vendendo-o ao mercado negro da adoção. O filme é feito de forma “naturalista”, ou seja, os diretores não aparecem, não há efeitos, não há ângulos inusitados, nem edição frenética, com cortes e montagem ousados. Há planos longos, câmera na mão, tudo de forma discreta, para enfatizar a simplicidade da vida dos três. Ao assistir ao filme, você percebe que a criança do título não é necessariamente o bebê: pode ser a mãe, Sonia, mas, em especial, é aplicável a Bruno. Ele é impulsivo e imaturo, e percebe-se que, apesar da vida que leva, não saiu completamente da sua infância. Ilustra bem esse fato as brincadeiras bem infantis que o jovem casal faz. Logo após o nascimento do filho, eles se reencontram após algum tempo e, em determinado momento, Sonia diz que está com vontade de fazer amor com ele. Eles saem para passear com um carro conversível alugado e, quando estão sós, ao invés de se beijarem, começam a brincar, um derrubando o outro, jogando pedras, derramando refrigerante; enfim, são duas crianças que não entenderam que têm um filho. Outro momento marcante é quando Bruno vai vender o filho. Enquanto espera um contato telefônico, ele fica brincando com uma poça d’água, deixando suas pegadas na parede.

O filme mostra como Bruno vai se complicando por conta dessas suas ações infantis, e como a vida exige dele um amadurecimento. Ao final, o clima está muito, muito tenso, e nós esperamos ansiosos por um desabafo, por um ato que expresse que, finalmente, ele entendeu que é um adulto. Vi muita semelhança entre o que eu esperava quando o filme ia chegando ao fim e o que senti ao final de Crime e Castigo. Mais uma vez aquele nó na garganta apareceu, dessa vez meio com gosto de redenção, mesmo na dor…

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Ontem à noite assisti a um filme realmente impressionante: “A Fita Branca”, do austríaco Michael Haneke, vencedor da Palma de Ouro em Cannes neste ano. Na película, Haneke tenta demonstrar quais seriam as raízes para o surgimento do nazismo, a partir da observação de fatos ocorridos em uma pequena vila alemã às vésperas da 1ª Guerra Mundial. O foco do filme são as crianças e a educação altamente repressora que elas recebem. O nome do filme, inclusive, diz respeito a uma forma de castigo aplicada por alguns pais: a criança desobediente tinha uma fita branca amarrada a seu braço durante um longo tempo, para que todos vissem que ela carregava a marca da pureza, virtude que deveria almejar. O filme é muito, muito amargo. Há diálogos cruéis, como um momento em que um menino, ao arriscar gratuitamente sua vida, responde ao professor que estaria fazendo aquilo para “dar a Deus a chance de tirar sua vida”, já que ele havia feito algo de errado. Se ele não morreu, é porque Deus o perdoou. Em outro momento, uma criancinha de quatro anos descobre o que é a morte em uma conversa com sua irmã mais velha, de catorze anos. Estarrecedor…

Ajuda a compor o cenário desolador a fotografia em preto e branco, belíssima e triste, e o cenário, perfeito. Haneke, habilíssimo diretor, nos coloca como espectadores privilegiados, como se nós não devêssemos estar ali. Há uma cena em que uma senhora lava o corpo de uma mulher morta em um acidente. O ângulo que ele coloca a câmera, completamente imóvel, dá a impressão de estarmos observando da porta. O viúvo chega para ver sua esposa e senta-se na cama. Nós continuamos a ver somente os pés da mulher, mas ouvimos o choro convulsivo daquele homem. Nós até quereríamos chegar mais perto para vê-lo chorar, mas Haneke não nos deixa.

O nó na garganta deste filme é o fato de sabermos o quanto a educação pode gerar frutos ruins. O clima de inveja, de “denuncismo”, de medo, de impiedade, de ódio se instaurou de tal forma naquela comunidade que a paz ali era impossível. A inocência há muito fora perdida, mesmo pelas crianças.

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Mantendo-me no clima de guerra, cito aqui um filme muito triste e belo. E se trata de um anime, ou seja, um “desenho japonês”. O filme é “O Túmulo dos Vagalumes”, de 1988, baseado em uma história real, que conta a trajetória de Seita e Setsuko, pequenos irmãos que viviam em Tóquio na época da 2ª Guerra Mundial. Seu pai estava desaparecido, sua mãe acabou morrendo, e Seita tem que cuidar de Setsuko, sua irmãzinha. Ele tem que cruzar bairros, procurar a ajuda de parentes, que acabam por maltratá-los, lutar para conseguir comida. É difícil encontrar piedade durante a guerra, única vilã do filme. Em meio a tanta dor, Seita tem ainda que entreter sua irmã, brincando, encontrando forças para sorrir. Falando assim pode parecer uma trama batida, já que há tantos filmes sobre guerra. Mas “O Túmulo dos Vagalumes” acerta em cheio no coração de qualquer um, sendo capaz de arrancar lágrimas até de uma cadeira…

O nó na garganta vem sempre nesse filme, e quando acaba, você mal consegue respirar… O quanto as pessoas são ruins. Quanta maldade pode caber no coração humano. Por que as pessoas sofrem? Se essas frases não vierem à sua cabeça quando você terminar de assistir a esta obra-prima, deve haver algo de errado com você…

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Por último, cito um dos filmes mais intragáveis que já vi. Não se trata de Irreversível, de Gaspar Noé. Como já deixei claro ao longo do texto, o incômodo ao qual me refiro não é gráfico, mas psicológico. O nome do filme é “The Butcher Boy” no original (algo como o garoto açogueiro), mas o seu título em português, uma tradução não literal, é exatamente o sentimento do qual venho falando: Nó na Garganta.

Isso mesmo, o nome do filme é Nó na Garganta, e não é para menos: dirigido por Neil Jordan, esse filme irlandês de 1997 conta a história de Francis, um jovem garoto bastante levado que convivia com seu pai alcoólatra e com sua mãe depressiva e cada vez mais louca. Ele amava muito seus pais, e em determinado momento, quando sua mãe havia tentado o suicídio, ele promete que nunca a deixaria morrer. Algum tempo depois ela se mata e o menino começa a ficar cada vez mais desequilibrado, desenvolvendo uma paranóia em torno de uma vizinha sua, que costumava humilhá-lo, falando mal de seus pais.

O filme todo é um nó na garganta. Uma criança, de quem se espera pureza e bondade, vai sofrendo e sofrendo cada vez mais pressão, e nunca encontra piedade, para onde quer que olhe. O clima do filme é muito tenso, e, ao invés de flertar, Neil Jordan cumpre tudo que tememos, culminando em uma cena terrível, na qual compreendemos que não há limites para a loucura, que não poupa nem mesmo as crianças.

Não é um filme com final feliz (aliás, nenhum dos filmes dos quais falei chega sequer perto de terem um final feliz). Mais uma vez, quem o vê sai do cinema (ou desliga o DVD, como foi o meu caso) com a impressão de que levou um soco no estômago. Por que assistir a um filme desses então, se ele me incomoda? Ora, isso é uma questão de gosto. Eu me divirto assistindo a filmes assim. Eles me fazem refletir…

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Nenhum dos filmes dos quais falei são filmes fáceis. Acabou que a minha lista é bem “diferente”: um filme austríaco, um filme belga/francês, um irlandês, um japonês e outro italiano.

Não sou pessimista, nem tenho tendências à depressão. Não acredito que o mundo é um lugar ruim e que só a tristeza nos aguarda. Pelo contrário, sou feliz, vivo sorrindo e acredito que as coisas vão melhorar. Mas um pouco de introspecção não faz mal a ninguém. Um pouco de reflexão (no meu caso) só faz bem. Neste estilo, apenas para quem se interessou, posso citar diversos outros títulos, como “Antes que o diabo saiba você está morto”, que é SENSACIONAL, “Cova rasa”, “Um plano simples”, “Belíssima”, de Luchino Visconti, dentre tantos outros.

O cinema foi feito para que as pessoas se emocionassem. Há quem prefira sorrir, há quem prefira chorar, há quem prefira ter medo. Eu, bem, quando o assunto é cinema, fico com o nó na garganta…

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13 Respostas para “As crianças também podem ser tristes…

  1. Todos esses filmes parecem ser realmente muito bons!
    Desses eu só assisti a “O túmulo dos vagalumes”. É exatamente esse sentimento de nó na garganta que toma conta da gente. Uma das cenas mais tristes que eu achei foi quando Seita dá pedra para Setsuko comer como se fosse sopa, e ela, já tendo muitas alucinações por conta da fome, acha a “sopa” deliciosa. Só de lembrar o nó começa a se formar…
    Fiquei curiosa para saber o que o menino desse último filme faz. Pode contar!
    Eu também gosto de filmes assim, mas não tenho muito estômago para assistir. Eu fico uns 2 dias ainda lembrando daquela cena específica que me deixa triste e começo a chorar. “O Pianista” é outro também muito forte. Aquela cena do militar jogando o velhinho na cadeira de rodas pela janela é muito forte!
    O pior mesmo é quando trata de crianças ou idosos, acho até que me emociono mais com idoso, não sei porque.
    Esses atores mirins tem que ter uma preparação psicológica muito boa para fazer esse tipo de filme, eu acredito. Porque mesmo eles sabendo que aquilo é de “mentirinha” alguma coisa deve marcá-los.

    Parabéns pelo texto Leonardo! ( não vou nem mais falar isso ¬¬ rsrs)

    • Obrigado pela atenção, Renata. Fiz questão de escrever esse agradecimento porque, às vésperas do vestibular, e com dois textos para escrever até sábado, você comentou antes de todo mundo. Imagino seu esforço para se manter fiel ao blog, com comentários pertinentes e denotando cuidado e esmero.

      Só uma pergunta: você chorou com “O túmulo dos vagalumes”?

      Se não chorou, você não é humana…

  2. Ah! E quanto ao menino de “Nó na Garganta”, é que….

    SPOILERS

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    Não prossiga. Vou contar um detalhe da história altamente relevante.
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    ele mata uma pessoa (!). Que simples, não?
    O problema, que torna o filme tão “intragável”, como falei, é que o diretor conduz a história como se fosse uma brincadeira, em tom de humor bem leve. Isso torna tudo tão doentio, que você fica se sentindo mal. Altamente recomendável. kkk

  3. Todo filme que é bem feito e envolve criança me fascina. Tive a oportunidade de assistir ao filme “cinema paradiso” e comentava para Leonardo que o personagem Toto retratava a história de forma muito real. Primeiro porque era criança, depois porque foi muito bem feito. Pena que não terminou como eu esperava. O outro que também gostei muito foi “o tumulo dos vagalumes”. Muito interessante esse apanhado de filmes que Leonardo fez, com algumas realidades diferentes. Não sei se terei coragem de assisti os outros filmes que você sugeriu, sou muito sentimental. Lembra o quanto chorei com “a procura da felicidade”? No filme chorava como uma criança e quando terminou continuei chorando. Depois fui pegar um taxi e continuei chorando. O taxista olhava pelo retrovisor assustado. Foi muito emocionante esse filme. O filme todo sentia um nó na garganta, foi com o choro de soluçar que o nó desatou. Lembra Reinaldo?

  4. O drama e a tragédia assinam muitos dos melhores filmes do cinema. Você citou vários filmes com crianças, mas desses só assisti ao “túmulo dos vagalumes” (não, eu não chorei ao assistí-lo), que realmente mostra uma perspectiva interessante para os efeitos da guerra: um sobrevivente de uns 12 anos (aproximadamente) que tem que agir como um adulto para cuidar de sua irmã, e a outra perspectiva é o da própria menina de 5 anos, que não entende muito bem o que está acontecendo. O tom infantil da narrativa deixam o final ainda mais trágico (não colocarei Spoilers!).

    E é justamente neste ponto que nós encontramos toda a graça deste tipo de filme. Você não sabe o que esperar deles, você vê como começa, mas não tem a mínima idéia do que acontecerá, reviravoltas na trama são constantes, ainda mais com personagens realísticos que muitas vezes beiram a loucura.

    Nesse contexto eu já assisti a filmes como “antes que o diabo saiba que você estará morto”, cova-rasa, um plano simples – todos já citados por Leonardo – e outros que não me lembro aqui. Este tipo de filme se senti livre para mostrar os pecados, e não as virtudes. ele mostra ganância, ódio, avareza, roubo, morte, depressão, etc. Me lembrei do livro “Ciúme da Morte” de L. Romanowski, que em todo o livro ele conta uma história, um início de uma paixão, e apenas na última página se revela todo o motivo da loucura, e só aqui entendemos tudo, entendemos o por que do título.

    E aproveitando o comentário de Andréa, que disse que ao assitir Cinema Paradiso, não se sentiu satisfeita por que o filme não acabou como ela imaginara, ou como ela queria que ela terminasse. E é essa justamente a graça deste tipo de filme. Em 98% dos filmes nós temos um personagem principal, que sempre está a se arriscar de lguma forma, mas nos confortamos por saber que ele está bem, afinal o filme não existe sem ele. Mas nos filmes-nó-na-garganta, não existe isso, nós não gostamos dos personagens principais, nem os diretores, a qualquer hora ele, ou outro morre e a história simplesmente continua.

    Claro que é muita simplicidade dizer que esse tipo de filme é bom só por não imaginaramos o final. Mas é uma perspectiva.

    Parabéns Leonardo, o texto está ótimo com filmes ótimos. Espero assistí-los em breve. 😛

    Parabéns!

  5. Tive a oportunidade de assistir ao “The White Ribbon”, e realmente senti algo muito diferente na garganta. Três chamaram a minha atenção: A primeira é aquela onde o marido humilha sua esposa, terminando com a pergunta doce pergunta “Por que você não morre?”; a segunda foi a do garotinho que queria dar uma oportunidade a Deus de matá-lo; e por último, o diálogo entre uma criança e sua irmã sobre a morte. Cruel. Assistam. Simples assim.

    Quanto aquela pergunta que você me fez, sobre a relação do filme com a origem do anti-semitismo, o que tenho a dizer é: não seria propriamente o nascimento ou surgiento do anti-semitismo – sendo o anti-semitismo um problema milenar-, mas o favorecimento desse rancor, que no filme é apresentado através de uma “Aldeia” (para mim representação simbólica da alma alemã) onde a disciplina, o ódio e a busca pela perfeição tornou-se algo doentio.

    Uma cena curiosa acontece logo no início do filme, quando um grupo de crianças, meninos e meninas, são chamados para um determinado local, e o grupo de garotos saem correndo enquanto as meninas andam parecendo que estão marchando. Essa cena curtíssima apresenta algo que ultrapassa às câmeras: machismo e disciplina. Uma sociedade onde o varão dita as regras e um outro gênero absorve ordens incontestes. Ordens essas alimentadas pela barbárie e discursos ditos nacionalistas. Essa “aldeia/alma” alemã é construída no cotidiano, e os fatos narrados no filme são apresentados de uma maneira tão clara e lúcida, causando-nos o efeito “teletransporte”, e que nos dá a sensação de estarmos dentro dos corações daquelas pessoas; corações esses tão amargos e tristes.

    Parabéns pelo texto Leonardo.

  6. Hum…belíssimo texto Léo.
    Eu particulamente não gosto desse tipo de filme. Uma vez que sou muito sentimental, principalmente em relação a filmes. Assim como Léo, eu também gosto de filmes que me fazem refletir, que após terminar, deixa várias perguntas no ar, deixa você com uma “pulga atrás da orelha”.

    Não assisti a nenhum dos filmes e sinceramente, apesar das boas recomendações e convites, eu não tenho interesse de assistir. Apesar de termos a vontade de assistirmos um filme original no qual não sabemos qual será o final do “Mocinho”, mas no fundo no fundo, aqueles filmes que nos cativam, não deixa outra opção: ele tem que viver, tem que “ser feliz pra sempre”.

    Não gosto de filmes trágicos, muito menos com clima pesado. Um dia desses assisti com Rei o filme “Ensaio sobre a cegueira”, não é um filme que se diga nossa que filme bom aquela (chiquinha xD), não foi o melhor filme que já assisti, mas mesmo assim a realidade que foi mostrada nele me comoveu de certa forma, e no fim eu fiquei me perguntando: como o ser humano pode ser capaz disso tudo?

    Refletir é bom, mas pra mim, prefiro filmes me tragam diversão, não só uma diversão através de uma comédia. Mas um bom filme de ação, de super heróis :D, e quem sabe um romance (quem sabe né? ^^). Gosto sim de filmes que mexam com meu emocional, mas prefiro aqueles que no final eles sejam e também me faça “feliz para sempre”. 😛

    Parabéns Léo, arrasou brother, é falou! xD

  7. Gostei do comentário de Deborah. Por quê? Por ser sincero. Essa de falar apenas o que o outro espera ouvir, é coisa de Augusto Cury e Gabriel Chalita, me desculpem. Tenho certeza que esse tipo de atitude frente ao texto do outro, é sinal de amadurecimento e liberdade diante. Acredito que essa atitude de política sobre os textos é de grande valia (se não me engano essa atitude ganhou maior destaque com Eduardo, quando este criticou a opinião de Deborah sobre o filme Gladiador). Espero que continuemos assim.

    Ah, sim. De antemão aviso que meu próximo texto sobre o BRASIL – tema central da rodada seguinte – vai especialmente para Deborah. Aguardem. Prometo que vai gerar muita polêmica, principalmente entre as mulheres. Como não consigo guardar segredo algum vou logo aqui informar seu título (a meus amigos, tenho que fazer propaganda para gerar expectativa):

    “Do voto às nádegas”.

  8. Muito bom o texto Leonardo, e como sempre você consegue controlar as suas ideias e partilha-las, obtendo um texto quase que invejavel. Eu também bem que queria falar sobre muitos outros filmes que me vieram a mente na hora de elaborar o meu texto, mas confesso que, se por um acaso eu decidisse fazê-lo, ia ser para mim um pouco trabalhoso, pois o ponto chave está também no que a pessoa arecia num filme, onde mais uma vez você se supera, procurando uma forma de ser justo com todos estes que você citou e despertando a minha curiosidade, também, por assistir a esses filmes que confesso que na minha bagagem cinematografica não estão contidos. Mas, num todo a regra é clara, um filmeque preste deve despertar emoções e essa divertida fulga da monotonia do dia-a dia.É ai que se encontra a verdadeira magia.

    Parabéns.

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