Grease – Nos Tempos da Brilhantina

Por Renata Deda

Depois do “nó na garganta” de Leonardo, vamos falar de algo mais alegre.

“Grease, nos tempos da brilhantina” é um musical baseado numa peça teatral de Jim Jacobs e Warren Casey. Com roteiro de Bronte Woodart e Allan Carr e direção de Robert Kleiser. Foi lançado no ano de 1978 e conta a história de Sandy (Olívia Newton) e Danny Zuko (Jonh Travolta). Um casal de adolescentes dos anos 70 que se conheceram durante as férias de verão, mas tiveram que se separar, pois ela tinha que voltar para a Austrália. Algumas mudanças de plano acontecem, e Sandy permanece nos Estados Unidos, indo estudar, coincidentemente, na mesma escola que Danny. Assim como uma típica escola secundarista dos Estados Unidos, existem “grupinhos”. As Pink Ladies, lideradas por Betty Rizzo (Stockard Channing), e os T-Birds, comandados por Danny. Ao se encontrarem – os protagonistas – ficam surpresos. Mas Danny, para manter sua reputação de bad boy esnoba sua amada, que fica profundamente magoada. Durante o decorrer da trama, Sandy se torna amiga das Pink Ladies e passa por uma brusca transformação no final do filme: de mocinha ingênua para mulher sedutora. Presencia a humilhação que Betty sofre ao saberem que ela está grávida de Kenickie (Jeff Conaway), braço direito de Danny. E ainda participa de um concurso de dança, dentre outras coisas como fumar pela primeira vez, furar a orelha. Danny tenta esconder seu amor puro por Sandy, mas isso é inevitável, e os dois, mesmo com comportamentos tão divergentes acabam ficando juntos.

Qualquer pessoa que assiste ao clipe da música “Summer Nights” fica curiosa para assistir ao filme. Foi assim que aconteceu comigo. Todo aquele patriotismo que é bem explícito com tantas imagens da bandeira dos EUA nos deixa curiosos para adentrar na vida daqueles estudantes. Em 20 minutos de filme, por exemplo, já é possível contar 5 vezes em que a bandeira do  tio Sam aparece. A imagem que passa no clipe é exatamente aquela do tão famoso modo de vida americano.  E é esse o tema do filme: a vida dos estudantes americanos nos anos 70. Em plena Era de ouro do capitalismo era importante mostrar o valor dos carrões barulhentos e consumidores assim como a rebeldia dos jovens que se libertavam nas discotecas. Ao mesmo tempo em que o filme retrata adolescentes tão “independentes” tem mesclas de infantilidade, como algumas partes onde se enfatizam os desenhos animados – a abertura do filme, por exemplo, é caricaturada. Um exemplo da “criança” que ainda existe nos personagens é quando Jan (Jamie Donnelly) imita um desenho animado na frente da TV enquanto suas amigas dividem cigarros e bebida.

Outro ponto que chama a atenção é a valorização das “ficadas”. Em determinada cena do filme, a personagem Rizzo diz para Sandy: “Amor de verdade e nem tocou em você? Me parece um idiota”. E é esse o pensamento que acompanha todos. Com uma mentalidade advinda do movimento hippie dos anos 60, os jovens parecem divulgar a frase: Make love, not war – faça amor, não faça guerra.

O sucesso de Grease foi incrível. Até hoje suas músicas são imortalizadas na voz Olívia Newton-John e Jonh Travolta, este, posteriormente, que atuou em vários filmes importantes como “Carrie, a estranha” e “Pulp Fiction”. O Orçamento de Grease foi de cerca de US$ 6 milhões de dólares, sendo que arrecadou US$ 360 milhões nas bilheterias de todo o planeta. No segundo filme, “Grease – os tempos da brilhantina voltaram”, protagonizado por Michelle Pfeiffer em 1982 já não houve tanto sucesso, assim como o “Grease 3”, onde os personagens se encontram depois de adultos.

Da mesma forma que são todos os musicais, Grease é alegre e vibrante, trágico e engraçado. E como uma boa produção que foi, não podia deixar de concorrer ao oscar, e assim o fez. Recebeu uma indicação na categoria de Melhor Canção Original: “Hopelessly Devoted to You”  cantada por ‘Sandy’ um pouco depois do início do filme, quando ela está na casa de Frenchy (Didi Conn) com suas amigas Pink e não consegue esquecer seu amado por mais que tente. Nessa canção há uma característica muito marcante da cantora, e, na minha opinião, a que melhor representa Newton, que é a transição da voz suave para aquele tipo de voz meio rasgada, diferente. Grease recebeu também 5 indicações ao Globo de Ouro, nas seguintes categorias: Melhor Filme – Comédia/Musical, Melhor Ator – Comédia/Musical (John Travolta), Melhor Atriz – Comédia/Musical (Olivia Newton-John) e Melhor Canção Original (“Grease” e “You’re the One that I Want”). Para mim a melhor música é “Summer Nights”. Das críticas que olhei, um ponto marcante para o qual todos convergem é a questão das coreografias, consideradas inferiores a “Hair”, um musical sobre os hippies dos anos 60 e que fazia apologia de sua cultura de liberação das drogas, música, paz e amor.

No todo, escolhi Grease por ter essa riqueza cultural dos anos 70 dos EUA e por ser, de certa forma, um clássico dos musicais. Além de que esse tipo de filme “histórico” desperta minha curiosidade, como disse no começo do texto.

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16 Respostas para “Grease – Nos Tempos da Brilhantina

  1. Sou fã declarado de muitos filmes desse estilo. São interessantes por seus personagens com estereótipos bem definidos, grupos escolares formados por “pessoas iguais” (nerds, rockeiros, punks, líders de torcida, jogadores de pólo ou outro esporte físico dependendo do estado em que a escola se encontre, negros, hipies, etc.).

    Não assisti a este filme, mas estava acompanhando enquanto Renata assistia, e vi as cenas musicais. O filme é repleto delas! E no geral as músicas são muito boas, toda vez que algo importante acontece no filme todos começam a cantar e dançar. Nada como thriller, mas algumas coreografias são bem legais. Os romances adolescentes típicos de filmes “sessão da tarde” fazem o gênero agradável, mesmo que não sejamos fãs admiradores, assistimos com indiferença e não nos arrependemos depois. Assim Grease segue este gênero, agradando a gregos e troianos, todos os filmes baseados em romances adolescentes que foram feitos depois de 78, se inspiraram em seu sucesso de alguma forma.

    Além de tudo, o filme pode se considerar privilegiado pela época em que foi feito. A época dos hipies, das calças Jeans como moda, e os topetes bem penteados, a época da brilhantina, das casas de show, dos globos de luz no meio das discotecas.

    O texto conseguiu atiçar minha curiosidade para assistir ao filme, falando de época, música, produção e enredo, Renata conseguiu mesmo sintetizar tudo que o filme representa.

    Parabéns Renata, minha linda. Te amo!

    Muito bom! Ótima escolha de filme!

    xD

  2. Não lembro direito se assisti a esse filme. Sei que, como Eduardo, gosto também de filmes para cima, filmes que trazem uma certa “inocência” por serem datados, por claramente pertencerem a uma determinada geração.

    É preciso ver esses tipos de filme com esses olhos, sabendo que eles foram feitos para um público específico: os jovens americanos do final dos anos 70. Nós, brasileiros, que tanto incorporamos a cultura americana à nossa, recebemos esses filmes e até fazemos versões das suas músicas (vide a Sandy brasileira, essa de verdade, cantando “Tô ligado em você” com seu irmão Júnior). Essa situação é um convite a uma reflexão sobre o quanto valorizamos nossa própria realidade, nossas próprias experiências.

    De qualquer forma, dá muito bem para assistir ao filme descompromissadamente, apenas com o interesse de apreciar as músicas e a história hoje mais do que batida, mas ainda divertida, se bem contada, envolvendo separações e reconciliações.

    Parabéns pela escolha do filme, Renata, e pelo belo texto.

  3. Não lembro de ter assistido esse filme, mas achei muito interessante seu comentário sobre ele.
    Gosto muito de filmes que tem esse estilo de romântico com adolescente inocente ou quando o rapazinho quer ficar com a mocinha do filme, e eles vivem um pequeno drama para viver esse amor.

    Mais um na minha lista de filme

    Belo texto

  4. Os filmes que mais gosto de assistir são bem dessa “espécie”, filmes de “sessão da tarde” como disse Eduardo. Prefiro assistir a filmes com finais previsíveis, com tramas simples, com um romance, um casalzinho bonito …etc etc xD
    Uma vez que para mim, o primeiro bom objetivo de um filme, é entreter e se possível, deixar uma pequena (ou grande) lição, e eu que já assisti até high school musical 2, tinha e agora tenho muito mais depois desse texto, a vontade de assistir a esse filme. Tirando os filmes típicos das Disney, acredito que filmes musicais que assisti foi “Mamma Mia”, e apesar de as vezes tornar o filme chato, quando as músicas são boas e vem na hora certa, oum musical pode ser uma boa pedida! xD
    Psarabés pelo texto Renata, e “mais do que nunca bicho”, me deu vontade de assistir a esse filme! ^^

  5. Não tenho como escapar: todo filme que assisto sempre tento entender o contexto que ele foi produzido e construído. Olha o filme escolhido por Renata. Olha quantas “coisas” podemos tirar dele: revolução sexual, feminismo, hipies, Rock, dança, etc…. Assistir a um filme com um olhar inocente acho até possível – assistir pelo assistir -, mas acredito ser muito mais interessante e recompensador, compreender o filme através da sociedade que o produziu. Grease é um destes filmes “inocentes”, feitos para adolescentes sem muitas pretensões. Mas que observado atentamente, podemos perceber muito da civilização americana na década de 80.

    Vejamos a revolução sexual, com seus jovens lindos e rebeldes; mulheres lutando pela igualdade de direitos, pelo fim do machismo, pelo fazer “amor e não a guerra”, por menos roupas e mais rebolados. No inicio a mocinha é apresentada como uma jovem inocente e pura com uma vestido rosa, mas em certo momento lá está ela com uma roupa de couro “enfrentado”, através da dança, o homem que tanto ama.

    Ótima escolha de filme. Original e divertido, sem dúvida alguma.

  6. Muito bom o texto Renata, bem descritivo e esclarecedor. Eu já tinha a ideia de que o filme ia ser assim ou algo do tipo, mas mesmo assim ainda não assisti, não sei se é porque eu não me atraio por musicais ou se é por causa do conteúdo mesmo, a enfatização do patriotismo, a valorização desse tipo de relacionamento e hábitos logo na juventude, a questão dos grupinhos que se formam nas escolas, dentre outros.

    Mas por outro lado deve-se valorizar a boa interpretação dos atores/dançarinos, a exibição dos traços da época condizente com a realidade de forma comica e agradável ao espectador e por fim uma aparente (ainda não assisti a esse filme) boa história de um típico casal jovem americano.

    No mais, parabéns pelo seu texto Renata, até para quem nunca assistiu ao filme da para ter uma boa ideia de como ele seja.

  7. adorei ao ver o filme é muito bom.Gostei por que tem muitas músicas,
    esse filme é concerteza um dos primeiros …HayShcool music…
    Adorei…

  8. Este filme, influenciou uma geração, usamos as camisetas iguais, brilhantina, foi muito bom, eu vivi tudo isso.

  9. Ola pessoal.E’ muito legal ver que essas novas geracoes(anos80,90 e 2000)continuam a assistir e apreciar esse filme passado em 1978.So que o filme e’ sobre os jovens ,musicas e comportamentos dos jovens americanos da decada final de 50.Assisti a este filme quando tinha 13 anos na sua estreia.Fui convidado por um amigo de classe para assistir pois ele ja havia assistido 3 vezes!Fui a contragosto pois ele disse que era musical e nem os embalos de sabado a noite eu havia assistido(lancado em 1977) pelo preconceito a esses tipos de filmes.Comecou o filme e a abertura legal ja me animou(do desenho animado).A cena inicial de Danny e Sandy me deixou em em duvida…vai ser mais um filminho mela-mela romantico…mas quando comecou o Summer Nights e o cinema todo dancando,virou um momento magico para mim.Aquele dia marcou minha passagem para a adolescencia.Todos assistiam como se estivessem num estadio de futebol,vibrando a cada cena(as garotas gritando e suspirando quando Travolta aparecia e nos assoviando quando Olivia aparecia ).O ano de 1978 estava dificil para os adultos ,ainda era ditadura militar,gasolina cara,etc,mas para nos adolescentes,era uma epoca que comecamos a dar bailinhos estilo anos 50 todos a carater,a dancar coladinhos com as garotas e sair sozinhos sem os pais.Vale lembrar que ate hoje muitos musicais imitam ou se baseiam em Grease.O filme talves tenha feito sucesso pois retratava a inocencia e a passagem da adolecencia para a vida adulta curtindo demais.

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