Opinião ou Obsessão?

Por José Eduardo Ribeiro Nascimento

– Rapaz, não entendo bem como você pode dizer que o Brazil é tão bom assim (estavam falando em inglês). Afinal você não se casou com uma americana? Não gosta de música americana? Como pôde sair da América e vir para cá?

– Sabe, você deveria pensar menos em como sua vida deveria ser, como seu futuro amor será, deixar disso. Não importa o quanto queiramos uma coisa de um jeito, ela sempre vem de outra forma que jamais imaginaríamos. Assim é a vida; eu era como você, queria uma mulher brasileira, cheguei a ter um breve relacionamento com uma, mas a vida não deixou que acontecesse, e, hoje posso dizer: graças a Deus. Se não fosse o trágico final desse relacionamento nunca teria conhecido minha esposa. E ela é o que nunca imaginei que seria: uma americana.

– Sei, mas já lhe contei minha história, e você me disse a sua. Para mim é difícil de acreditar que, com todo esse meu gosto difícil, minhas exigências, minha definição de beleza, eu encontrarei alguém aqui, no Brazil. A maioria das mulheres que considero bonitas são fúteis, e as desprezo por isso.

– Eu sei que é difícil, esse tipo de lição as pessoas teimam em só querer aprender na prática, mas pode ter certeza: todo tipo de fixação, para tudo que você põe uma viseira e passa a enxergar o mundo como tendo apenas um caminho, uma opção, se mostra totalmente errado, e o final é decepcionante, dependendo da ocasião até mesmo trágico. A história nos mostra que as verdades absolutas são defeituosas. Olhe por exemplo nosso gosto musical, claro que existem coisas que nunca deveriam ter sido criadas, berradas, ou até arrotadas: pagodes, funks, bregas. Mas não existe beleza apenas em uma criatividade, ou em um tipo de criatividade. É injusto escutar uma música de Chopin e não escutar Villa Lobos, apreciar uma tela de Picasso e nem olhar para a arte de Tarsila, ler Aldous Huxley e não ler Machado de Assis. Quem é bom ou arrogante o suficiente para jogar uma pedra em algum desses brasileiros? Mesmo que se ache que estão à sombra dos estrangeiros seria pecado esnobá-los, são gênios também.

– Eu sei o que você quer dizer, e entendo o quanto Machado de Assis é bom. Eu entendo tudo, mas gosto da língua inglesa, gosto de ouvir o som da voz de uma mulher falando “I love you”. Não é que não suporte o Brazil, ou o que venha daqui, mas prefiro as americanas, sua língua, e sua música.

– Mas pense bem no que você já pode ter perdido por ter esse preconceito. Sim é preconceito. Claro que é preconceito, o amor já pode ter batido sua porta várias vezes e você não viu por conta dessa viseira que insiste em não tirar. O que te dá garantia que você não encontraria alguém caso fosse a um show de Caetano Veloso, por exemplo. Sim, foi só um exemplo. Eu sei que ele dá nos nervos. Está certo, mudemos para Seu Jorge. Esse tem ritmo, letra e qualidade. As mulheres gostam dele, quem sabe você poderia encontrar uma brasileira, que faria tudo por você? Até citaria Shakespeare, no original, só pra lhe tirar um sorriso do rosto? Lembre-se que Deus escreve certo por linhas tortas, e nós nunca sabemos realmente o que queremos, ou o que precisamos. Lembre-se da possível felicidade que você já deixou escapar por causa de um sonho com essa americana.

– Sei o que quer dizer, mas não é o primeiro a me falar esse tipo de coisa. E nunca seria capaz de esquecê-la, até já tentei.

– Talvez nunca vá esquecê-la, não sozinho. Tente se divertir, se encontre com amigos vá a shows de qualidade, aprenda a tocar algum instrumento, faça algo mais de sua vida do que trabalhar e ir pra casa ler livros. Dê uma chance para que seu amor o encontre. Você não precisa esquecer-se do que você gosta, nem do sonho da mulher perfeita, mas esse tipo de vida só lhe deixará miserável com o passar do tempo, você começará a achar que ninguém gosta de você ou lhe aceita, por isso dê uma chance para que as pessoas o conheçam.

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– Como pode dizer que é certo basear sua vida, seu sentido de alegria, em uma coisa escrita por algumas pessoas como meio caricato e simplificado da vida. Quer que a gente acredite em tudo que vocês mostram e sigamos nossas vidas iludidos por esta sombra de alívio que vocês criam, prometendo-nos que tudo é fácil, que nunca teremos dificuldades reais, apenas adversidades?

– Mocinha, o tempo de perguntas da platéia já terminou, por favor… – a apresentadora foi interrompida pela atriz – Deixe que ela fale, até que enfim perguntas interessantes.

– Minha querida, tenho certeza que você me ouviu contar minha história. Nasci e me criei pobre no interior, meu pai sonhava comigo e com novelas, e foi acreditando nisso tudo que me tornei o que sou hoje – a platéia bateu palmas de pé – não sei aonde quis chegar com essa pergunta, mas não tenho por que esconder dos meus fãs que todos podem perseguir seus sonhos, e conseguirão, utilizando-se apenas de paixão e força de vontade.

– Essa é uma visão de um mundo perfeito, onde todos têm seu lugar na sociedade, esta que, justa e cheia de oportunidades, facilmente poderia acomodar corações iludidos e sonhadores. Não estou dizendo que é impossível realizar sonhos, contudo para alcançá-los devemos esquecer essa visão “dourada” e batalhar, suar, estudar, trabalhar, seguir ordens, dormir tarde, acordar cedo, sofrer. Tive uma infância equivalente à sua: vim do interior, assistia às novelas como principal forma de diversão, mas, protegida por toda aquela visão maniqueísta, e pelos braços confortáveis da minha família, não consegui enxergar além, e, quanto me dei conta, estava mergulhada em um poço de tubarões, piranhas, e abutres que cercavam quem quisesse desistir e pular fora. Sofri por ser mulher, por ser negra, por ser pobre, e principalmente por achar que meu diploma valia mais do que minha cor, ou situação financeira. A culpa desse meu “torpor” foi a visão do mundo criada por mais de dez anos assíduos às novelas. Via no mundo um lugar cheio de oportunidades para corações que ansiavam por sucesso. Estava enganada, como julgo que já estiveram, estão e estarão milhares de mulheres Brasil afora. Talvez algumas sofram mais do que eu.

A atriz, que não piscava o olho enquanto ouvia tudo aquilo, respondeu:

– Olha minha filha, sei que as novelas influenciam muito, me influenciaram e eu consegui, assim como milhares de outras mulheres. Talvez minha paixão pelo que fazia fosse maior do que a sua, mas eu não tive adversidades tão sofríveis para conseguir o que queria.

– Você pode achar que não foi vítima de preconceito, mas quando você fazia seleções para ser atriz, sendo justa e sincera agora, você nunca reconheceu concorrentes que atuavam melhor do que você?

– Isso existe claro, afinal eles nunca buscam uma qualidade apenas, buscam um conjunto. Isso é lógico em qualquer profissão: contadores não devem apenas saber matemática, mas direito, administração, economia, sociologia e outras que complementem seu currículo.

– Pois lhe digo que você foi tão vítima do preconceito quanto eu. Só que em você teve um efeito contrário: Você é branca, bonita, seu cabelo é liso, vi fotos de você quando com dezoito, vinte anos: era uma modelo, seu corpo, perfeito. Todavia, resta-nos uma dúvida: se você não era tão boa quanto suas concorrentes, que poderiam, facilmente, ter sido negras, “gordinhas”, com pés-chatos, orelhas grandes, nariz sobressalente, por que você foi escolhida? O que não garante que eles tinham outras intenções para seu corpo ou beleza? Que tipo de justiça foi feita às suas concorrentes? Como acha que elas voltaram pra casa decepcionadas, por sua visão novelística da vida, que seus sonhos nada valiam se não fossem como você? Se não nascessem de novo, e desta vez com uma aparência mais aparentada com a sua? O que você realmente não teve que fazer para chegar onde está?

– Olhe aqui, – respondeu como se a fala da moça da platéia lhe tivessem revivido lembranças há muito deixadas para trás – as novelas são escritas por pessoas do mais alto nível intelectual, pesquisadoras da sociedade, elas vêem a vida como ela é e as transcrevem para as telas. Elas mostram o perfil de uma pessoa para determinadas profissões ou posições sociais, então não tenho culpa se alguém tão diferente de mim se espelha em mim e quer ser como eu. As pessoas devem interpretar aquelas informações, e ver que a vida é daquele jeito para pessoas como aquelas.

– Você quer dizer que esta moça, apontou para uma adolescente de dezessete anos, loira de olhos azuis, poderia ser como você? Já…

– Poderia até ser mais do que eu sou.

– …já eu, que sou negra, não tenho um corpo como você tinha na minha idade, não sou patricinha e não viajo para o exterior nas férias, apenas conseguiria um papel como o daquela moça na novela, aquela que trabalha na casa de sua personagem, a empregada, ou secretária do lar?

– Não sou eu quem escrevo a realidade, ela está aí como está, eu apenas a transcrevo para a televisão, se não aceita a realidade como ela é…

– Está me dizendo, aqui, ao vivo para todo o Brasil, que mulheres como você podem ser ricas, atrizes e executivas, e mulheres como eu empregadas e “graxeiras”? Você diz que isso é realidade, mas esta é a realidade que pessoas, como você, preconceituosas e intocáveis, apresentam para as nossas crianças. Entretanto tenho algo a dizer: eu venci. Venci o preconceito e as dificuldades, as quais vocês esqueceram de mencionar que pessoas como eu enfrentariam, e posso ensinar a meus filhos como a vida é de verdade.

A atriz saiu do auditório com os seguranças, o diretor de imagem já havia chamado as propagandas, e a moça foi levada para fora do estúdio, para onde nunca mais voltaria de novo.

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– Quem você acha que é para vir até aqui e falar comigo deste jeito? Você se acha melhor do que eu só por que perde metade do seu tempo lendo livros?

– Até que enfim conseguimos ouvir sua voz. Por que você é tão sem personalidade que até para conseguir uma reforma de carro tem que pedir pra um amigo, se é pra ir pra uma boate tem que depender dos outros. Você se acha muito bonzão, fica com as “negas”, mas você não passa de um indivíduo simplório, sem capacidade de expressão, e…

– Meu amigo você tem problema? Estava aqui na minha, só “de boa”, e você surge do nada pra me dizer que meu estilo de vida é ridículo, e que o seu deve ser um “modelo” para o sucesso, não é? Afinal o que você faz de tão bom que me torna um indivíduo tão simplório?

-Eu leio dois livros por semana, escrevo regularmente para um blog de leitura bastante visitado, sou o primeiro da minha sala, sempre participo de debates na universidade. Faço meu tempo valer o dinheiro que meu pai investe.

– Quer dizer que seu pai gosta de ver você se enclausurar num quarto lendo o dia todo, e ficar naquela universidade cheia de drogados e “homos”, pra se trancar em salas para tagarelar o dia todo com pessoas de caráter duvidoso, e ainda gastar dinheiro pra ver você fazer isso? “Poupe-nos da dó”, e saia logo da minha frente.

– Você fala isso por que é um preconceituoso inútil, aposto que estuda naquela universidade particular, última opção para quem não é aceito na pública, curso mais caro, amigos ricos, patricinhas, festinhas recheadas de cachaça e drogas. Como consegue? Milhares de anos para que o Homo Sapiens construísse uma sociedade baseada na inteligência e na capacidade, e vêm jovens abobalhados como você e destroem tudo isso ao peso de um bíceps.

– Háhá! Háhá! Sabe o que eu acho? Olho para você e você não é um “nerd” comum. Seus braços devem ter uns 36 cm, e parecem já ter murchado um pouco, então você pegava peso. Quer saber? Somos muito parecidos, só que ao contrário. Há alguns anos, eu era você hoje: livros eram importantes, estudo, notas acima de 9,5, orgulho dos pais, mas estes sempre me dizendo para eu sair. Hoje eu sou o que você já foi, forte – nesse momento deu um beijo no bíceps direito -, namoro bastante, me divirto com os meus amigos, mais ainda vou à universidade, mesmo curso que eu fazia antes da “transformação”. Tiro notas boas ainda, mais do que 8 na maioria, 6 ou 7 em algumas mais chatas. Diga-me: por que você voltou atrás? Por que trocou aquela vida, por esta outra?

– Que curso você faz afinal? Educação Física?

– Sociologia, e sou um dos melhores alunos, diga-se de passagem.

– Acredito, numa escola particular deve ser muito fácil. Você tem razão, já fui como você, e mudei por que não tem sentido resumir a vida a coisas tão físicas, existem tantas idéias tantos pensamentos brilhantes, tantos frutos do gênio humano que deveriam, mesmo que por respeito, ser visitadas por todas as pessoas do mundo. Todos deveriam conhecer aquelas idéias, fazer parte daquele pensamento. Mas pessoas como você se acham boas de mais, o que soa como uma piada, para prestar atenção ao que Dostoievski nos tem a dizer.

– Sério cara você tem algum problema, não é? Sabe o que eu acho? Isso tudo é frustração. Acho que você era um nerd, se encheu disso e começou a malhar, pra tentar pegar alguma mulher. Mas você deve ter feito algo errado, e por algum motivo não conseguiu nada do que queria. Você quis tudo rápido de mais, e nunca beijou nenhuma mulher na vida. Sabe de uma coisa? Acho que até os gênios gostavam de mulheres, então acho que você deveria rever seus conceitos – virou as costas e retomou seu caminho.

– Espere aí, você se acha melhor do que eu, ou do que os outros como eu? O que eu deveria esperar de uma pessoa que sempre deixa os braços à mostra, por pensar que eles devem respirar?

– Você está prestando atenção no que está falando? Você diz que eu sou preconceituoso. Está certo que zoamos com os nerds por nunca namorarem, por não se divertirem em festas, e tal, mas eu nunca falei com você, nunca lhe vi, e você vem aqui tentar me ridicularizar, me humilhar dizendo que é melhor do que eu, e ainda me acusa de querer ser melhor do que você. Você sai de casa e vem pra cá pra querer me fazer de idiota, sendo que a maior vontade que você tem é de ser assim: estudioso, forte, namorador, e isso tudo sem precisar ser um doente, que enche com a vida dos outros.

– Acha que me conhece para falar assim comigo? Poderia trocar palavras aqui, e você não entenderia nada do que iria ouvir. Tenho que descer meu nível para me comunicar contigo.

– E por que não tenta fazer isso? Admita que veio até aqui apenas para sentir como me divirto, e como essa felicidade poderia ser sua.

-Não tenho nada que admitir, minha vida segue rumos mais dignos que a sua. Poderei ser um cientista, um pesquisador, um escritor. Qualquer coisa, mais nunca conseguirei fazer com que minha vida seja tão sem objetivos, tão sem sentido como a sua, um cara que pensa com os músculos do peitoral não deveria nem ter o direito de andar na rua, mesmo quando está indo cuidar do nosso jardim.

– Eu já li Dostoievski, quatro livros dele na verdade.

Dito isso virou de costas, e seguiu seu caminho.

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4 Respostas para “Opinião ou Obsessão?

  1. Para mim – e acredito que para todos nós – essa rodada foi completamente diferente do que imaginava antes de ela começar, tanto que ela foi “batizada” de “Debates”, o que não poderia estar mais longe da realidade. Não houve debate, nem discussão, nem comparação entre idéias. Pelo menos não da maneira trivial. Sinto-me um dos principais responsáveis por essa surpresa (boa surpresa, por sinal), já que o modelo do meu texto foi, de certa forma, seguido por todos os outros. Por meio de um conto todos nós defendemos o ponto de vista que nos coube defender. Acredito que dos seis que fizeram os textos, o único que realmente pode dizer que escreveu a própria opinião foi Reinaldo, ao defender que “Ler é melhor do que Malhar”. Eu não ouço somente música em inglês, e Renata, tampouco, ouve somente música em português. Andréa não assiste novela, enquanto Josi, como ela mesmo falou, assiste novelas. Já Déborah, bem, não poderia imaginar nada menos parecido com a personalidade dela que acreditar que “Malhar é melhor do que Ler”. Todos, entretanto, fomos brilhantes na defesa dos temas, o que, aliado à mudança radical na estrutura esperada dos textos, tornou a tarefa já ingrata de Eduardo ainda mais difícil: como avaliar ou dar uma palavra final sobre cada tema?
    E eis que ele faz um arremate nada menos que perfeito. O que mais poderia ser acrescentado às histórias senão um meio termo, e mais uma vez expressado por mais um pequeno conto, um para cada tema, fazendo nossos personagens se encontrarem?

    Eduardo, você acertou na mosca. Superou uma tarefa árdua com maestria e mostrou criatividade e competência.

    Em nenhum momento pretendemos levar a sério as discussões (no sentido de defendermos os pontos de vista), já que os próprios temas são hilários. Pretendíamos sim exercitar nossa capacidade de argumentação. Ficou, todavia, a mensagem, bem expressa por Eduardo, de que, não importa qual seja o seu posicionamento sobre qualquer assunto, a partir do momento em que ele vira obsessão, automaticamente você perde a razão, deixa de estar certo.

  2. Eu ainda prefiro a versão “Lost” mais nossos personagens. kkkkkkkkkkkkk brincadeira. Ficou muito bom o seu texto, criatura. Estava realmente complicado fazer qualquer tipo de parecer a respeito dos nossos contos, pois cada um, com suas especificidades, fez sua parte. Agora, como havíamos conversado, não tem como não perceber para qual lado você “pende”; coincidência, ou não, em algumas partes umas personagens falam mais que as outras kkkkkkkkkkkkkkkkkk não tem como escapar disso.

    Flw, e boa leitura. decência

  3. Parabéns amor!
    Vi, aqui em casa, como você se esforçou para escrever esse texto. Sabia o que ia escrever, mas não fazia idéia de como ia começar. E mesmo com toda essa dificuldade você não relaxou e simplesmente escreveu comparações bestas, você criou mais um conto brilhante! Essa idéia dos personagens se encontrarem foi um desfecho arrematador. E além de tudo conseguiu ser imparcial em todos os temas, não pendendendo para lado algum, como Reinaldo falou.
    O título também foi muito bom! Muita gente confunde opinião com obsessão.

    Mais uma vez, parabéns Edu!!

    xD

  4. Ficou muito legal mesmo. Um ótimo desenlace. Só tem uma coisa: penso que a atriz deveria ter dado umas porradas na garota da plateia (risos).
    Gostei muito. Parabéns!

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