A Morte em Veneza – Thomas Mann

Por José Reinaldo do  Nascimento Filho

14/03/2010

Morte em Veneza é uma novela escrita por Thomas Mann, publicada pela primeira vez em 1912.

Em aproximadamente cem páginas, Thomas Mann apresenta a estória de um escritor de meia-idade, Gustav Aschenbach, que viaja até Veneza, onde apaixona-se platonicamente por um jovem rapaz, extremamente atraente e intrigante, de nome Tadzio.

Para aqueles que leram o resumo acima, o “caso” entre os dois personagens pode, à primeira vista, apresentar-se como um romance homossexual (romance homossexual? Existe isso?); contudo, conforme a narrativa ganha maturidade, Mann constrói, entre os dois, um “amor ideal”, não, uma “inveja ideal” (Essa eu apelei). A verdadeira atração de Gustav se mostra pela beleza e perfeição do jovem, ele quer ser “o menino”, ser gracioso e vivo como fora em algum momento da vida.

Penso o protagonista, Gustav, da mesma maneira que o pintor do retrato de Dorian Gray. A atração não está na carne mas nas forma idealizada de beleza. Gustav apaixona-se pelo jovem e toda sua graça angelical, quase andrógina, situação que ganha evidência nesse trecho:

“Em face da doce juventude que o cativara sentia nojo de seu corpo envelhecido.”

Segundo o autor, o amor de Aschenbach por Tadzio se dá como uma paixão narcisista, em que o escritor ama, na beleza do menino, a sua própria imagem, a própria meta espiritual; seu sonho de beleza. Mas, como toda busca doentia, ou admiração doentia, resulta em tragédia, aqui a situação não difere; Gustav morre sem ao menos trocar uma palavra com o jovem que tanto o cativou.

A obra é de uma lucidez e profundidade incrível, e por isso merece ser lida.

Leia sem preconceito. Ler Thomas Mann é, antes de qualquer coisa, um exercício ao não preconceito. Aprendam com ele, apenas isso.

Flw, e boa leitura.

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2 Respostas para “A Morte em Veneza – Thomas Mann

  1. Sabiam que há sangue brasileiro correndo nas frases de A Morte em Veneza? Thomas Mann era filho de mãe brasileira, e a influência tupiniquim certamente está presente em todos os seus livros. Por sinal, filho de família de comerciantes, foi sua mãe que mais o incentivou a enveredar pela literatura e deixar de lado a vocação para o comércio. Graças ao êxito da sua progenitora hoje podemos ler (e reler) clássicos como A Morte em Veneza, A Montanha Mágica, dentre tantos outros.

    Mais um na minha lista.

  2. Aí sou eu que pergunto: onde está a suposta antítese ou inexistência dos termos coligados “romance homossexual”?! Aliás, para que precisa incluir qualquer termo depois da palavra romance? Sendo este o paroxismo do platonismo (no sentido mais literal e idealista do termo, inclusive), romance é um termo bem aplicado? Bom, sejam quais forem as respostas a qualquer uma das perguntas, fico muito contente sempre que vejo alguém lendo “sem preconceitos” (como disseste tu) esta obra literária perfeita, quiçá o melhor livro que já li (no sentido mais auto-identificatório do termo), em que a impermanência da beleza em face do tempo e da inspiração é algo que seduz qualquer um que já tenha sentido na pele a decadência dos dias hodiernos.

    Recomendo-te, inclusive, caro Reinaldo, a versão fílmica do Luchino Visconti, que, sendo ele homossexual, aristocrata e marxista, traduziu magnanimamente cada filigrana sinoptíca do enredo, mesmo realizando mudanças cruciais entre uma obra e outra, já que, no filme, o protagonista é um músico (o que torna mais explícita a associação com o Gustav Mahler), há uma prostituta nas lembranças tardias do mesmo (chamada Esmeralda, para forçar uma aproximação nietzscheana, segundo um exegeta que consultei) e, tratando-se de imagens, não há como se pensar na consumação “romântica” (devidamente aspeada) no plano carnal também, visto que o Björn Andresen, modelo do Tadzio em película, é “o” polaco…

    Tenho que te passar este filme, Reinaldo. Devo!

    Pena que presenteei este livro para uma paixão frustrada de meu passado recente e agora não tenho como relê-lo. Pena! E olha que a morte e velhice que me esperam está bem distante dos hotéis coléricos de veraneio italiano…

    WPC>

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