Três amigos e sua floresta

Por Maria Déborah Ribeiro Nascimento

O sol nem aparecera ainda, mas a floresta, aos poucos, se acordava. Do silêncio que reinava, passou-se a ouvir a rotina diária dos animais: a caça. Uns eram os caçadores, outros, a caça. E entre os animais que caçavam, lá estavam três pequenos índios, amantes da natureza; consideravam-se parte da floresta, portanto, animais também. O mais velho deles, de 11 anos, era Cauã, que do Tupi quer dizer Gavião. Suas maiores características eram seus cabelos negros e longos e sua grande destreza com o arco e flecha. O segundo, de 10 anos, era Piatã, que do Tupi quer dizer forte e rigoroso, o que caracteriza muito bem a sua aparência e personalidade. Apesar de mais jovem, era o mais alto e forte, possuía cabelos curtos e tinha grande habilidade com a lança. E por fim, não menos importante, Maiara, que do Tupi quer dizer “a sábia”, bem apropriado à pequena índia, pois, possuindo apenas 11 anos, era detentora de grande conhecimento sobre a aldeia, floresta, animais etc. Não possuía grande habilidade manual, portanto, carregava apenas uma pequena lança para defesa pessoal. Tinha cabelos negros, lisos e muito longos, e carregava consigo grande beleza.

Como já era de costume os três companheiros saíam cedo pela floresta, algumas vezes para caçar e outras só pelo gosto da aventura. A manhã na floresta passava rápido, e logo o sol atingiu o meio do céu, indicando aos indiozinhos o horário de voltar. Piatã, no entanto, não queria voltar para a aldeia sem levar uma caça. Exatamente nesse momento viram uma paca, e Piatã, na tentativa de aproximar-se, acabou assustando-a. Não querendo perder a caça, correu atrás do animal, que acabou escapando.

– Perdi mais um!

– Calma Piatã… da próxima a gente consegue – Disse Cauã.

– … Tá certo…

– Ouviram isso? – Disse Maiara.

– O que?

– … Isso! Não ouviram?

Maiara referia-se a um som que vinha de dentro da floresta.

– Não parece ser um animal…

– É Cauã… não parece ser um animal… vamos ver o que é? – Disse Piatã já animado com a idéia.

– Mas nós temos que voltar…

– Que isso Maiara, na seja medrosa, é rapidinho. Anda, vamos!

Quanto mais se aproximavam do meio da floresta, mais o som ficava forte, e mais certeza eles tinham de que não se tratava de um animal. Ao chegarem ao local não acreditaram no que viram.

– Não pode ser! – Exclamou Cauã.

Os três permaneciam escondidos enquanto observam a sua recente descoberta. Um grupo de homens brancos derrubando árvores com suas motosserras, causando enorme barulho e acabando com a paz.

– Estão derrubando as árvores…

– É Maiara. Mas podemos muito bem impedi-los!

– Como podemos fazer isso Cauã? Eles são homens e nós apenas crianças. Devemos avisar ao povo da aldeia?

Não, não vamos avisar! Resolveremos esse problema apenas nós mesmos. Não podemos deixar que façam isso com a nossa floresta!

Eles continuaram observando aquela destruição, até que um dos homens percebeu a presença deles e olhou em sua direção. Assustados, os três saíram correndo. Chegando à aldeia, foram repreendidos pelo atraso e proibidos de saírem à tarde. Resolveram usar esse tempo para planejarem como fariam para expulsar os desmatadores.

No dia seguinte os índios levantaram para colocarem seu plano em ação. Logo cedo foram ao local desmatado, os homens não haviam chegado ainda, portanto, tiveram tempo suficiente para preparar tudo.

Quando os desmatadores chegaram tiveram uma enorme surpresa: três pequenos índios estavam em “suas” propriedades. Um dos homens apressou-se em expulsá-los, no entanto, os índios não se mexeram. Os homens, já impacientes, foram em direção às crianças, e nesse momento o plano deles foi posto em ação. Cauã, que estava posicionado no meio, fez um sinal com a mão direita, então começou a surgir entre as árvores e os arbustos, os amigos dos índios: os animais! Nas árvores surgiram vários tipos de aves como araras, tucanos, muntuns, ararajuba, uirapurus, além de macacos como o macaco-aranha, barrigudo e até a preguiça estava lá. Na terra, animais de todas as espécies surgiram no local: capivaras, antas, jacarés, jaguatiricas, onças, pumas, sussuaruna e o tamanduá-bandeira. Os homens, assustados, deram um passo atrás, e por fim, fugiram quando Cauã, Piatã, Maiara e seus amigos animais partiram pra cima deles. Os índios comemoraram bastante sua vitória, só lamentaram por não poderem contar a ninguém sobre seu ato heróico.

Os dias se passaram após o acontecido, e os três amigos lá estavam novamente a se aventurar pela floresta. Quando de repente ouviram um som familiar… sim|! Era de novo as motosserras!

– Pois é, lá vamos nós de novo… – Disse Cauã.

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5 Respostas para “Três amigos e sua floresta

  1. Esse texto carrega um valor externo ao seu próprio conteúdo. Ele é um pouco melancólico por sabermos ser a despedida de Déborah. Você se despediu bem, Deby. Imagino que foi difícil para você escrever esse texto, já que demorou tanto, mas escreveu com competência, como é seu costume.
    Como disse Reinaldo, espero que volte um dia por iniciativa própria.

    Um abraço.

  2. Quando li só pensei nos roteiros de um história da Turma da Mônica protagonizada por Papa-Capim; e antes que pense que isso é ruim, é muito bom pois se você quis uma história infantil, conseguir um resultado comparável a maior história em quadrinhos nacional é muito bom.

    Parabéns, e espero que volte um dia!

    🙂

  3. Mais um belo texto! Que triste é a sua saída temporária. De qualquer forma, para mim, seus textos permanecerão como um modelo, um ideal a ser seguido.
    Parabéns!!

  4. Primeiro, desculpa pela demora.
    Parabéns pela história Déborah! Apesar de seus temas preferidos serem mais românticos, para mim, esse tipo de aventura que você escreveu traduz muito a aventureira que você é. rsrsrs
    E nem pense que essa é a sua despedida. Você ainda vai contribuir em muito para o nosso blog como tem contribuído nesses 9 meses mais ou menos.

    Parabéns novamente Deh!!!

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