Dom Casmurro – Machado de Assis

06/04/2010

por José Reinaldo do Nascimento Filho


Comecei nesse domingo; terminei hoje.

Existe alguma coisa de errado em mim (será mesmo?), porque, em algum momento definido, criei total antipatia para com os textos passados pelos professores do meu curso. Hoje, por exemplo, tive que ler e apresentar, em sala de aula, um capítulo da obra Evolução Política do Brasil, do Caio Prado Junior. Não sei o que está acontecendo comigo, não sinto a mínima vontade de ler esses textos. Uma vez ou outra encontro alguns interessantes, mas sempre ligados a micro-história ou História Cultural, que tem uma linguagem mais aproximada da literatura. Preciso rever meus conceitos. Não consigo ocupar mais meus tempo  com outra coisa que não seja com isso (vejam se estou errado):

“Quando me perguntava se sonhara com ela na véspera, e eu dizia que não, ouvia-lhe contar que sonhara comigo, e eram aventuras extraordinárias, que subíamos ao Corcovado pelo ar, que dançávamos na lua, ou então que os anjos  vinham perguntar-nos pelos nomes, a fim de os dar a outros anjos que acabavam de nascer.”

Lindo, não?!

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3 Respostas para “Dom Casmurro – Machado de Assis

  1. Cuidado com esse encantamento. Claro que a aventura literária é empolgante, mas não perca os seus objetivos de vista. Claro, se as suas metas mudarem de lugar, aí então já é outra história. Há algo híbrido que poderia servir bem para você. O Mestrado em Letras da UFS tem entre os seus professores o Prof. Fernando Sá, e há uma ligação íntima entre Literatura e História. Deveria tentar conciliar as duas coisas.

    Ah!, e quanto a Machado, bem, nenhum comentário é suficiente ou mesmo necessário.

  2. Outra coisa que esqueci de comentar: Você deveria ter escolhido uma capa mais clássica para obra tão especial. Essa capinha da série Bom Livro com o retrato e a criança assemelhados é uma coisa de péssimo gosto. Terrível!

  3. Vamos lá: nem preciso dizer o quanto DOM CASMURRO foi relevante em minha adolescência. O deve ter sido na vida de todos os seres, mas algo em particular me cativou na primeira metade: as promessas acumuladas e não-cumpridas do protagonista. Lembro que, aos 12 anos de idade, quando descobri a masturbação (e pior: a masturbação de cunho homossexual depois de uma vida sexual intensa e promíscua de 7 anos!), identifiquei-me com estas passagens, visto que, católico praticante que era, atormentava-me fortemente pelo senso contínuo de pecado, que nunca me abandonava e sempre crescia… E tudo no livro me consolava, aquela paixão idílica que eu nunca seria dado a viver, não importa o quanto eu sonhasse…

    Quando reli o livro, outros pontos me interessaram, mas… Nunca conseguirei fugir destas lembranças.

    Quanto ao lance do texto que desgostaste, digamos que, por pura coincidência, acabei de encontrar um 7 ou 8 de seus colegas de classe e estes transmitiram-me abismados o choque que sofreram diante de tua apresentação iconoclasta de trabalho. Fiquei orgulhoso por dentro. Foi lindo!

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