O Senhor das Moscas – William Golding

Por José Leonardo Ribeiro Nascimento

Uma surpresa. Encontrei esse livro em um sebo em Brasília e não titubeei: adquiri-o imediatamente. Hoje viajei a trabalho e, sabendo que teria à minha disposição um tempo razoável, resolvi iniciar a leitura do romance. Não é que hoje mesmo terminei?

O livro foi escrito em 1954, pelo inglês William Golding, vencedor do Premio Nobel de Literatura. A história é uma espécie de fábula, e soará bastante familiar a quem tiver lido “A Revolução dos Bichos”, de Orwell. Alguns garotos de um colégio (ou de vários colégios) viajavam de avião, que acaba caindo em uma ilha. Não é explicado no livro como exatamente essas crianças sobreviveram sem um arranhão, nem como não há sinal do avião na ilha, mas certamente isso faz parte da alegoria da qual o autor se utiliza.

Há diversos simbolismos na história, a começar pelo título do romance, que é, etimologicamente, o significado de Belzebu, sinônimo para o diabo. A ilha parece representar o paraíso, pois, ao tomarem conhecimento de que estão ali sem a supervisão de qualquer adulto, as crianças têm a impressão de que serão eternamente felizes, até que vem à tona a imagem do “bicho”, que, primeiramente, é descrito como “bicho-serpente”, alusão óbvia à serpente que levou Adão e Eva a cometerem o pecado original.

Há alguns estereótipos na história: Porquinho, o inteligente, Ralph, o carismático, e Jack, o caçador, que se sobrepõe pela força. O autor também esboça a criação dos mitos, o surgimento da maldade, a necessidade de rituais, a selvageria nascendo da falta de esperança.

Trata-se de uma leitura rápida, mas a reflexão que se segue é mais duradoura. Não espere finais felizes.

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Uma resposta para “O Senhor das Moscas – William Golding

  1. Na biblioteca, só há uma versão do livro em inglês. Por causa disso, William Golding proporcionou-me a honra de ingressar na literatura anglofílica em língua pátria. Em verdade, cheguei ao filme por três motivos particulares: a) o nucléolo proto-anarquista do bairro em que moro venerava o seu autor porque este era citado em canções do The Clash, mas nunca leram uma linha do mesmo (até 2003, pelo menos. Depois, eu disponibilizei uma versão em português que um colega de classe me conseguiu); minha mãe era obcecada pela versão fílmico-televisiva de Harry Hook (1990), protagonizada pelo Balthazar Getty; e c) um amigo iconoclasta descobriu que a versão cinematográfica do Peter Brook (1963, boníssima) foi responsável por um sindicato britânico de homossexuais adolescentes que protestavam em favor da diminuição da maioridade sexual do País.

    A condução “estereotípica” do livro é particularmente soberba em suas confirmações e inversões rosseaunianas e, como estava começando a militar em prol do vegetarianismo quando li o livro pela primeira vez, detectei nele profundos germes de militância social apocalíptica mais ampla. Belíssimo, belíssimo livro, do qual recomendo também as duas versões cinematográficas supracitadas, sendo a mais recente um xodó particular dos alunos de Psicologia da UFS (risos). Eles amam-no!

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