Mary and Max – Adam Elliot

15/05/2010

Por José Reinaldo do Nascimento Filho

Após sair da sala 2 do cinema e pegar o ônibus em direção a minha casa, constatei duas coisas: a primeira, os bons deveriam ser mais intransigentes;  segunda, a pobreza é feia. Entenderam alguma coisa? Explico. Me deparo, às vezes (minto, deveria ser constantemente), com pessoas que teimam em vegetar pela vida sem produzir nada (nem para o mal e nem para o bem). Criaturas que navegam no mar da inutilidade e que, por mim, deveriam ser exterminadas por raios provenientes do céu (piada interna). Em todos os lugares encontramos pessoas desse tipo, mas hoje escolherei uma área para exemplificar minha indignação, o cinema.

Jesus! São tantos remakes e produções multimilionárias cheias de dinheiro mas vazias em sentido, que fica difícil criar coragem para sair de casa e ir ao cinema. A pobreza no roteiro e riqueza de imagens está sendo transportado para todos os cantos como uma epidemia; vejam por exemplo o show do “cantor” Luan Santana, parece o Pink Floyd em estrutura, mas Fresno em qualidade musical. Contudo (como gosto desta palavra) alguns diretores não foram contaminados – ainda – pelo mal do “3D explosion”, e nos oferecem raros filmes (ou curtas) dignos da nossa atenção, e é graças a um desses diretores que posso falar, com toda convicção, Mary e Max é um caso raro.

No filme supracitado pude perceber que algo muito bom foi produzido (muito bom, e para o bem). Lembram daquele curta que passa antes do filme “Up – Altas Aventuras”? Pois bem, Mary e Max segue aquele tipo de pensamento: cativar-nos com personagens de massinha (o curta é 3D sem explosão) mas que sangram como nós mortais; ensinar-nos que é possível ser bom apesar das adversidades e, por fim, nos ensinar a sermos pessoas-humanas. Ah como saí feliz daquela sala! Não lembrava a última vez que havia chorado por causa de um filme. Sim, eu chorei.

Parem de assistir às merdas. Corram para o cinema e vejam Mary e Max.

Ah, sim. Sobre a pobreza ser feia. Assim que peguei o ônibus passei pelo centro da cidade por volta das 20 horas, e o que vejo: prostituição, crianças perambulando sem destino, idosos deitados em calçadas e usuários de drogas aos montes. Interessante como é fácil vislumbrar a verdadeira face do nosso país, basta esperar a luz do dia desaparecer.

Hoje meu dia foi produtivo?

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4 Respostas para “Mary and Max – Adam Elliot

  1. Tive que pular a leitura do terceiro parágrafo por motivos óbvios, mas… Imagino que o filem deva ser genial mesmo! Acho que vou vê-lo segunda ou terça-feira à noite, quando terei folga…

    Amanhã verei OS FAMOSOS E OS DUENDES DA MORTE, por motivos bem pessoais, que têm a ver com teu protesto musical breve e fundamentado assim mesmo. Quanto à pobreza e à “inutilidade” de algumas pessoas, fica a sensação de impotência que confessei envergonhado diante daquela foto-pesquisa que me mostraste, mas…

    É isso, a gente segue: acabo de ver um filme português brega absolutamente extático! Estou que nem tu!

    WPC>

    • PS: eu ainda não sei quem é o tal do Luan Santana, mas já ouvi três reclamações sobre ele, só hoje. Em breve, descobrirei com temor, penso!

      Quanto ao excesso de regravações, sabes o que acho, né? Triste! Mas sempre há muitas preciosidades originais sendo lançadas em países que não os EUA. Amanhã tem um filme boliviano interessante na TV Aperipê, por exemplo. Arrisque!

      WPC>

  2. Tive o privilégio de assistir a Mary e Max no cinema há umas três semanas, em Brasília. Na oportunidade, meus comentários levaram Reinaldo a me pedir para escrever um post sobre a obra. O post não saiu por minhas mãos, mas saiu agora. Ótimo.

    O filme é daqueles que me deixam sem palavras. Para mim, um pequeno filme perfeito. Perfeito pela história de amizade (eu acredito no amor, sempre acreditarei); Perfeito pelo fato de ser uma “animação desanimada”, já que muito pouco de verdadeiramente animado acontece no filme; Perfeito pela trilha sonora, marcante; Perfeito pela coragem de usar piadas politicamente incorretas (ele tem medo de sair de casa, é homofóbico! kkkkkkkk); Perfeito pela qualidade da produção, que faz você querer conhecer o diretor só para saber quem faz algo tão bom; Perfeito por ter algumas cenas antológicas (a cena do “suicídio” é algo para entrar para a história do meu cinema. Nunca vi algo tão tristemente belo).

    Para mim, assistir a bons filmes no cinema é algo tão raro, que fico com uma sensação de ter sido um “escolhido” por conta do privilégio que tive. Senti nesse filme a mesma coisa que senti quando vi “Dogville” no Riomar, ou quando vi “As Invasões Bárbaras”, “Quero ser John Malkovich”, “Magnólia”, “Persépolis” (esse em Brasília), “Um plano simples”, de Sam Raimi (que filmezinho mais triste)…

  3. Pingback: Melhores Momentos – 2010 – Reinaldo | Catálise Crítica

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