Angústia – Graciliano Ramos

18/05/2010

Por José Reinaldo do Nascimento Filho

Terminei.

Graciosa a forma como esse autor conseguiu condensar – sem perder suas especificidades -, estórias pessoais, História e a narrativa literária. Sobre a primeira é preciso ser sabido que a obra se passa no período em que Graciliano estava preço sob o regime Varguista, e que isto afetou sua forma de escrever e entender a História. Aqui entra o segundo ponto, que basicamente, através de reminiscências, personagens, “discursos” inseridos no texto e diálogos interessantíssimos, passam-nos a idéia de como foi a República Velha (1889-1930). No terceiro ponto, “a narrativa literária”, prefiro não tecer comentário algum, pois da mesma forma que o silêncio diante da obra machadiana é medida confirmante da sanidade, aqui o mesmo acontece: Graciliano é genial.

Um pouco mais de Angústia:

Como é, e como se sente Luis da Silva

“Tenho a impressão de que estou cercado de inimigos, e como caminho devagar, noto que os outros têm demasiada pressa em pesar-me os pés e bater-me nos calcanhares. Quanto mais me vejo rodeado mais me isolo e entristeço. Quero recolher-me, afastar-me daqueles estranhos que não compreendo, ouvir o Currupaco, ler, escrever. A multidão é hostil e terrível.”

Sobre a dignidade do “véio é molambo” (piada interna):

“Nunca se acaba a dignidade da gente, d. Adélia. Agente é molambo sujo de pus e rola nos monturos com outras porcarias, mas recorda-se do tempo em que estava na peça, antes de servir.”

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