O Suicida – Jorge Luis Borges

Não restará na noite uma só estrela.
Não restará a noite.
Morrerei e comigo irá a soma
Do intolerável universo.
Apagarei medalhas e pirâmides,
Os continentes e os rostos.
Apagarei a acumulação do passado.
Farei da história pó, do pó o pó.
Estou a olhar o último poente.
Ouço o último pássaro.
Lego o nada a ninguém.

Jorge Luis Borges, in “A Rosa Profunda”

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Uma resposta para “O Suicida – Jorge Luis Borges

  1. O que é uma postagem providencial! (risos)

    Sempre tive pensamentos suicidas (coerentemente abafados por minhas crenças religiosas), mas estes sempre regidos por um sentimento exibicionista caro à minha filiação lasciva ao pós-modernismo. Tu e o Borges mostraram-me agora que as diferenças entre egoísmo e altruísmo suicida (conforme estudados pelo titio Durkheim) vão bem além do que meus maneirismos vitalícios deixavam entrever…

    Obrigado, portanto!

    WPC>

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