Caso Contado Contado à Sombra do Mercado – M. Ribeiro da Cruz

Por José Reinaldo do Nascimento Filho

Terminei.

Terminei CASO CONTADO À SOMBRA DO MERCADO faz 4 dias, precisamente no dia 23/06/2010. Venho aqui precisar a data, porque me aconteceu, nesse lindo dia, um “causo” digno de nota; e tão “curioso” quanto aqueles inseridos no livrinho de M. Ribeiro da Cruz. Respirem fundo e, por favor, não riam.

Rodoviária de Aracaju, Sergipe, 23/06/2010.

– Irmão, uma passagem para Simão Dias…

– Quantas?

– Uma.

– Tem um carro saindo daqui a uma hora. Vai querer esse?

Olhando com muito gosto para seu relógio (novo), Reinaldo  responde:

– Daqui a uma hora?! Ah, vai essa mesmo.

– Plataforma 8. Às 13:00 horas em ponto.

– Plataforma 8. Às 13:00?

– Isso. Plataforma 8. Às 13:00 horas.

– Valeu.

O jovem caminha em direção de uma banca que ficava próximo das plataformas. Chegando na dita cuja, ele deixa suas sacolas ao alcance das vistas e fica lá a folhear um revista de nome “Superinteressante, especial vampiros”. Em pé, e aproximadamente durante 1 hora, o jovem fica ali esperando o aguardado instante em que iria entrar no busão para, por fim,  regressar à sua terrinha querida (Paripiranga).

Percebendo que a garota responsável pela banca de revista estava com uma feição não muito amigável, pois Reinaldo teimava em folhear revista e mais revistas sem nada comprar, a criatura resolve sair, e aguardar, sentado no chão, enquanto lia às últimas páginas do livro que dá título ao post, seu transporte que tardava em  não chegar.

Por fim, ele, o ônibus, dá as caras. Às 13:00 horas em ponto, o dito aparece e estaciona na Plataforma 8. Embocando no ônibus, a anta do jovem Reinaldo procura um lugar para sentar e, sem confirmar o destino do “Pau-de-arara”, ele escolhe uma das últimas poltronas livres; guarda suas sacolas (pesadas sacolas), pega o livro e, por fim, volta a lê-lo.

– Finalmente! Tava na hora dessa joça começar a andar, pensou Reinaldo.

Assim que o jovem, já sentado e no conforto da poltrona deu início à sua leitura, uma criatura monstruosa, do seu lado, começa a cantar em toda altura:

“Vem dançar menina
Arrochando no salão
Fico doido para arrochar liberar o meu tesão
Arrochando bem gostoso
Fazendo igual a mim
Mexendo sem parar
Está gostoso para danar”

Nesse singular momento os olhos de Reinaldo, juntamente com seu cérebro, diminuiriam de tamanho e, como se procurasse alguma coisa em meio ao nada, olhou para aquela criatura e… voltou para o seu livro. Não conformada com a “apaixonante” letra e melodia tão cativante, a “formosa” mulher começou a cantar um outro sucesso:

Todo mundo ta…ta quebrandoo!
Hoje o clima aqui ta bom…tah bom demaaais!
Eu sei o que voce quer…quero mexeeeer!

Ai que vontade de dar umaaaaa!
arrochadinha, arrochadinha, arrochadinha…arrocha!

Jogue a mao pra cima…e bate palmaaa!
Balança pro lado e pro outro…vc tambem!
Eu sei o que voce quer…quero mexeeer!

Ai que vontade de dar umaaaaa!

arrochadinha, arrochadinha, arrochadinha…

– Eu mereço, Eu mereço, queixou-se em pensamento o estúpido Reinaldo.

De repente um celular toca: “Rah-rah-ah-ah-ah-ah; Rama-ramama-ah; GaGa-ooh-la-la!; Want your bad romance…”.

– Alô. Diz aí mulher!, exclama com sua voz melodiosa a “cantora do ônibus”. Tô sanindo de Aracaju agora… “Praquê”? Eu num te conto… Meu namorado foi preso! Sim, isso mesmo que você ouviu: preso. Por quê? Foi vender uns “gado” sem documento e entrou em cana. Agora eu estou indo levar os documentos. Nesse momento ela percebeu que estava falando um pouquinho a cima da média, e resolve diminuir sua voz. – Tirei minha fia. Tirei 9.5. E aquele viado do professor me deu 9.5. Eu fiz um barraco!, pois merecia 10. Cê tá pensando o quê? Eu faço é MEDICINA! (por algum motivo desconhecido, ela carregou o MEDICINA como se tivesse um bolo de catarro preso à garganta). É viado mesmo aquele corno. Não muito aguardado pelos viajantes, a mocinha termina com uma frase globar/filosófica. – Eu falei viado, mas eu não sou preconceituosa, não! Viado, Sapata, Gilete, “o importante mesmo é você ser o que é por dentro, e não o que os outros pensam que você é por fora“.

– Profundo, pensou Reinaldo.

Não foi colocado ainda no texto, mas é preciso salientar que a “cantora” ouvia, através de um fone de ouvido, suas músicas, e, “por isso”, não percebeu que estava cantado tão alto  e sendo inconveniente. Após “abrir” seu coração, Ela resolve por um fim à conversa e volta à sua música; e, Reinaldo, ao seu livro. Após uns 30 minutos de viagem o cobrador aparece para (surpresa) cobrar as passagens. Saindo da primeira poltrona à última, o dito, finalmente, chegou até Reinaldo:

– Passagem?

– Sim, já tenho a minha. Reinaldo tira do bolso um amassado pedacinho de papel e entrega ao cobrador.

– Você vai para onde?

– Simão Dias.

– Onde?!

– Simão Dias. Por quê?

– Você está no ônibus errado, na empresa errada: esse ônibus vai para Paulo Afonso, na Bahia.

– … (cara de tacho). Me lasquei, pensou a anta. E agora?

– E agora? Agora você desse, pega um ônibus de volta para Aracaju: 2 reais, baratinho! Ou então para no próximo trevo; mas aconselho a você voltar para a Rodoviária Nova, pois é certeza de conseguir carro.

– Certo. Vou fazer isso.

Com um pouquinho de vergonha e com uma expressão de desanimado, aquele jovem desce do ônibus, atravessa uma grande pista, ainda em construção, e aguarda o  próximo “Pau-de-Arara”.

O resto da estória vocês devem ter adivinhado. Ah, sim. Leiam Caso Contado à sombra do Mercado, é muito engraçado.


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5 Respostas para “Caso Contado Contado à Sombra do Mercado – M. Ribeiro da Cruz

  1. KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK

    Impossível não rir alto!
    Se eu fosse publicar os “causos” similares que registro em minha agenda, fazia finalmente falir o “Zorra Total” (risos)

    Imagino o movimento de raios no céu como esteve durante esta espera (risos)

    WPC>

  2. E uma dúvida crucial faz com que eu não consiga imaginar a contento o desfecho de teu périplo: tu não leste o que estava escrito em teu cartão de embarque quando o recebeste? Sou tão psicótico que quase decoro o número do código de barras quando estou prestes a viajar (risos)… Acho que sou bem mais “anta” que tu nesta situação, podes ter certeza, de maneira que minha auto-alegada “dislexia topográfica” só me atrapalha neste sentido…

    Quanto aos causos, insisto: tu deverias passar uma tarde aqui onde moro. Irias encher o teu ‘blog’ com reflexões deste tipo (risos)

    WPC>

  3. Ai, que vontade de dar uma, ai que vontade de dar uma… GARGALHADA!!!!!!!!!11

    KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK

    Essa é uma das histórias mais ridículas. Se fosse eu no seu lugar, quando o cobrador me perguntasse para onde eu estava indo, a vergonha de se descobrir estúpido seria tão grande que muito provavelmente eu perguntaria: Para onde o ônibus vai?
    Ele diria: – Paulo Afonso.
    E eu: – E passa por onde?
    – Por Carira (sei lá se passa).
    – Estou indo a Carira.

    O cara entrar em um ônibus sem antes olhar para o percurso que ele fará é algo digno de um completo lerdo… KKKKKKKKKKKKKKKK

    P.S.: Mas leiam Caso Contado à Sombra do Mercado. É muito, muito interessante mesmo. Desperta um sentimento nacionalista, um orgulho pela nossa cultura… E diverte.

  4. Impossível não rir!!!!! kkkkkkk
    Infelizmente essas “divas da música” povoam os transportes intermunicipais. Meus tímpanos também sofrem muito com esses e essas aspirantes ao programa “ìdolos”. Você me arrancou da memória boas situações hilárias que vivi por anos no trajeto Aracaju- Lagarto kkk.

  5. Pingback: 72 Horas para Morrer – Ricardo Ragazzo « Catálise Crítica

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