A Árvore dos Desejos – William Faulkner

Por José Leonardo Ribeiro Nascimento

Descobri, há pouco tempo, William Faulkner, por meio de Luz em Agosto, uma obra-prima. Li Enquanto Agonizo e há uma série de obras do escritor na minha fila de leitura. Não sabia, entretanto, que ele havia escrito uma história infantil. Meus agradecimentos à Cosac Naify por lançar esse projeto tão ousado: um livro de cinquenta páginas, com pouco apelo comercial, mas com um acabamento de primeira, de dar gosto. Encontrei esse livro na Livraria UFMG e não pensei duas vezes: vou comprar e ler para o meu filho, André, de seis anos.

“Os pais se realizam nos filhos” é uma frase extremamente comum e com uma boa dose de verdade. Acredito que os pais têm que exercer uma influência forte sobre suas crias, esforçando-se ao máximo para que seu exemplo seja o melhor possível. Vejo com alegria o gosto que André tem desenvolvido pela leitura, e credito boa parte disso ao fato de minha esposa e eu, especialmente, vivermos com um livro na mão. Os pais querem o melhor para os seus filhos. Se um filho quer um pão, qual pai lhe dará uma pedra? Eu quero que meu filho não somente leia muito, mas que desenvolva um bom gosto para a leitura. Por esse motivo a aquisição de Faulkner. Daqui a alguns anos poderei dizer, com muita alegria, ao meu filho, já adulto, que o primeiro livro que li para ele foi um Faulkner, o que não é pouca coisa.

O livro conta a história de Dulcie, no dia do seu aniversário, em uma viagem que inclui pôneis de brinquedo que se tornam reais, árvores cujas folhas mudam de cor, desejos realizados, animais fantásticos, “querida, encolhi as crianças”, e muito mais, até uma reflexão sobre a guerra. É um livro para ser lido em voz alta, e Faulkner deve tê-lo lido para seus filhos.

Confesso que senti uma enorme satisfação em sentar com meu filho na cama e ler, fantasiar a voz, estimular sua imaginação, rir, explicar uma palavra nova, uma metáfora inesperada (em Faulkner isso é sempre comum). E os olhos do meu filho, olhando para mim, ah!, aquilo arrasa qualquer coração. Você chega a sentir o amor falando alto naquele olhar. Quanta alegria para meu filho ter ouvido “A Árvore dos Desejos”. Mais do que a história em si, para ele, foi a minha presença, acumplicidade das risadas, os carinhos, dormir em uma parte mais monótona da história, embalado pela voz do pai, que tornaram aqueles momentos tão especiais.

É só um livrinho infantil! É só mais um pai lendo para um filho! Muitos antes o fizeram e muitos o depois o farão (e provavelmente muitos, simultaneamente, o faziam). Mas foi um momento especial para mim e para André, algo que sempre sonhei: ler para meu filho.

Tenho a firme convicção de que devemos educar nossos filhos para a virtude, e a meta que tenho é: devo ser mais virtuoso que meus pais e meu filho deve ser mais virtuoso que eu. As gerações vindouras devem ser melhores que a nossa geração atual.

Sei que esse post não vai ter sentido completo para quem ainda não afagou os cabelos de um filho, não sentiu a emoção de ser abraçado com carinho por alguém que, há pouco tempo, só comia e dormia, e há também pouco tempo, nem exista… Asseguro que nenhuma situação pode emular o sentimento provocado por esses gestos simples.

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4 Respostas para “A Árvore dos Desejos – William Faulkner

  1. No entanto podemos imaginar.

    (para quebrar o clima: acho que vou ler Contraponto para Dênis… kkkkkkkkkkkkkkkkk)

    Parabéns para você e André!

  2. Eu nem imagino o que acontecerá se, quando Beatrix nascer, ela desenvolver o mesmo gosto pela leitura. Imagine…. meu Deus…. 😀

    hehehe

    E como voc~e falou em um escritor que você gosta tanto escrevendo histórias infantis, Tolkien também escreveu uma história infantil para seu filho. Roverandom é um livro que tenho muita vontade de ler, e não duvidaria que ele também proporcione momentos como este que voce descreveu.

    🙂

  3. Num verbo conjugado na primeira pessoa: ACREDITO!

    E, definitivamente, William Faulkner está em minha lista!

    WPC>

  4. Pingback: Resenha – O Som e a Fúria – William Faulkner | Catálise Crítica

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