O tempo não te deu sabedoria

Por José Leonardo Ribeiro Nascimento

 Já cumprido o tempo da colheita

O homem espera outra planta

Mas desaprendida tal empreita

Visível por que ilusão tanta

.

Virtude: ris, ó filho de adão

Serves ao vil, desprezas justiça

Amas o pó dos sóis que virão

Mentira velha que ainda atiça

.

Alimentas teu irmão com pó

Leva à morte, maná às avessas,

Renuncias à trilha melhor

Pra estrada que cega te apressas

.

Tens tempo, mas não sabedoria

Toda a urbe adere, iludida

Na sombra de vil planta confias

Perde todos teus gestos sem vida

.

Sendo eu servo tão esmerado

Duro ofício cumprir me apetece

Labuta com mau fim já traçado

Sacrifício que é minha prece

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5 Respostas para “O tempo não te deu sabedoria

  1. É nesta hora que bem cabe o aforismo de Abigail Van Buren: “A sabedoria não vem automaticamente com a idade. Nada vem – exceto rugas. É verdade, alguns vinhos melhoram com o tempo, mas apenas se as uvas eram boas em primeiro lugar.” – E eu chego aos 30 anos ano que vem e tomo na cara com este tipo de conclusão (risos)

    Por sorte (sorte?), minha educação infantil foi totalmente informal e não sei chamar ninguém de “senhor”, o que quase me causa problemas no DAA: tratar alguém de 75 anos por tu é uma de minhas marcas registradas…

    Poema teu? Glupt!

    WPC>

  2. “Glupt” por que?

    É e não é meu. Vai ter um post esclarecendo já, já. Eu fiz, mas como elemento diegético de “A poeira na estrada”.

  3. Glupt! por que me pareceu espantoso de bom e, seja lá de quem for, me deixou com a garganta presa, com a úvula inflamada de identificação responsiva…

    E eu bem que sabia que já tinha lido este “filho de Adão” noutro bêco (risos)

    WPC>

  4. Relendo meu comentário, o ‘glupt’ ficou parecendo julgamento de valor…
    Não foi minha opinião (risos)
    É que o dedo deve ter falhado na hora em que apertei o “enter” (risos)
    “Glupt” é uma onomatopéia que muito uso e valorizo (risos), sempre que me vejo estupefato (positivamente, geralmente) diante de algo…
    De resto, é isto: grandiosa citação…
    mantenho o “glupt”!
    Ainda mais intenso agora!

    WPC>

  5. Escrevi “opinião” pensando em “intenção” – está fogo! (risos)
    Defendo-me com uma obviedade: sou literariamente escravo dos atos falhos!

    WPC>

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