MEMÓRIAS DO CÁRCERE – GRACILIANO RAMOS

Terminei.

Sentado na cadeira do meu ônibus, preparando-me para dar início à leitura de “MEMÓRIAS…”, uma senhorita estaciona à minha esquerda, e pergunta: lendo Memórias do Cárcere? Tive vontade de responder: Não, Doce Veneno do Escorpião. Fiquei apenas na vontade, pois a resposta foi um simples, “Sim”. Ela, ansiando por compartilhar comigo os seus conhecimentos literários, prossegue: É bom? Eu respondo: Bom. No entanto gostei mais de Angústia. Memórias do Cárcere é um honesto relatório romanceado, contudo (como gosto dessa palavra) não é envolvente. Não contente com a minha resposta, a moça, sentindo-se na obrigação de compartilhar comigo sua preferência e conhecimento quanto aos romances do autor em questão, solta a pérola: Grande Sertão: Veredas é o meu preferido dele (Eu quase digo: É MESMO?! Está na hora de você rever os seus conceitos). Pobre “Rosas”.

Após compartilhar com o leitor desse caso sem muita repercussão, tenho de voltar à frase que resume as minhas impressões sobre o romance: “Memórias do Cárcere é um honesto relatório romanceado, contudo não é envolvente”. Na verdade, para ser realmente honesto, eu poderia colocar: Memórias do Cárcere é um honesto relatório romanceado, contudo, e é uma pena ter que escrever isso, não é, por completo, envolvente. Ou melhor: Memórias do Cárcere é um honesto relatório romanceado, contudo, e é uma pena ter que escrever isso, não me envolveu. Pronto, agora sim. Escolham um dos três, ou façam as suas leituras; porque a minha está baseada em uma leitura que começou envolvente, prosseguiu numa tentativa de entender o porquê de estar lendo esse livro – já que a estória/memória não emociona ou cativa, e o que “aconteceu” entre as grades e as constantes mudanças de cárceres não prendem o leitor – (melhor, não me prenderam na totalidade), mas “terminou” um pouco mais interessante (coloco parênteses por dois motivos: O primeiro, porque as últimas páginas do romance apresentam a comunista Olga Benário, e sua ida à Alemanha; segundo: o livro não foi concluído, já que o autor morreu antes que pudesse fazê-lo).

Não preciso expressar toda a minha admiração e “inveja” quanto à habilidade do Graciliano em escrever. O que posso destacar é que consegui perceber muito do Graciliano em Luis da Silva, personagem de Angústia, principalmente quando Ramos afirma: Sou um bom pai de família, um funcionário medíocre e um escritor medíocre (é mais ou menos isso). Se o leitor não entendeu é porque não leu Angústia. O que fazer, então? Ler ambos.

Por fim, não deixem de ler MEMÓRIAS DO CÁRCERE. Para mim não foi “cativante”, mas para vocês…

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3 Respostas para “MEMÓRIAS DO CÁRCERE – GRACILIANO RAMOS

  1. Pingback: fim de caso – Graham Greene | Catálise Crítica

  2. Estou lendo, mas o meu principal desafio está sendo a busca pelo despertar do envolvimento, e não a do ‘porquê’ de estar lendo essa obra. Me interesso muito pelo período em questão no livro, mas até agora a leitura não conseguiu me prender de fato, infelizmente.

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