Autoridade – Richard Sennett

Por José Leonardo Ribeiro Nascimento

24/08/2010

Terminei.

Um estudo interessantíssimo, que viaja pela psicologia, literatura, estética, sociologia, política e filosofia.  Um dos objetivos principais do livro é refletir sobre o seguinte:

“O dilema da autoridade em nossa época, o medo peculiar que ela inspira, está em nos sentirmos atraídos por figuras fortes que não cremos serem legítimas. A simples existência dessa atração não é uma peculiaridade do nosso tempo; os círculos intermediários do inferno de Dante estão povoados de pessoas que amavam a Deus mas seguiam Satanás.”

O autor lança diversas teorias e classificações, baseado em estudos de caso e opiniões de grandes pensadores das mais diversas áreas. Refletindo sobre os líderes autoritários, assim ele se manifesta, trazendo à minha mente algo muito próximo da realidade brasileira:

“Apelando para as virtudes da simplicidade, os líderes autoritários tentam destroçar ou abandonar a máquina comum de governo, a fim de poderem governar unicamente pela força de sua personalidade.”

Para encerrar o livro, o autor apresenta a história do Grande Inquisidor e Cristo, presente em os Irmãos Karamazov, de Dostoievski. Jesus voltou e está curando as pessoas, e o Grande Inquisidor o prende acreditando estar a serviço do próprio Cristo. As pessoas não querem ser livres, elas não saberiam o que fazer com a liberdade – encontrariam o seu próprio fim. Querem, todavia, acreditar que querem ser livres. Precisam ter a liberdade como constante meta, sem que jamais a possam alcançar. Lança então a sua conclusão, ao associar a autoridade à ideia de ilusão:

“A própria autoridade, no entanto, é intrinsecamente, um ato de imaginação. Não é uma coisa; é uma busca de solidez e segurança na força de outrem, que parece ser algo grandioso. Acreditar que tal busca possa ser consumada é, de fato, uma ilusão, e uma ilusão perigosa. Só os tiranos dão conta desse recado. Mas acreditar que a busca não deve ser conduzida é igualmente perigoso. Nesse caso, tudo o que houver será absoluto.”

14/08/2010

Do resumo contido no verso da edição que comprei, da Editora Record:

“A necessidade de autoridade é fundamental? Como os adultos se realizam ao se tornarem autoridades? Por que clássicos de Homero, Shakespeare, Dostoievski, Kafka e boa parte da literatura versam sobre o enfraquecimento da autoridade? Por que abrimos mão de nossa liberdade e nos tornamos dependentes de figuras autoritárias? Richard Sennett investiga o medo da autoridade, os arquétipos que o inspiram, e explora as melhores imagens de autoridade que deveriam existir em nossos horizontes.”

Gosto de ler. Gosto de literatura. Bastante.  E gosto da área da sociologia e da política. E quando vi que o autor, do alto de sua cultura, cita incessantemente diversos clássicos da literatura, meu interesse pelo livro aumentou consideravelmente.

Uma frase do livro sobre a psicologia social (ótima para os fãs da literatura):

“Uma censura comum é que se pode aprender mais sobre a complexidade das motivações e da percepção recíproca em um romance razoavelmente bom do que numa “sólida” pesquisa das ciências sociais.”

Estou bem no começo. Ao final coloco minhas considerações sobre o conteúdo da obra.

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2 Respostas para “Autoridade – Richard Sennett

  1. Puxa…
    Se Reinaldo tivesse lido isso antes da apresentação da monografia dele, ele ficaria ainda mais furioso com o desdém do professor inquiridor que o atacou sem motivo (risos) – Já tivemos 215 conversas sobre esta depedência de autoridade intelectual a que a Academia tanto insiste em nos violentar…

    Que venham tuas considerações futuras, sempre bem-vindas, claro.

    WPC>

    • Dois fatos sobre os comentários impertinentes do pseudoavaliador:
      – Ele NÃO leu a monografia e se considerou apto (ou quis aparentar ser apto) a apontar supostas deficiências do trabalho – COMO ISSO É POSSÍVEL, SE TRATANDO DE ALGO SÉRIO COMO A DEFESA DE UMA MONOGRAFIA, EM UMA UNIVERSIDADE FEDERAL?
      – Ele atacou a suposta simplicidade com a qual o autor tratava o conflito entre alemães e judeus. “É muito simplório apresentar judeus como ratos e alemães como gatos. Essa visão é preconceituosa no tocante ao povo alemão.” E aí, brilhantemente, completa: Eu, apesar de não gostar dos americanos, reconheço que coisas boas foram feitas por lá, como Tiros em Columbine etc. Ora, ele conseguiu se contradizer em questão de segundos! “Eu não gosto dos EUA” não deve ser a frase mais científica que Reinaldo já viu, especialmente se ela serve como corolário da defesa contra o preconceito entre os povos. E apontar Michael Moore como expoente da inteligência americana é tão lugar-comum como, ao lhe ser oferecido como sobremesa um pavê, você perguntar se “é pra ver ou pra comer”. Digo isso porque tenho verdadeiro pavor contra os clichês, e acredito, sinceramente, que um professor de História que está avaliando uma monografia teria condições (ou deveria tê-las) de apresentar melhores exemplos para fundamentar as suas opiniões ao meter o bedelho no trabalho dos outros.

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