As Três Cruzes – Rembrandt

The Three Crosses – Rembrandt

 

Por José Eduardo Ribeiro Nascimento

Seguindo o exemplo de Leonardo, que, já há algum tempo, iniciou o trabalho de pesquisa e publicação de poesias e poemas diversos, com o intuito de nos fazer conhecedores de outros tipos de expressão, variando um pouco o ambiente do blog, tão acostumado com nossos contos, descrições, crônicas, e outros tipos de redação acadêmica ou recreativa (recreativa?), abrirei uma coluna de arte.

O objetivo não é colocar imagem seguida de texto com minhas idéias sobre a obra. É pura e simplesmente deixar a imagem solitária, e esperar que cada um olhe para ela por alguns minutos e pense: por que, na obra de Rembrandt, Jesus não tem o peito perfurado? Por que aqueles que estão de costas para a cruz estão mais detalhados do que aqueles que choram por Ele?, seria apenas efeito da luz? Por que os dois ladrões estão voltados para o Senhor?

Olhe cada detalhe, pense por uns minutos. O que Rembrandt tinha na cabeça quando rabiscou aquele papel?

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3 Respostas para “As Três Cruzes – Rembrandt

  1. Não conhecia esta gravura rembrandtiana…
    E, conforme anunciado, saio daqui com mais interrogações perceptivas do que certezas óbvias pré-implantadas…
    Isto é arte!
    Bela gravura!
    Vou surrupiar para mim e depois usar numa postagem pessoal.

    WPC>

    • Por pura coincidência (ou um sinal, talvez?), depois que tive acesso a esta tua postagem, fui visitar um amigo e, ao chegar em sua casa, o que ele me sugere que vejamos: RONDA DA NOITE (2007), filme de um de meus diretores preferidos de adolescência, Peter Greenaway, em que o tema era justamente o ‘modus operandi’ deveras passional de Rembrandt no que tange à feitura de suas obras de arte… Lembrei de ti na hora (risos). Tantas e tantas oportunidades tive de ver este filme e caí nesta sessão logo hoje, quando tu nos puseste diante destas relevantes interrogações… Um sinal… Agora busco saber mais e mais sobre este holandês barroco tão incompreendido ainda.

      Quanto ao filme, é difícil, portentoso, exibicionista e um tanto hermético, mas, querendo ver, é de uma beleza ímpar!

      WPC>

  2. A primeira pergunta que me vem à mente (e cuja resposta pode ser simples, sem nenhum glamour ou romantismo) é: por que esse rascunho não virou quadro?
    Uma observação rápida e o que mais me chama a atenção é o ladrão à esquerda de Jesus, (e à direita de quem observa o desenho): ele aparenta um êxtase, embriagado pela luz que vem do céu. Deduzo, imediatamente, tratar-se do “bom ladrão”, aquele a quem Jesus prometeu a salvação.
    O outro ladrão olha pra baixo, pro povo, e tem o rosto pesado, grave. Está ainda preso às coisas da terra, e seu destino é incerto (em lugar algum das Sagradas Escrituras ele é condenado).
    Dois detalhes sobre os ladrões: eles não estão crucificados na mesma direção de Jesus, virados para a estrada (o que provavelmente ocorreu). Ambos estão com suas cruzes voltadas para Jesus, figura principal de toda a história. E o “bom ladrão” não está à direita de Jesus, simbolismo largamente utilizado nas Escrituras, para indicar predileção, mas à esquerda. Teria Rembrandt tentado explicar desta forma a insondável misericórdia de Deus?
    São muitos detalhes no desenho, e tenho certeza de que nenhum é gratuito: em cada um Rembrandt inseriu alguma mensagem – algumas relativas ao calvário do Cristo, outras, quem sabe, relativas ao seu calvário, a episódios de sua própria vida.

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