MORRO DO QUE HÁ NO MUNDO – Cecília Meireles

Morro do que há no mundo:

do que vi, do que ouvi.

Morro do que vivi.

Morro comigo, apenas:

com lembranças amadas,

porém desesperadas.

Morro cheia de assombro

por não sentir em mim

nem princípio nem fim.

Morro: e a circunferência

fica, em redor, fechada.

Dentro sou tudo e nada.

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3 Respostas para “MORRO DO QUE HÁ NO MUNDO – Cecília Meireles

  1. Fui me consultar num médico por causa de uma exigência empregatícia e, na hora de fazer a minha ficha, o seguinte diálogo:

    ” – Religião?
    – Isso é importante para a consulta?
    – É, porque eu tenho que eu pôr em tua ficha.
    – Ok, então, ponha aí: todas.
    – Todas? Mas isso não é religião!
    – Mas é que eu gosto de quase todas, pelo menos, das monoteístas.
    – Eu vou colocar “nenhuma” então…
    – êpa! NENHUMA é exatamente o contrário de TODAS. Não ponha isso não.
    – Então escolha uma.
    – Tá certo, ponha aí: mnonoteísta, mas não vai mudar nada…
    – Como é que se escreve isso?”…

    Viver é fogo, visse?
    Mas antes isso que morrer e “respirar com facilidade”, como diriam os personagens do Cormac McCarthy (hehehehehehe)

    Eis o que o excerto poético me causou…

    Obrigado!

    WPC>

  2. As profissões liberais, em especial médicos e advogados, são, segundo Richard Sennet (no livro Autoridade, que comentei aqui outrora), uma das primeiras formas modernas de autoridade: em um mundo em que quem oferece o produto vai atrás do cliente, tentando seduzi-lo, essas duas figuras – preponderantemente o médico – vêem os clientes caírem aos seus pés, pois desses profissionais depende, muitas vezes, a própria vida. O médico pode muito bem não querer atender ou atender mal, e o paciente tem que torcer por uma terceira opção. Esses são dois motivos pelos quais são os médicos e advogados que praticamente patentearam o título de doutor e se apropriaram indevidamente deles, a ponto de poder ser considerado crime um “cidadão comum” não chamar um juiz de doutor.
    Dito isso tudo, é natural, ao menos para mim, que haja uma dose de resistência a essas duas classes: na faculdade sempre são vistos como aqueles que têm o rei na barriga, seus vestibulares estão entre os mais concorridos (este cenário se degradou bastante para a turma de direito com a Unit, para citar apenas um caso local, formando 5 mil bacharéis por semestre).
    E aí vem você com um médico desses… O que dizer disso? Formou-se pelo Instituto Universal Brasileiro? Pode ter aprendido a fazer um diagnóstico, identificar partes do corpo humano, mas não conseguiu escapar da obtusidade crônica, agravada por uma vocabulite aguda. Para quem não entende de medicina – desta medicina à qual me refiro no momento – obtusidade crônica é uma doença de nome autoexplicativo, cujos sintomas são a total incapacidade de discernir entre o que é importante e o que é completamente irrisório. Não há tratamentos conhecidos, mas humildade ajuda bastante. Já a vocabulite é uma doença que se caracteriza pela perda da capacidade de identificar palavras. Há a vocabulite leve, quando você passa a não identificar palavras complexas; a mediana, quando você perde a capacidade de reconhecer palavras com as quais você conviveu provavelmente no ensino médio e, finalmente, a vocabulite aguda, quando você praticamente só reconhece as palavras usadas na sua área de atuação, ignorando o significado de palavras simples ou corriqueiras. Um teste simples para averiguar o estágio terminal desta doença é pedir para soletrar a palavra “exceção”.
    Esta é uma doença que tem cura. Normalmente, com o tratamento, o doente vai passando do estágio mais grave para o estágio mais ameno, até obter a cura completa. O único remédio conhecido são os livros. Todavia, o tratamento é a longo prazo e somente devem ser utilizados livros bons. Nada de Paulo Coelho, Crepúsculo ou Livros de Piadas.

  3. Pois é…
    Pergunta por Reinaldo como é que o pessoal de Ciências Biológicas escreve “tomei ciência do processo”, pergunta…
    E o pior: definitivamente, isto NÃO é engraçado, é lancinante!
    A tal vocabulite que tu descreveste/diagnosticaste manifesta-se lá onde trabalhamos de formas múltiplas, seja na galera que pede por escrito para colar grau “inseparado” (nada como a união democrática, né?), seja quando eles implicam comigo porque eu me recuso a ditar o que eles devem redigir em seus pedidos pessoais de revisão de processo… É fogo!

    Mas nem era isso que destaquei em meu exemplo pessoal: fiquei espantado mesmo é com a prepotência taxonômica unilateral e forçosa da pessoa que me atendeu (contra a minha vontade – sou foucaultiano – prefiro “curas religiosas” à base de placebos do que este tipo de propedêutica privado-institucional de último quilate), mas nada que o vigor discreto da amiga Cecília não perdoe…

    WPC>

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