O Falcão Maltês – Dashiell Hammett

Por José Leonardo Ribeiro Nascimento

Li este, que é considerado o romance fundador do gênero noir, de praticamente de uma só vez. Há muitos livros em minha lista, mas estava no ônibus, à noite, e, não por coincidência, o livro se encontrava em minha pasta. Comecei a ler rapidamente. Algo em torno de 40 páginas. Hoje dei prosseguimento à leitura e consegui terminá-la, apesar dos vários pedidos da minha esposa para ir fazer a feira, comprar isso, tomar café, almoçar…

É inevitável, para mim, ler um livro e não tentar analisar o que naquele livro o tornou célebre. E há vários motivos, ao meu ver, para que “O Falcão Maltês” tenha ganhado tal notoriedade, mas deter-me-ei em dois aspectos: Sam Spade e a trama, muito bem bolada. Dashiell Hammett escreve de maneira funcional, eficiente. Não deixa espaço para lirismos, longas digressões ou floreios. Ele relata fatos. E fatos interessantíssimos, diga-se de passagem. Tudo sendo desenvolvido em torno de um brilhante McGuffin, a relíquia macabra, ou o Falcão Maltês que dá título ao filme, vemos diversos personagens quase caricatos interagindo, ameaçando-se, vemos reviravoltas, muitas mentiras, muita desconfiança e, claro, muita ação.

*

*

O que afirmarei a seguir contém spoilers (informação indesejada para quem não leu o livro). Prossiga por sua própria conta e risco.

*

*

*

*

*

Brigid, Cairo, Gutman, Wilmer, são todos personagens interessantes, mas todos eles apresentam fragilidades – físicas (a gordura de Gutman, a estatura de Cairo, a falta de vigor físico de Wilmer e mentais (o excesso de confiança nas habilidades de sedução de Brigid) – que os tornam incomparáveis em relação a Spade. Descrito como um homem de traços duros, com físico avantajado e porte atlético, Sam Spade exala segurança e destaca-se como um gigante entre homens. Ninguém parece ameaçá-lo, e é interessante a desenvoltura, segurança e ousadia desse detetive.

Diversão garantida, para mim, além de tudo, ficou clara a lição de como se construir um belíssimo personagem.

“Você é inacreditável”, disse, algumas vezes, Gutman, em relação a Spade. E ele é.


Anúncios

4 Respostas para “O Falcão Maltês – Dashiell Hammett

  1. Não li o parágrafo final, atendendo à tua recomendação, mas gosto muito do filme do John Huston que deste filme deriva… De todas as lamúrias e frustrações associadas ao treco do título, de toda a firmeza do Sam Spade no que tange ao cumprimento de seu dever, de toda a dubiedade de caráter que circunda cada um dos perosnagens interessados na “relíquia macabra” com que foi batizado o filme no Brasil… Belíssima trama, com certeza, um belo livro… Tua esposa deve ter ficado orgulhosa com tua obstinação, afinal!

    WPC>

  2. Não me lembro de ter conhecido uma personagem que fumasse tanto quanto o Spade, e também alguém com idéias e tiradas mais inconstantes e inesperadas. Uma figura, realmente; ou, como mesmo disse Gutman: “Um personagem incrível, se me permite dizê-lo” (pág. 265).
    Não obstante ter gostado muito desse protagonista (e de outros, como o próprio Gutman e Brigid), o desfecho da trama não me “balançou”, não foi tão emocionante, impactante quanto o desenrolar da história. Em suma: não me convenceu emocionalmente. Mas, claro – e eu não precisava escrever isso: é um clássico e é muito bom. Procurem lê-lo.

  3. Pingback: Desafio Literário – 31 dias, 31 livros #2 | Catálise Crítica

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s