Sayonara, Gangsters – Genichiro Takahashi

Por José Reinaldo do Nascimento Filho

09/11/2010

Terminei.

Dessa vez irei ao que realmente interessa: o livro e sobre o que ele aborda (na medida do possível, claro).

Sayonara, Gangsters é o primeiro livro do japonês publicado no Brasil do escritor Genichiro Takahashi. Conta a história irreal/real/surreal de um homem que vive numa época onde o tempo e espaço parecem irrelevantes, no qual “pessoas comuns” – uso dessa vez aspas acertadamente, porque, às vezes, alguns desses humanos chegam a criar asas do nada ou transformam-se em refrigeradores de nome Virgílio começam a filosofar, e isso, definitivamente, não é comum– não tem nome e terminam por pedir a outrem que os batizem de acordo com a situação e momento. Entenderam? Então vamos para a historinha…

O protagonista, sem nome, é um poeta que leciona poesia em uma escola, na qual se depara com uma variedade de alunos e situações bizarras; casado com uma moça, com a qual teve uma filha, Mindinho Verde, que acaba por adoecer e falecer sem nenhum motivo aparente. Ah, sim. Para tristeza ou felicidade da família, a prefeitura, que nessa sociedade é encarregada de informar aos cidadãos acerca do dia e da hora de sua morte, enviou um caminhão para buscar o corpo da pequena Mindinho.

Certa feita, agora viúvo, o poeta conhece uma não tão bela moça por quem se apaixona e a quem dá o nome de Song Book – no livro todo e qualquer nome é dado a partir das momentâneas circunstâncias peculiares, lembrem-se disso. Eu, por exemplo, fui batizado, momentaneamente, como o carinhoso, “garoto de boné”, quando trabalhei no trancamento de disciplinas (piada interna). Ela – Song Book – que também deveria nomeá-lo, terminou por fazê-lo com o nome, Sayonara, Gangsters. Dessa forma, ambos e seu gato, Henrique IV, uma espécie muita estilosa de felino viciado em leitura e leite com vodca, dão início a uma vida regular e pacata.

Nas mais inusitadas situações e diálogos, e a partir de cada experiência vivida pelas personagens, e por meio de um texto corrente e de uma narrativa peculiar (vocês lerão páginas com apenas um parágrafo ou composta por histórias em quadrinhos ou desenhos representando fezes e os seus mais diversos formatos), é que Genichiro Takahashi nos leva a refletir sobre o quanto podemos nos identificar e relacionar o irreal/real/surreal com o nosso cotidiano e sociedade contemporânea – diga-se, “garoto de boné”.

É um livro engraçado, difícil e … (se você quiser torná-lo assim) – que na pior das hipóteses, você, leitor, poderá se orgulhar em dizer que já leu um autor pós-moderno ( e isso significa alguma coisa?).

Apesar de TODA ESTRANHEZA que o leitor encontrará nas páginas de Sayonara Gangsters (e encontrará), não tenho dúvidas que vale muito a pena lê-lo.

É isso… leiam.

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5 Respostas para “Sayonara, Gangsters – Genichiro Takahashi

  1. KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK

    Até mesmo as interpretações deste livro tendem a ser cômicas?
    (kkkkkk)
    Graças a Genichiro Takahashi, “pessoas” (olha as aspas aí, gente!) como eu puderam sentir que têm um lugar no mundo (kkkkk)

    Não é nem um pingo difícil imaginar porque eu gosto tanto deste livro, né?
    Mas tu esqueceste de destacar um importante elemento dramático do livro: o protagonista trabalha como professor de poesia! Ele ensina algo que ele próprio não mais considera “ensinável”, algo que é cada vez mais sub-aproveitado e rejeitado nos dias de hoje. Para além da estrutura narrativa “globalizada” e cômica do livro, há um drama intenso por detrás da composição do personagem principal, que sofre por se sentir inadequado a um mundo cujas regras de participação mútua são modificadas o tempo inteiro – e isto é drama! Isto é critica feroz ao mesmo pós-super-ultra-pós-modernismo que este japonês genial parece retroalimentar!

    Que nem acontece comigo mesmo, ora pois!

    WPC>

  2. Um de meus inúmeros trechos favoritos:

    “ – Você já ouviu falar de Thomas Mann? – perguntei ao barman.
    – Nunca.
    – É um escritor inexistente. Um gato que eu conheço ficou meio pirado depois que a dona dele morreu, e agora ele fica dizendo que quer ler contos de Thomas Mann.
    – Entendi. Deve ser um gato bem romântico.
    – O quê? Por que ele gosta de ler livros?
    – Não, não é por isso. É porque o gato que eu criava antigamente lia jornais. (…) Meu gato nunca foi de ler romances. Dizem que as pessoas que lêem romance perdem a capacidade de raciocinar corretamente”.

    KKKKKKKKKKKKKKKK

    Sentiste o DRAMA?!

    WPC>

  3. Eu estou lendo esse livro. Não conseguia explicar para os amigos o que eu realmente estava lendo por ser diferente de tudo o que ja li na vida. Achei esse blog e vejo que devo insistir já que a viagem promete!

    • Sim, insista na leitura. O leitor pode até não gostar do que leu, da história em si, mas terá quase que por “obrigação” de reconhecer a genialidade daquelas páginas, do autor.

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