Quincas Borba – Machado de Assis

Por José Reinaldo do Nascimento Filho

Terminei…

Mas dessa vez sem muita empolgação – embora o livro seja ótimo e inteligentíssimo (eu não precisava escrever isso, pois a história já provou o seu valor e blá, blá, blá, blá….).

Na trama Pedro Rubião de Alvarenga, ex-professor – e agora capitalista -, torna-se enfermeiro e amigo do filósofo Quincas Borba, que acaba por falecer na casa de Brás Cubas (sim, as histórias estão interligadas). Como resultado de uma amizade sem nenhum interesse aparente, Borba nomeia Rubião como o seu herdeiro universal, sob a condição de manter com todo amor e carinho o seu cachorro, de mesmo nome, Quincas Borba.

Com muito dinheiro e muitos planos na cabeça, Rubião decide partir para o Rio de Janeiro e, no percurso, termina por conhecer o ambicioso Cristiano de Almeida e Palha, e a sua apaixonante esposa, Sofia. Como resultado desse encontro, Rubião fica perdidamente apaixonado pela mulher de Cristiano. Praticamente irracional (o amor deve fazer isso em alguns casos), Rubião termina por assumir, perante a própria Sofia, o seu amor incondicional. Mas frustrando as suas inocentes expectativas, Sofia recusa o seu pedido, embora continue dando esperanças – vazias -, ao embasbacado e sentimental ex-docente. Não satisfeita com as brincadeiras sentimentais, Sofia conta ao marido a suposta investida realizada pelo Rubião. Cristiano, por sua vez, apesar de sua indignação, continua as suas relações com Rubião, pois pretende “levar” a fortuna do herdeiro universal, além de transformá-lo em um forte candidato político.

Como resultado da inércia e brincadeiras pensadas friamente por Sofia, aos poucos Rubião começa a despertar a loucura interior e reprimida. Loucura essa explorada por várias pessoas, principalmente Palha e Sofia. Rubião termina por… assim como o seu cachorro.

No início do texto escrevi sobre a não empolgação quanto ao livro, e isso aconteceu porque simplesmente eu não me identifiquei com as personagens, e nem com as problemáticas pensadas pelo autor. Procuro e gosto de identificar-me com as personagens e seus problemas (vejam, por exemplo, como volta e meia cito Contraponto e Crime e Castigo, livros que me causaram e causam um estado de felicidade espiritual e intelectual).

Apesar de não gostar da trama, e não sentir nenhum tipo de afinidade com as personagens (na verdade gostei do aproveitador Claudio, porque ele realmente age dessa forma do início ao fim do livro), fiquei muito surpreso com o estilo narrativo empregado na obra – vejam como ele “brinca” com personagens e frases bíblicas e com Hamlet, de Shakespeare. Além disso, Machado de Assis assume a postura de escritor/narrador, afirmação essa comprovada na seguinte passagem: “Este Quincas Borba, se acaso me fizeste o favor de ler Memórias Póstumas de Brás Cubas, é aquele mesmo náufrago da existência, que ali aparece, mendigo, herdeiro inopinado e inventor de uma filosofia. Aqui o tens agora, em Barbacena”.

Um romance que mostra a caminhada de um homem à loucura. Um bom livro que não me cativou.


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5 Respostas para “Quincas Borba – Machado de Assis

  1. “Caminhada de um homem à loucura”.
    Talvez isso baste para me cativar.
    Ou para me identificar.
    Ou para me pungir, me impelir, me propulsionar, etc..
    Segunda-feira, eu volto cá e digo o que achei…

    WPC>

    • Falta-me ainda um terço de livro, prezado e devotado Reinaldo, mas comigo acontece o inverso do que acontecera contigo: o livro me persegue até mesmo quando preciso dar uma folga a mim mesmo, diante de todas as projeções e decepções e sonhos que ele retroalimenta. Estou pelejando para não cansar meus leitores de ‘blog’ e Fotolog com tantas citações, mas, é em vão… O livro me punge de uma forma, me impele, me dói, me conduz a um percurso de loucura (leia-se paixão desenfreada) tão desmedido quanto aquele que assola o protagonista…

      E eu lembrei de ti no capítulo 78, visto que já te prestei aquele mesmo conselho equivocado e desafiador que sai da boca do major…

      E como me dilacerou a alma a lógica implícita do Humanitas que emana no capítulo 90, quando a cigarra aparece depois que várias formigas morrem…

      Reinaldo, é maravilhoso!
      WPC>

  2. Comecei…

    E, desde já, estou apaixonado pelos personagens-título.
    Livro que desvenda os pensamentos internos de cachorros com tamanha acurácia filosófica tendem a me conquistar facinho, facinho, colega!

    WPC>

  3. Gostei da parte do grande livro que não me cativou. lembrei de quando estava lendo dom quixote, e meu chefe diz: bom? do que respondi: e considerado o maior romance de todos os tempos. ele: poxa, pra ser melhor que machado de assis, tem que ser bom mesmo. achei engraçada a sua falta de cultura literária, pois citar o maior escritor brasileiro não e grande coisa. no mais, talvez eu leia algum dia. mais um pra nossa infinita lista de livros.

  4. Comigo aconteceu a mesma coisa.
    Primeiro porque quando terminei de ler Memórias Póstumas fiquei encantadíssima com o personagem Quincas Borba e imaginava que o livro homônimo seria sobre ele.
    Ok. Não era. Me conformei pois poderia haver vários outros atrativos… mas não o suficiente para que eu me encantasse.
    Ainda continuo exaltando “Memórias póstumas”.

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