Elegia Amarga – Carlos Pena Filho

Tinha a noite escondida na espessura

de seus cabelos rotos pela aragem

quando a manhã cresceu para a aventura

em seus olhos magoados de paisagem

 

E ouviu nas rotas claras da cintura

as confabulações do amor fortuito,

mas não fugiu, embora houvesse muito

desespero em redor da fonte escura

 

Antes, em meio ao lúcido abandono

silenciosa ficou, a noite inteira,

louca de tédio e grávida de sono

 

Depois, ardendo em chamas invisíveis

deu à fúria do mar a cabeleira

que inventara canções quase impossíveis

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Uma resposta para “Elegia Amarga – Carlos Pena Filho

  1. “lúcido abandono”, “amor fortuito”, “olhos magoados”…
    Todas expressões que me soam cada vez mais antonomásicas! (risos)
    Só as chamas que teimam em não serem invisíveis (risos)
    Não conhecia o autor.
    Anotado.
    Imitado.
    Agendado.
    Marcado a ferro no peito do meu cérebro! (risos)

    WPC>

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