O Primo Basílio – Eça de Queiroz

15/12/2010

 

Terminei.

Escritor português nascido em Póvoa do Varzim, em 25 de novembro de 1845, Eça de Queiroz é, por muitos estudiosos, comparado ao excelentíssimo e obsessivo Honoré de Balzac. Se o francês criou as cenas da vida parisiense; Queiroz, por sua vez, com o seu realismo e naturalismo, debruçou-se sobre a vida burguesa e provinciana de Portugal.

A característica marcante dessa obra é a abundância dos detalhes empregados pelo autor. Tudo está lá: das “entranhas” da residência de Jorge e Luísa, às descrições das personagens e suas motivações tão peculiares. Você leitor acompanhará a banal e pouco ativa vida de uma família de classe média, que palpita convulsivamente sobre diversos assuntos, de política à religião, sendo todavia incrivelmente inertes em suas atitudes (nós já vimos esse filme antes). A família supracitada é a de Jorge, marido da bela Luísa, que por sua vez é prima de Basílio. Precisando sair de viagem a trabalho, o marido deixa, aos “cuidados” do primo, que acabara de regressar de Paris, a sua romanesca e nostálgica esposa, antiga namorada de Basílio na adolescência.

Os dois, após lindos encontros na casa de Jorge, passam a ser amantes. Tudo corria bem, até Juliana, empregada e quarentona da casa, descobrir o que estava acontecendo entre os adúlteros. Sufocada pela semiescravidão em que era mantida, Juliana ameaça Luísa insinuando que entregará a carta a Jorge. E é a partir desse momento que a vida da traidora começa a se basear em mentiras e mais mentiras. E como sabemos, “uma mentira leva a outra mentira que leva a outra mentira que leva a outra e outra e…”. Juliana resolve trocar o seu silêncio por uma determinada quantia de dinheiro. E são essas as duas palavrinhas que movem o romance de Queiroz: dinheiro e mentira (muitas mentiras, na verdade).

Semelhante aos filmes Um plano simples, de Sam Raimi, Antes que o diabo saiba que você está morto, de Sidney Lumet, Cova rasa, de Danny Boyle, Fargo, dos Irmãos Coen, nos quais percebemos o resultado da soma entre as duas variáveis – dinheiro e mentira -, O Primo Basílio é a inusitada representação de uma sociedade sem projetos e sem valores reais; no qual, até a morte, como nos filmes elecandos, parece não mais fazer sentido.


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3 Respostas para “O Primo Basílio – Eça de Queiroz

  1. (risos)

    Refaço aquio o comentário interno que te destinei numa mesnagem de celular: só posso lê-lo quando estiveres bem longe (risos)

    tendo em vista, minha ojeriza mui pessoal em relação à prática da MENTIRA, tenho certeza de que amarei este livro, amarei.

    Em verdade, achei teu texto pouco “adjetivo”, se é que me entendes, o grau qualitatitivo de tua apeciação não ficou demasiado claro. Mas, deixe quieto… O livro está na minha aguha faz tempo:

    http://www.fotolog.com.br/pseudokane3/64469522

    (risos)

    WPC>

  2. Também nunca li nada de Eça de Queiroz. E se para conhecer a história de Primo Basílio eu tivesse que ver um filme em que Reynaldo Gianecchini atuasse (?!!?@!@#?!), sem sombra de dúvida eu morreria sem saber…
    Mentiras costumam resultar em boas histórias, a começar pela própria narrativa de criação de tradição judaico-cristã: a mentira teria sido o terceiro mal a entrar na terra, sendo o primeiro o desejo de ser igual a Deus e o segundo a desobediência. São, portanto, uma tríade maligna do qual resultaram todos os outros males. A mentira figura como co-responsável pela expulsão da raça humana do Éden.
    E eu, particularmente movido por motivos religiosos e pessoais, acredito que nada de bom pode advir da mentira. A verdade liberta, revela, mostra. A mentira só esconde, escurece, deforma.
    Eu preciso rever Um Plano Simples, pois a impressão que tenho dele ao sair do cinema há alguns anos (acho que uns nove ou dez anos), está ainda fortemente ligada a essa história da mentira – e dos males que dela foram resultando – e do final martírico, soberbo.
    Mas Eça de Queiroz ainda entra na minha lista.

  3. Citando Manu Chao, “a mentira é como a tristeza: quando começa, nunca se vai”…

    Ô coisinha que eu tenho medo e repulsa!

    Admito que vi o filme do Daniel Filho (sic) torcendo o nariz o tempo inteiro, mas a trama original é tão boa que nem ele nem o xará com ípsilon do autor desta postagem conseguiram estragar por completo. Tenho o DEVER de ler esta obra, mas não agora, em época de extrema ciclotimia natalina, eu sou medicamente proibido!

    Quanto aos filmes destacados, todos muitíssimos fiéis ao propósito crítico e/ou às advertência que nos faz Reinaldo, através de Eça de Queiroz, em sua postagem higienicamente adjetiva. Ponto.

    WPC>

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