O Filho da Noiva – Juan José Campanella

Por José Leonardo Ribeiro Nascimento

Não escrevo críticas de cinema. Não tenho conhecimento necessário para tanto. O que se segue, a exemplo de outros textos, são anotações pessoais sobre a impressão que um determinado filme causou sobre mim. Sim, arrisco-me a dizer: gostei/desgostei da fotografia/montagem/atuação. Tal roteiro é ruim ou bom (nesse aspecto, não precisa ser um especialista em cinema, basta ter o hábito de ler coisas boas e uma boa dose de discernimento.

O caso desse texto sobre O Filho da Noiva, de Juan José Campanella, não poderia ser melhor exemplo do que afirmei no primeiro parágrafo. É impossível, para mim, julgar objetivamente a película somente por esse ponto de vista. Assim como afirmei no texto que fiz sobre os filmes “Antes do Amanhecer” e “Antes do Pôr-do-Sol”, sou feliz no meu casamento, e isso define como as três películas são vistas por mim.

O Filho da Noiva é um filme de amor. Sobre amor. Amor de verdade.

Não há muito a se falar além disso, apenas que eu acredito no amor e acredito que o amor faz milagres, e que um casal como aquele, apaixonado após 44 anos juntos, existe além do filme. Eu acredito que eu e minha esposa seremos assim. Precisa falar mais alguma coisa?

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3 Respostas para “O Filho da Noiva – Juan José Campanella

  1. Eu não duvido do que tu acreditas e tenho plena certeza de que tua crença será, sim, efetivada – ou já o é, de verdade! Mas minhas impressões sobre este filme são muito mais problemáticas, no melhor sentido do termo.

    1º – Porque este brilhante cinema nacional argentino consegue abordar questões políticas mais gerais a partir das interferências das mesmas em pequenos dilemas humanos, que o diga a crise empresarial que assola o protagonista, obrigado a fechar seu restaurante, em meio a uma pletora de outros dilemas pessoais menores, que, mais cedo ou mais tarde, vão ser afetados pela crise bancária da Argentina como um todo;

    2º – “não seria um pantim ceder a uma exigência marital burocrática para atender a uma demonstração externa de amor por alguém que perde lancinantemente a memória?”, pensei eu, mais idiota do que agora, quando vi este filme pela primeira vez, aos 21 anos de idade, muito mais arredio socialmente do que sou hoje, até que o carisma sobressalente e o talento altissonante da Norma Aleandro me desautorizaram a seguir em frente em minha estúpida contestação frasal da beleza extra-fetichista que se descortinava diante da tela. Ela xingava, ela sorria, ela perdia a memória e ela amava e era amada, enquanto, do lado de fora da tela, do lado de cá, eu chorava. Como te disse, sim, eu chorava…

    3º – Minha cena preferida deste filme, por causa de sua “tecnicidade” surpreendente é o discurso romântico de desculpas via interfone, que tinha tudo para dar errado, que tinha tudo para não ser cinema, mas, graças à genialidade supra-contingente do diretor Juan José Campanella , fez com que eu gemesse de espanto e satisfação estética. Filmaço!

    Há alguns meses, pedi que teu irmão te entregasse a cópia da crítica deste filme, que eu redigi quando o vi no cinema, há uns 9 anos. Pega depois com ele, para que tu sintas o quanto eu fui “esmagado” (no mais belo dos sentidos possíveis) por este filme extraordinário.

    Tinha certeza de que tu gostarias… Certeza! da mesma forma como tenho certeza da certeza que tu deixaste anunciada no parágrafo final…

    WPC>

  2. Adorei esse filme também!
    Não sei se vc já viu “Lugares comunes” de Adolfo Aristarain, mas também é outro ótimo exemplo de filme argentino.
    Gostei tanto desses filmes que digo (brincando, claro) que só me caso se for com um velhinho argentino! heheh

    • Não vi Lugares Comunes e nunca havia ouvido falar de Adolfo Aristarain, mas, por conta dessa sua recomendação, correrei atrás do filme imediatamente. Escreverei um post assim que o vir.
      Obrigado pela dica. 😀

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