O Fantasma da Infância – Cristóvão Tezza

Por José Leonardo Ribeiro Nascimento

 

Comprei “por acaso” esse livro num sebo aqui em Aracaju. José Castello cita, em sua Oficina de Contos  (vide post anterior), O Filho Eterno, de Tezza, e elogia muito o escritor. Por conta disso, assim que vi esse outro romance dando sopa, comprei-o. É um romance de poucas páginas – 240 – e que narra duas histórias que têm como protagonista André Devinne, escritor que já teve seu momento de glória e que agora chafurda-se na crise criativa, devido, principalmente, ao trauma insuperado de ser abandonado pela sua grande paixão, Laura.

Uma das histórias retrata essa etapa da vida do escritor, quando ele recebe um anúncio para publicação nos classificados onde trabalha: “Precisa-se de escritor”.

Ele acaba sendo “recrutado compulsoriamente” por uma espécie de gângster tupiniquim, desejoso de ter uma biografia escrita por Devinne.

A outra história retrata um tempo diferente na vida do escritor, quando ele ainda estava casado e recebe a visita do “fantasma da infância”, um amigo recém-saído da penitenciária e que guarda segredos perigosíssimos sobre o seu passado.

Trata-se de um livro muito, muito bem escrito. Percebe-se que o escritor sabe o que está fazendo: ele se utiliza de diversas técnicas, muda o foco da narração, alterna primeira e terceira pessoa, utiliza-se de páginas de diários, digressões, enfim: alguém que detém a técnica e o talento para escrever.

E a história? Para mim pareceu uma históriazinha boa que… mudou completamente ao final. Não sei se eu sou distraído, mas é que eu não sabia NADA, absolutamente NADA a respeito desse livro, e li-o assim: página após página, sem nada esperar. Ao final o livro ganhou um novo sentido e o seu valor, para mim, foi multiplicado algumas vezes.

Cristóvão Tezza é, a partir de agora, um autor que sempre buscarei nos sebos.

Lição aprendida: há muitos, muitos autores nacionais (e locais) a serem descobertos. Mas o tempo é tão pouco para ler tanto…

 

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5 Respostas para “O Fantasma da Infância – Cristóvão Tezza

  1. Até “folhear” esta tua postagem, também não sabia NADA, absolutamente nada sobre esta obra e seu autor. E filio-me ao eterno dilema engendrado pela lição que aprendeste e revelaste nas últimas linhas…

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  2. Acabei de ler esse livro e achei muito bom mesmo! E parabéns pelo texto, conseguiu resumir bem e fazer um belo elogio ao autor!

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