O coração das trevas – Joseph Conrdad

Por José Reinaldo do Nascimento Filho

Terminei.

Faz algumas semanas que terminei esse impactante ensaio sobre “aquilo que não deve ser dito” do britânico Joseph Conrad, e digo: eu deveria ter ficado sensibilizado, mas não fiquei. Não senti nada, absolutamente nada. E isso é ruim para um cristão (acho).

Primeiramente, o texto/autor não tem firulas. Lírico, como podemos ver nesse belíssimo trecho: “Seu rosto era como o céu de outono, carregado num momento, radiante no seguinte”. Filosófico e pessimista quando não consegue mais resistir: “Coisa engraçada é a vida – este misterioso arranjo de lógica implacável para um objetivo fútil. O máximo que se pode esperar dela é algum conhecimento de si próprio – que chega tarde demais -; uma colheita interminável de arrependimentos. Eu lutei com a morte. É a luta menos excitante que se possa imaginar. Acontece num ambiente cinzento, sem nada por baixo, nada por desejo de vitória, sem o grande medo da derrota, numa atmosfera doente de ceticismo morno, sem uma grande fé em nosso próprio direito, e ainda menos na de nosso adversário. Se essa é a forma de sabedoria definitiva, então a vida é um enigma maior do que alguns de nós pensávamos”.

Não sei o que está acontecendo comigo e com os jovens que tenho maior contato (os meus alunos, por exemplo), mas me parece que cada vez mais, eu eles, estamos perdendo uma das mais importantes características que todo ser humano deveria nutrir: a comiseração. Chorar pela miséria do outro. Pôr-se no lugar do outro. E caso não consigamos nada parecido com isso, que no mínimo sintamos alguma coisa (e se nada vier, o que fazer?).

Tudo começou com uma pergunta: O que foi que vocês sentiram com a tragédia no Rio de Janeiro? Resposta da turma: Nada, não foi comigo mesmo. Hummm, certo: O que vocês sentiram sobre o terremoto que assolou o Haiti e matou mais de 100 mil pessoas? Resposta: Nada. Deveria sentir alguma coisa?

Sim, deveríamos meu jovem. Não nos entreguemos ao descaso, à insensibilidade, como fez Kurtz na novela de Conrad e no filme Apocalypse Now (1979), de Francis Ford Copolla.

Joseph Conrad nos conta a história de Marlow, um inglês que obteve trabalho junto de uma companhia de comércio belga como capitão de um barco a vapor num rio africano. Ele é experiente e vivido. Tem história.  Ele é contratado para transportar marfim rio abaixo; no entanto a sua tarefa mais urgente é devolver certo Kurtz, um famoso comerciante de marfim, à civilização.

Semelhante ao filme O Resgate do Soldado Ryan (1998), de Steven Spielberg, o narrador personagem fica procrastinando o momento de contar, de nos apresentar a essa figura tão misteriosa. E quando ele, ou algum tripulante do navio o faz, é sempre para engrandecê-lo. O que ele fez para merecer tantos elogios, tanto respeito? Por que trazê-lo de volta à civilização? E mais, mais: ele quer voltar? Voltar para quê e para quem? Por que alguém que teve o coração endurecido, machucado e depois esboroado por tantas escabrosidades vividas iria querer retornar? A vida na selva atrás de “marfim” é realmente tão diferente da “nossa”? Não queremos mais você, torpe rebotalho, diria a sociedade depois de cuspir mais de uma vez em sua face.

Tanto no livro quanto no filme, Kurtz parece ser o retrato perfeito da falência do humanitarismo, da sensibilidade, da comiseração. Ele é egoísta. Frio. E daí me vem uma questão: Assim como Kurtz, eu e meus alunos estamos nos tornado pessoas frias? E se isso já aconteceu, para onde iremos?

“O Horror! O Horror!”

Sr. Kurtz


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14 Respostas para “O coração das trevas – Joseph Conrdad

  1. Impossível não se fazer comentário sobre qualquer passagem desta obra-prima sem citar as palavras derradeiras do Coronel Kurtz, “o horror, o horror”…

    Ao contrário de ti, querido Reinaldo, este livro me fez sentir – e muito! Angustiei-me debaixo de um poste elétrico quando o li pela primeira vez. E, digo mais: o filme que o Coppola realizou a partir desta obra-prima é ainda melhor! pasme! Por mais perfeito e dorido que o livro já seja, a tranposição dos horrores ultra-realista do Congo para o subjetivismo da Guerra do Vietnã num filme duro e metafísico com quase 4 horas de duração arrasa qualquer um! Se tu não viste APOCALYPSE NOW ainda, por favor, me diz agora que te providencio uma cópia. Incrível o que ele fez com o texto arrasador e sublime do Joseph Conrad, que, sim, me fez sentir muito, muito mesmo, em ambos os casos.

    Talvez eu não tenha sentido tanto sobre o que aconteceu no Rio de Janeiro ou no Japão, mas por causa do modo como a mídia jornalística manipula espetaculosamente a tragédia, algo que, paradoxalmente, me afetou deveras no caso haitiano, justamente por ser mais difícil de manipular… Lidar com pobres arrombados e fodidos é mais difícil para a TV Globo. Até mesmo o vocalista do FuGees foi baleado quando esteve por lá para resolver o problema…

    Discordo veementemente de que a narrativa do livro assemelhe-se ao dilema contido em O RESGATE DO SOLDADO RYAN. Por mais que a dificuldade em protelar uma notícia persecutória difícil seja semelhante para os protagonistas, as buscas são muito diversas: num caso, o mais recente, há uma tentativa de resgate, uma “limpeza”; no outro, o antigo e clássico, há uma ordem de morte, que se inverte ao se perceber que a morte acompanha quem recebeu esta ordem desde bem antes de ela ser dada. E o coronel Kurtz lembra dos braços amputados das crianças recém-vacinadas, das tramóias burocráticas que fizeram não somente que vizinhos e amigos matassem a si mesmos, mas que levaram-no a ele próprio ser perseguido, por mais altas que fossem as suas patentes militares. Obra-prima este O CORAÇÃO DAS TREVAS! Li-o de uma sentada só, de tão empolgado que fiquei, de tanto que senti e fui ferido…!

    WPC>

    • PS: e, pelo menos no filme, Kurtz é tudo menos frio e egoísta. Reveja-o, meu caro! Kurtz chora, Kurtz sofre, por isso, Kurtz se entrega àquilo que ele se entregou (lembre do final esotérico do filme que eu garanto que tu voltas atrás acerca de seu julgamento equivocado sobre o caráter dele)…

      O que me faz adicionar uma correção ao que eu próprio falei sobre o livro: vi tantas vezes o filme antes de ler o livro que impregnei a leitura do mesmo com as imagens e sons do outro. Por isso, o militarismo abandonado de Marlon Brando sobressai-se à descrição propositalmente rústica do Joseph Conrad, mas, insisto, frio e egoísta ele não é, mas sim a tal da “civilização” para o qual querem obrigar que ele volte e na qual ele não mais acredita, não mais aceita, rejeita por dentro e por fora. Pois é esta mesma situação que faz homens como ele, como eu, como tu e teus alunos, homens que estão ficando empedernidos diante de tanta miséria, mas pelos motivos errados, da maneira errada, de uma forma que, sim, é muito ruim para qualquer um, principalmente para os cristãos!

      WPC>

  2. “He cried in a whisper at some image, at some vision—he cried out twice, a cry that was no more than a breath—’The horror! The horror!'”: te pergunto: esta é a descrição de um homem frio e egoísta?

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  3. Vide belíssima resenha que encontrei agora na Intenret, agoniado que estou com suas acusações contra o Kurtz:

    “A personagem Kurtz é, sem dúvida, a principal representante deste choque de civilizações tão antagônicas. Funcionário de uma companhia comercial, Kurtz tem uma carreira de sucesso – é considerado o melhor no comércio do marfim – além de ser respeitado por todos. Contudo, o que ninguém suspeita que ele havia sucumbido ao “horror” do coração da floresta congolesa.
    Os mecanismos do “horror” vivenciados por Kurtz seguiram a lógica da falseabilidade, ou seja, exclusão da verdade, de tudo aquilo que é tido como certo. Assim, Kurtz enlouqueceu não pela ambição pura e simples mas por não conseguir lidar com a falência do modelo que ele representava, da consciência de ser ele mesmo uma variável dependente do sistema imperialista que, em nome de um projeto civilizatório, destruiu comunidades inteiras sem piedade.
    Kurtz representa a incapacidade do homem de ver o “horror”, as trevas em si mesmo e sim no outro. O ambiente da floresta é apresentado como impregnado de mistério, de tensão e desespero impossível de se penetrar sem se deixar modificar. Um lugar doentio, cuja melhor representação está na escuridão com que Conrad caracteriza o ambiente. Penetrar nesse ambiente pode levar a dois resultados: a entrega aos seus caprichos – caso de Kurtz – ou a indiferença que leva a destruição. Ao contrário dos escritores românticos, a floresta não é o lugar de refúgio mas de perdição. Assim, A loucura de Kurtz, que o levou a sentir-se como um deus perante os nativos cometendo atrocidades e pecado imperdoável no Cristianismo, pode ser explicada pelo seu sentimento de decepção com o modelo que representava e também pelo desespero de não conseguir viver em paz naquele lugar selvagem.
    O coração das trevas, simbolicamente a floresta tropical do Congo, é também a mente humana. Capaz de achar a riqueza (no texto representado pelo marfim) mas também de levar a morte material e espiritual (claramente exemplificada pela loucura e morte de Kurtz). Resta perguntar quantos Kurtz terão de enlouquecer e morrer para que o homem – ocidental, representante do imperialismo ou não – ao mergulhar na floresta – no mundo do outro – não o destrua cinicamente em nome de uma ideologia mas encare o contraste, o choque, o estranhamento como uma possibilidade de crescimento para os dois lados, quais sejam: o dos que conquistam e os dos que se deixam conquistar, ou dos imperialistas e os dos colonizados pelo capital”.

    Texto integral em : http://cafehistoria.ning.com/profiles/blogs/reflexoes-sobre-a-obra-o

    Sem querer te corrigir opinativamente, Reinaldo, acho que tu inverteste o sentido denuncista da obra ao tachar Kurtz do que tu o tachaste. Ele é, na verdade, o herói do livro, o mártir, aquele que, justamente por não mais querer compactuar com o descaso e a insensibilidade, enlouqueceu – e nem preciso acrescentar o quanto eu me identifico com ele!

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  4. Discordo terminantemente com esse ponto de vista. Herói?! Cristo! Ele viu o horror e deixou-se levar por ele. Ele soçobrou àquilo tudo. Parece fácil dizer isso, visto que aquela realidade vivida por ele foi/é e continuará sendo (espero) tão distante de mim. O meu erro foi o de não ter explicitado no texto que Kurtz já chorou uma, duas, três vezes… Ele não é um herói. Como todo ser humano, ele é fraco. Por isso a loucura. “Horror! Horror!”
    Imaginemos agora uma situação na qual todas as pessoas que presenciaram atrocidades se entregassem ao descaso, virassem as costas. Ele não quer mais a civilização. Não consegue mudá-la. Ele deixou de acreditar no possível. Ele é louco e fraco. Culpa dele? Claro que não. Alguém que se perdeu, se entregou, apenas isso.

    Procurar justificativas e mais justificativas não é, definitivamente, o melhor caminho. É o que acho.

  5. Acho digno defenderes o que achas…
    E, neste sentido, a interpretação pode até ser válida, mas o que me preocupa aqui é o desvio conceitual do termo “civilização”, que tem a ver com nossas pendências ideológicas crassas – e é aqui que a gente diverge violentamente!

    Dormi intranqüilo depois que li esta tua resenha. Achei-a horrenda, no plano da defesa ideológica e percebi depois que o problema esteja em seu plágio sinóptico da Wikipédia. Senão, vejamos:

    Escreveste tu:

    “Joseph Conrad nos conta a história de Marlow, um inglês que obteve trabalho junto de uma companhia de comércio belga como capitão de um barco a vapor num rio africano. Ele é experiente e vivido. Tem história. Ele é contratado para transportar marfim rio abaixo; no entanto a sua tarefa mais urgente é devolver certo Kurtz, um famoso comerciante de marfim, à civilização”.

    Fui na Wikipédia e encontrei o seguinte resumo do livro:

    “O romance fala de Charles Marlow, um inglês que obteve trabalho junto de uma companhia de comércio belga como capitão de um barco a vapor num rio africano. Embora Conrad não identifique o rio, o Estado Livre do Congo, a localização do grande e importante rio Congo era à época uma colônia propriedade privada do rei Leopoldo II da Bélgica. Marlow é contratado para transportar marfim rio abaixo. No entanto, a sua tarefa mais urgente é devolver Kurtz, um famoso comerciante de marfim, à civilização.”

    Parecido demais ou é impressão minha?!

    Conclusão inicial: tu te deixaste levar por um direcionamento equivocado da trama enquanto redigia teu texto e, como tal, distorceu o sentido de “civilização”, visto que quem escreveu o verbete wikipédico aqui citado, com certeza, é um mantenedor capitalista, no sentido mais frio e egoísta do termo.

    Tudo bem, tu defendestes teu ponto de vista sobre o livro, mas, no que tange ao filme, reveja-o. O que tu falaste sobre Kurtz definitivamente vai de encontro ao que o filme prega. Digo mais: é uma absurda TRAIÇÃO ao que a equipe técnica do Francis Ford Coppola realizou! E, sem querer ser prepotente, dono da verdade ou qualquer coisa do gênero, mas as evidências gritam…

    Qual seria o problema, portanto? A tua confissão de que não sentiu. E, nesse sentido, mesmo sabendo que tu odeias “autoridades teóricas”, sou obrigado a utilizar uma célebre passagem de Antonio Gramsci em CONCEPÇÃO DIALÉTICA DA HISTÓRIA que me traumatizou positivamente quando entrei na Universidade, em 2000: “o erro do intelectual consiste em crer que se possa saber sem sentir, ou melhor, sem estar apaixonado”. E, seguindo a interpretação dele, teu “erro” é este. Não é a primeira vez que digo, tu bem deves lembrar…

    Pelo sim, pelo não, talvez seja somente a minha opinião…
    Deixa eu ir seguir a minha vida, tu segues a tua e a do Kurtz já se acabou, meu bem. E, pelo que vejo, não serviu o sacrifício dele para ti…

    E ai de quem tentar me devolver a esta tal “civilização” a que tu e a Wikipédia se referem… Não quero! Este é o “mundo” que os evangélicos e os partidários de Santo Agostinho renegam… Eu quero a CIDADE DE DEUS, amado ser – e, para alcançar esta cidade, o arrependimento e o conhecimento do pecado são mais do que válidos!

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  6. Vivamos apenas, então.
    Eu realmente li esse trecho da wikipédia e não discordo, porque não tem nada para discordar. O que ela revela mesmo? Em que ele acrescenta na interpretação? Essa sua frase “mantenedor capitalista” revela e explica muito dos seus porquês de ter odiado tanto o meu texto ou o meu raciocínio. A única semelhança com texto da wikipédia é porque ele fala sobre Marlow e que ele precisa procurar Kurtz, todo o restante do texto é totalmente diferente do meu. Tudo, e você sabe disso. Você usou esse trecho como se tudo o que escrevi fosse igual/semelhante com aquele encontrado no site de busca (tão criticado, diga-se de passagem). É impressão minha ou você resumiu todo o meu texto àquele trecho? Me desculpe, mas foi ridículo isso.
    Você é apaixonado demais, acho… (coisa que já foi discutido com Leonardo em outra ocasião). Mas esqueçamos isso.
    Uma personagem fascinante o tal Kurtz, mas não passa disso (para mim, claro).

  7. Reinaldo

    Acabo de ler sua resenha, muito equivocada por sinal, aliás, tu fizeste uma leitura deturpada, no mínimo destoante com a perspectiva tanto do Conrad quanto do Copolla acerca do caminho trilhado pela civilização esquecida e abandonada por Kurtz, um mostro ao aos seua olhos pequeno-burguês- cristãos.

    E Kurtz é exatamente isso um mostro, um animal, um selvagem, um bom-selvagem parafraseando Jean-Jacques Rousseau, que séculos atrás percebia que o homem enfraquecido pelo ” progresso da civilização” tornava-se cínico, hipócrita e desencaixado com a sua condição de animal, desencaixado com a natureza, produzindo o esquecimento do sentimento compaixão presente no homem primitivo que se reconhecia no outro. sentimento que você tanto reclama para os dias de hoje. e que jamais sera visto no homem civilizado que tanto é bem quisto pelo senso comum.
    Oo que mais me espanta no seu discurso quase tresloucado ou ainda de uma mente quase doente forjada por uma moral ficcional judaica-cristã é não perceber que Cristo pregava exatamente o que Kurtz desejava, aliás tal metáfora é digna de mais duração.

    lembro que numa sociedade onde a técnica e a ciência vigoram e ainda na qual os desejos fúteis impregnados pelo capitalismo tardio nada se tem a fazer a não ser caminhar para o isolamento da morte, e ainda lutar contra o desejo de ser homem, ao menos o conceito de homem que vigora nos dias atuais, ser empresarial, fazedor, socialmente produtor e… e ainda lutar contra a azáfama do consumo de nossos dias.
    Ambas as obras apontam o contrário de seu parcos apontamentos…

    Jadson

  8. Que fale o Kurtz em sua própria defesa – porque a tendência acusatória de teus argumentos acaba com esta discussão (Deus que me livre! Basta comparar os dois parágrafos transcritos ‘ipsis literis’):

    “‘ve seen horrors… horrors that you’ve seen. But you have no right to call me a murderer. You have a right to kill me. You have a right to do that… but you have no right to judge me. It’s impossible for words to describe what is necessary to those who do not know what horror means. Horror… Horror has a face… and you must make a friend of horror. Horror and moral terror are your friends. If they are not, then they are enemies to be feared. They are truly enemies! I remember when I was with Special Forces… seems a thousand centuries ago. We went into a camp to inoculate some children. We left the camp after we had inoculated the children for polio, and this old man came running after us and he was crying. He couldn’t see. We went back there, and they had come and hacked off every inoculated arm. There they were in a pile. A pile of little arms. And I remember… I… I… I cried, I wept like some grandmother. I wanted to tear my teeth out; I didn’t know what I wanted to do! And I want to remember it. I never want to forget it… I never want to forget. And then I realized… like I was shot… like I was shot with a diamond… a diamond bullet right through my forehead. And I thought, my God… the genius of that! The genius! The will to do that! Perfect, genuine, complete, crystalline, pure. And then I realized they were stronger than we, because they could stand that these were not monsters, these were men… trained cadres. These men who fought with their hearts, who had families, who had children, who were filled with love… but they had the strength… the strength… to do that. If I had ten divisions of those men, our troubles here would be over very quickly. You have to have men who are moral… and at the same time who are able to utilize their primordial instincts to kill without feeling… without passion… without judgment… without judgment! Because it’s judgment that defeats us.”.

    WPC>

    PS: isto vem do filme, é parte do discurso final do personagem, extraído diretamente do roteiro, por isso nem me dediquei a traduzir…

  9. E, sem querer prolongar a guerra de egos que poderia advir daqui (deixo claro: não é esta a minha intenção), fui convocado por uma espécie de obrigação ético-categórica a explicar o porquê de teu plágio sinóptico me incomodou tanto e prejudicou, sim, a totalidade de tua interpretação: primeiro, ao utilizar não somente palavra, mas construções frasais alheias inteiras para resumir um livro que não te “atingiu” como pretendia o autor, tu coadunaste com um ponto de vista preconceituoso, em que uma simples letra – o A, artigo indicador de gênero feminino singular que antecede o termo “civilização”- denota uma visão de mundo que parece tomar partido dos empregadores de Marlow. Afinal de contas, quando tu (ou o redator da Wikipédia que escreveu o artigo, não dá para diferenciar) escreve a civilização, é como se houvesse apenas uma, como se todas as outras fossem espúrias, condenáveis e expurgáveis. Ou seja, há um apoio discursivo às novas Cruzadas anticivilizatórias de povos autóctones, como acontece no final do romance e do filme. Se tu te incomodaste com o fato de ele ter dado ás costas à tal civilização defendida, por que não deixar ele lá, “isolado”? Não é direito dele? “Ah, não, ele deve ser punido para servir de exemplo”. Sei, sei. E por mais que Judas Iscariotes já tenha se redimido e se enforcado, ano após anos os hipócritas queimam bonecos de Judas a fim de não assumirem as suas próprias culpas…

    Deixo claro: meu problema não é contigo, Reinaldo, mas esta transcrição frasal alheia incomoda sim, contamina teu texto, impregna tua visão de mundo e requer, sim, que nós conversemos pessoalmente um dia. Mas, suplico: aceite rever o filme e ver se tuas impressões enredísticas se mantêm. Não é um desafio, mas um pedido, meu querido. Afinal de contas, pode ser defeito de minhas lembranças, visto que li o livro faz tempo, mas não me lembro de passagens que contenham o termo “civilização” no mesmo. Tu poderias me transcrever alguma aqui, só para que eu fique mais confortável no plano da apreensão mnemônica? Pelo sim, pelo não, insisto: meu problema não é nem contigo, mas com tudo de nocivo politicamente que está embutido neste resumo desvirtuoso do romance que tu abocanhaste da Internet, impulsiva e acriticamente. Cuidado, menino, plágio é perigoso! Uma letra é capaz de assassinar um homem!

    Wesley PC>

  10. Realmente eu tentei não escrever nada, mas não dá.
    Compreendo bem Wesley, regularíssimo contribuidor desse blog, mas não consigo entender a falta de educação de Jadson, que inaugura a sua participação de forma completamente desrespeitosa. Não sei se você sabe, Jadson, mas é possível defender a sua opinião sem insultar ninguém.
    Do começo ao fim seu texto é ofensivo:

    “Acabo de ler sua resenha, muito equivocada por sinal, aliás, tu fizeste uma leitura deturpada, no mínimo destoante…” – Eu compreendo e Wesley já cansou de explicar que ele tem uma certa neura presunçosa que o faz querer ser crítico de tudo, por isso as opiniões dele são contumazes. Mas ele foi chegando devagar, pedindo licença… Não li o livro e faz muito, muito tempo que vi o filme, de forma que não estou querendo entrar no mérito de quem detém a razão, mas… Dois Wesleys já é demais, não acha?

    “O que mais me espanta no seu discurso quase tresloucado ou ainda de uma mente quase doente forjada por uma moral ficcional judaica-cristã…” – Discurso quase tresloucado, mente quase doente, moral ficcional judaico-cristã… Caramba… Tudo bem que qualquer um que quer se afirmar como “esclarecido” chuta a Igreja, mas mesmo assim…

    “Ambas as obras apontam o contrário de seu parcos apontamentos…” – O que me pergunto, caro Jadson (se é que você vai ler isso), é se você escreve assim em todos os blogs nos quais você encontra textos dos quais discorda ou se esse seu fervor e furor ficaram reservados só para Reinaldo, por algum motivo especial… Porque mesmo que Reinaldo tenha desvirtuado os objetivos do escritor, não acredito que esse se constitua um crime de lesa-literatura a ponto de suscitar que a sua estreia no blog seja a tal ponto agressiva.

    • Eu só não entendi a parte do “dois Wesleys”, mas, mesmo sem ter lido o livro, Leonardo, penso que tu podes opinar algo acerca do trecho copiado do Wikipédia, ou não? Tu achas que aquilo não surrupia uma “visão de mundo” alheia que corrompe o viés ideológico supostamente defendido por Reinaldo? Tu comparaste os trechos que eu destaquei? Então… Isso clama por uma manifestação tua enquanto “legislador” do blog!

      WPC>

      • Ao Leonardo, a fim de dirimir qualquer “desentendimento” que possa ter persistido após nossa conversa escrita via telefones celulares: talvez “neura presunçosa” seja um mal menor aqui. É mais um debate de idéias mesmo que, no meu parecer pessoal, parece urgente em razão de um desvio moral (opinativo) que me chocou: nunca vi ninguém tachar o Kurtz do que teu irmão insiste em tachá-lo, é mais uma surpresa, um golpe ideológico que tem muito a ver com conversas pessoais entre eu e Reinaldo acerca de nossas divergências políticas e tal… É mais um sintoma do que uma pendenga para saber quem está certo ou errado. Arte permite as aberturas hermenêuticas mais estranhas possíveis, né?

        Sobre Jadson: de fato, fui eu quem pediu para que ele manifestasse algo aqui. Ficamos ambos escandalizados com o enfoque do teu irmão acerca do livro, mas o modo como ele se expressa/ataca é este mesmo (risos). Ele é tachado de “rabugento” em nosso meio por causa disso, mas deixe que ele responda se achar de bom tom… Meus pontos de vista já estão suficiente claros e/ou expressos, penso. Os de Reinaldo também, o que ficou faltando aqui talvez seja um embate mais personalizado, ou, quiçá, uma revisão urgente do filme e uma crença menor nas induções enciclopédicas sobre os temas de obras tão complexas quanto estas. Jospeh Conrad é difícil. Lidar com perdão alheio, com crise de valores, com rejeição de capitalismo desmatador é algo complicado. Já no que diz respeito à religião, talvez o que tenha imperado foi uma supressão terminológica, mas… É isso: o horror existe, mas cada um reage a ele de formas distintas. Eu, por exemplo, sou incapaz de ficar calado diante do mesmo!

        Wesley PC>

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