O menino do pijama listrado – John Bayne

Por José Reinaldo do Nascimento Filho

Terminei.

Um livro de sessão da tarde”. Essa foi a minha sentença ao término de Ponto de Impacto e O código Da Vinci, ambos do superestimado escritor norte-americano, Dan Brown. Conclusão tomada não somente pela simplicidade rasteira do texto, mas também pela “intenção desonesta” – proposital? – do escritor em fazer emocionar a partir de cenas aparentemente pensadas para as telonas. Será que deu para entender alguma coisa? E se deu, o que foi colocado aqui é, realmente, um problema? Pois bem, se esse tipo de escolha se repete aos montes com o “Marrom”, assim acontece, da mesma maneira – e quem sabe, mais enfadonha -, com o pequeno livro, O menino do pijama listrado.

O livro é narrado em primeira pessoa pela personagem Bruno, um menino de nove anos de idade que mora em Berlim com a sua família e que brinca com os mesmos três amigos. Todavia, logo no início do texto, o garoto tem a triste notícia de que eles – Gretel, sua irmã; Elza, mãe; Ralf, pai; e Maria, empregada – precisarão se mudar: da sua enorme casa na capital alemã, para uma pequena e sem graça residência próxima a um campo de concentração em Auschwitz.

Passado quase metade do livro, com muitas, mais muitas reclamações, frases estúpidas e tiradas extremamente inteligentes – que, em muitos casos, não condizem com a personagem; demonstrando, assim, muita incoerência do autor -, Bruno começa a entender um pouco mais sobre a sua família, sobre o trabalho do pai e a respeito do seu mais novo “melhor amigo para toda a vida” e dos vizinhos: o menino do pijama listrado, e todas as pessoas que vestem os mesmos trajes e que moram na “fazenda” do outro lado da cerca. E aqui está, para mim, a maior fragilidade desse romance: o relacionamento entre esses dois garotos de nove anos não cativa, não convence… É sem graça, deixei-me dizer logo!

Outro ponto também irritante são os momentos nos quais Boyne teima em repetir trechos do texto, para que nós leitores, a partir de então, comecemos a repetir e a rir, enquanto lemos, algumas “frases de efeito” ou expressões da personagem Bruno, como por exemplo: O “O” que ele faz com a boca quando está surpreso; “Caso perdido”, quando se refere à irmã; ou ainda, a respeito do quarto do Pai, onde é “proibido entrar em todos os momentos sem exceção”; temos o “Não era da conta de mais ninguém”, sobre as suas coisas que ficam escondidas no seu armário; os amigos “Karl, e Daniel e Mart”, entre tantos outras frases que se repetem, repetem…

 O que mais posso dizer, caro leitor?! Hummm, vejamos. O desfecho do livro. A pessoa precisa estar com o coração muito aberto e inocente a novas emoções para não deduzir, quase que de imediato, o que vai acontecer ao “ariano chinfrim” e ao “judeu listrado”, Shmuel.

Desculpem-me, estimados leitores e amantes desse livro, mas o autor é insuportavelmente maniqueísta. Chato. O livro é bonzinho/bonitinho demais. E outra, o tema “Holocausto” está chegando perto do seu saturamento (e não chegou ainda? Kkkkkk). Tenho plena consciência de que não dá para apagarmos a nódoa do nazismo da história da humanidade; todavia podemos escolher da melhor forma possível as histórias que queremos contar.

Anúncios

10 Respostas para “O menino do pijama listrado – John Bayne

  1. Eu pressuponho que o livro me causará um enfado semelhante ao teu, mas, apesar de previsível e xaroposo, o filme dele derivado possui muitos bons momentos. Por isso, entendo o porquê de tantas pessoas terem chorado ao meu lado nas duas vezes em que vi o filme… É uma moção óbvia, mas é emoção. Leia-se cultura de massa, como me (re)ensinou o Umberto Eco.

    WPC>

  2. Li esse livro rapidinho, e concordo com a sua opinião (ressalvado o fato de que não li e jamais lerei qualquer coisa escrita por Dan Brown): o livro é feito para virar roteiro de filme que faz chorar. As repetições são chatas, a interação com o menino não convence, o garoto, ora é ingênuo demais, ora, mesmo ingenuamente, chega a conclusões que não condizem com o comportamento que ele havia apresentado e… bem, o final é mais do que previsível.

    • Eu nunca comi caviar, o quando o fizer minha crítica positiva ou negativa será baseada em argumentos. Sua opinião sobre Dan Brown é pré-conceituosa e repugnante.
      Quanto ao menino de pijama listrado todas as palavras para descrever minha emoção serão apenas um ruído lamentoso de toda a cantoria em minha alma.

  3. Pois é, já achei que o filme não foi essas coca-cola toda, imagine o livro. O filme foi óbvio, e o desfecho ainda mais . Não me agradou.

  4. Pingback: O sol é para todos (To kill a mockingbird) – Harper Lee | Catálise Crítica

  5. Para mim, o menino do pijama listrado foi um dos melhores livros que ja li em toda a minha vida. O filme também é muito bom. Discordo TOTALMENTE do seu ponto de vista.

    • Que bom que você discorda, Lara. Isso é que é interessante. Esse blog em nenhum momento quer passar uma “opinião oficial” sobre alguma coisa. São apenas as opiniões dos três irmãos que escrevem, só isso. O fato de eu ou Reinaldo não termos gostado não acrescenta nem diminui em nada o valor do livro. Obrigado por nos visitar e volte sempre. Quem sabe você acaba encontrando por aqui uma opinião coincidente com a sua.

  6. Terminei de ler há pouco, e tirei as mesmas conclusões… mas, só para ser original: Um das coisas mais ridículas é que os dois meninos já se conheciam a mais de um ano, conversavam todas as tardes, e o tal do Bruno não conseguiu entender NADA do que se passava dentro da cerca… Não entendia nada do que se passava com o amigo, e os dois não tinham intimidade nenhuma, mesmo conversando (e era só o que faziam, fato repetido mais de uma vez no livro) toda tarde, por um ano inteiro…

    O narrador é mesmo muito chato, com aquelas frases que se repetem (tentando com isso dar a impressão de que realmente é uma criança que está narrando – se fosse, seria uma criança absurdamente chata).

    Um livro regular, que não acrescenta e não emociona..

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s