Macbeth – William Shakespeare

Por José Reinaldo do Nascimento Filho

Terminei.

Macduff – Quais as três coisas que a bebida provoca especialmente?

Porteiro – Ora, senhor, pintura de nariz, sono e urina. A luxúria, senhor, ela provoca e desprova: provoca o desejo, mas liquida o desempenho. Portanto, pode-se dizer que muita bebida equivoca a luxúria: ela a ajuda e a estraga: empurra para cima e empurra para baixo…” (p.484)

Podemos afirmar que esse foi o momento mais singelo dessa que é a mais curta tragédia do dramaturgo inglês, porque todo o resto é puro Sangue.

Macbeth, um dos mais promissores e influentes generais do rei Duncan da Escócia, após aniquilar um grupo de rebeldes, é nomeado para um posto mais elevado: thane de Cawdo (barão). Em seguida, juntamente com o seu melhor amigo, Banquo, também general, recebe a visita de três bruxas, que lhes predizem seu fado: “ser rei daí em diante”. Não obstante o general ser plenamente cônscio de suas obrigações, arguto nas idéias, e, até então, fiel à corte, imediatamente Macbeth começa a ambicionar tornar-se rei. Todavia, falta-lhe aquilo que é caro à sua esposa: coragem para fazê-lo por si só.  Para convencer-lhe a agir, ela então disse:

Eu já amamentei E sei o quanto É doce o sugar do neném. Mas poderia, enquanto me sorria, Roubar-lhe o seio da gengiva mole E arrebentar-lhe o cérebro, se houvesse Jurado que o faria” (p.470)

Foi o suficiente para Macbeth repensar e concluir:

“Vou e está feito. O sino convida. Não o ouça, Duncan, pois esse dobrar, Pro céu e pro inferno o vai chamar” (p.478)

Estará consumado em breve o regicídio…

Macbeth é coroado. Vive por um curto, mas gratificante período glorioso no seu castelo. Porém, o novo rei teme o amigo, para quem as bruxas predisseram que ele seria rei – pois o atual, não teria herdeiros. Cegado pela ambição, Macbeth contrata dois assassinos para matá-lo. A peça adentra em um campo tão familiar ao visto no Hamlet: o fantasma de Banquo começa a assombrar o seu antigo amigo. Este, por sua vez, num jantar com convidados à mesa, tem acessos de loucura. Os nobres, perplexos com o que viram, dão início as intrigas para depor o Rei.

Novamente, Macbeth recebe conselhos das três bruxas. Estas prenunciam a intenção de Macduff, filho do rei morto, de tomar o trono. Enquanto isso, no castelo do rei escocês, a sua esposa, na tentativa de compreender as profecias das bruxas, enlouquece e passa a perambular pelos corredores esfregando as mãos, com o intuito de limpá-las do sangue dos mortos.

O rei maldito medita sobre o que se aproxima:

“Amanhã, e amanhã, e ainda amanhã Arrastam nesse passo o dia a dia Até o fim do tempo pré-notado. É todo ontem conduziu os tolos À via em pé da morte. Apaga, vela! A vida é só uma sombra: um mau ator Que grita e se debate pelo palco. Depois é esquecido; é uma história Que conta o idiota, toda som e fúria, Sem querer dizer nada”. (p. 567)

A batalha entre os exércitos de Macbeth e do herdeiro direto Maduff se aproxima…

Ambição e Sangue, essas são as duas palavras que sustentam a mais curta e mais violenta tragédia do dramaturgo inglês, William Shakespeare. Que, apesar de não ser tão belo quanto Hamlet, e não cativar como as personagens da peça supracitada, é rica na simplicidade e no poder de sua trama tão bem elaborada e articulada.

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7 Respostas para “Macbeth – William Shakespeare

  1. Se a tragpedia já é curta, a tua sinopse repleta de trechos ficou parecendo um daqueles ‘trailers’ hollywoodianos que mostram o filme quase todo (risos)

    Mas eu compreendo a empolgação: tu tens uma tara pelo sangue (hehehehe)

    De minha parte, a identificação é com a Lady MacBeth: por mais que eu lave e lave minhas mãos (até álcool eu passo, tu bem o sabes), fica tudo lá!

    Recomendo-te, à guisa de comparação, as versões fílmicas de Orson Welles, Roman Polanski e Akira Kurosawa sobre o mesmo livro: é ótimo verificar como cada um enfatiza o que mais lhe interessa. Nesse sentido, Welles foi bem mais fiel! Chega escorre o tal sangue (risos)…

    Fico faltando critica de sua parte, um comentário mais pessoal sobre a apreciação. Ficou parecendo sinopse estendida, resumo de aluno colegial (na melhor acepção do termo, não me entenda mal), sem catálise…

    WPC>

  2. “Ambição e Sangue, essas são as duas palavras que sustentam a mais curta e mais violenta tragédia do dramaturgo inglês, William Shakespeare.”
    Caramba! Que autoridade pra falar! Até pareceu chamada de sessão da tarde.
    Ainda não li nada de Shakespeare, mas lerei. I will.

  3. Pingback: Nostradamus Future Predictions

  4. As melhores traduções em português, na minha modesta opinião, são as de Manuel Bandeira, pela editora Paz e Terra, e uma anônima que circula pela internete (como no sáite “pt.scribd”).

    Tem outras, não que não são muito boas, como a de Beatriz Viégas, da L&PM, que, apesar de rimada na parte das bruxas, não tem ritmo, e a da Martin Claret, que nem rima tem.

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