A Guerra dos Tronos – George R. R. Martin

Por José Eduardo Ribeiro Nascimento

19/05/2011

Terminei ontem de madrugada.

Como Leonardo já havia feito a propaganda, e todas as expectativas, e trailers, da série inflamaram-na, o livro me surpreendeu e me fez sentir raiva de já não ter o segundo para continuar a leitura. Martin desenvolve o conflito dos tronos de uma forma que as mortes, honras e desonras, vitórias e fracassos, vícios e virtudes, fluem naturalmente. O grande número de personagens, aliado a grandes idéias e descrições, tornam o livro de uma leitura bastante interessante. Acontece muita coisa no livro, há pouco espaço para desenvolvê-las (não que fique mal feito, na verdade é uma estratégia proposital para vender o livro dois), e Martin faz de um jeito que não há pontas soltas, além é claro da evolução natural da história que continua nos próximos livros, deixando todos os grandes problemas em aberto.

Leitura obrigatória. Altamente recomendado.

04/05/2011

“Meus roteiros eram sempre longos e caros. Eu sempre tinha que enxugá-los. Havia personagens demais, cenários demais. [Os produtores diziam:] ‘Não podemos ter todos esses cenários, não podemos ter essa cena de batalha que você escreveu porque só podemos bancar 12 extras’. Então, acabei voltando para os livros. Eu disse: ‘Não me importo com mais nada daquilo. Vou escrever a maior história que eu puder. Vai ter centenas de personagens, batalhas gigantescas, castelos magníficos e paisagens maravilhosas – todas as coisas que eu não podia ter na televisão’”

As palavras acima, ditas por Martin em uma entrevista para o Chicago Tribune, dão uma idéia do que o leitor deve esperar ao embarcar pelas 600 páginas do primeiro volume da saga (palavra tão banalizada hoje em dia) As Crônicas de Gelo e Fogo. Ainda estou na metade de A Guerra dos Tronos, mas desde o prólogo, que já havia lido em inglês, fiquei apaixonado pela narrativa, personagens bem construídos e cenários magníficos. Como o nome do romance já diz, a trama principal do romance gira em torno das intrigas palacianas. No meio do jogo está Eddard Stark, senhor da Casa Stark, soberano do Norte, grande amigo do rei e recém nomeado a Mão, algo como um 1º ministro/conselheiro
pessoal do rei.

Falando em ambiente, há muitas construções magníficas, como a Muralha ao norte, e várias florestas e perigos ameaçadores. As estações do ano não duram meses, mas anos, e de uma forma nada previsível. Assim o outono pode começar agora e terminar daqui a um ano, mas por outro lado pode se estender por anos e anos. No livro o mundo se encontra em um verão que perdura por dez anos. Fora a trama principal, das intrigas políticas, há dois grandes perigos secundários: Um deles é a marcha dos irmãos Targaryen, Viserys e Daenerys, em seus próprios jogos políticos para voltar ao poder; a outra é o perigo que se
esconde ao norte, chamados simplesmente de os Outros, uma ameaça sobrenatural pouco explorada até o momento em que parei.

Os personagens de Martin são complexos e bem construídos, sendo impossível enquadrá-los em uma simples tabela de Mocinhos&Bandidos; o próprio Eddard, que, ao menos até o ponto em que parei na leitura, mostra-se o mais nobre, honesto e leal, carrega sombras no passado, e as crianças apesar de se armarem de inocência, esta não é a mesma com a qual estamos acostumados. Os jovens aprendem cedo sobre o poder e a nobreza. Há personagens que se apresentam com boas intenções de início, e, apesar de não serem maus, têm objetivos próprios, muitas vezes obscuros.

Toda vez que começamos a ler um livro uma linha de raciocínio surge em nossa cabeça, tentando adivinhar os fatos do futuro, através das conseqüências de atos do presente. Tentar fazer isso em a Guerra dos Tronos é cair em engano a cada parágrafo. Você logo descobre que Martin não zela por ninguém, não gosta de nenhum personagem em especial. Ele não cria um herói e nem um bandido em nenhum momento. Para criar esse ambiente de difícil presunção ele se arma de uma estratégia interessante. O livro é dividido em uma centena de capítulos curtos, cada um levando o nome de um personagem. Então se o capítulo for “Catalyn” você já sabe que o narrador acompanhará o raciocínio da Senhora Stark, mas se por outro lado “Daenerys” surgir no topo, a princesa Targaryen será o astro da vez. E o mais interessante de tudo é que a linha de raciocínio se complica ou simplifica, dependendo da idade, maturidade e estado de espírito da personagem em questão. Essa estratégia dos capítulos curtos, aliada a estruturação da narração e das sub-tramas que perseguem cada personagem, torna a leitura mais fluida e dinâmica.

Para mim, nessa metade de livro lida, a melhor característica do livro é o fato de que os personagens não são imortais. Enquanto em Senhor dos Anéis e Harry Potter você sabe que Frodo e Potter nunca vão morrer, em a Guerra dos Tronos, até onde se sabe, Eddard pode amanhecer morto envenenado ou sofrer um terrível acidente nas escadas do castelo de manhã, tudo de que podemos ter certeza é que o Inverno está chegando…

Anúncios

12 Respostas para “A Guerra dos Tronos – George R. R. Martin

  1. Concordo com você: a obra é viciante. Já li o primeiro livro duas vezes em inglês (que gabola :D) e estou só esperando você terminar pra ler a versão controversa em português. Outra coisa que chama a atenção é o desapego do autor ao personagem. Mas discordo num ponto: Daenerys e Viserys não são coadjuvantes. Não há nenhum membro das casas maiores que possa ser chamado de coadjuvante.

    E seu medo pela segurança de Eddard… É hilário. 😀

    • Na verdade não quis dizer que os Targaryen são coadjuvantes, mas que a trama da qual eles fazem parte, por enquanto, não é a principal. Daenerys se mostra ser uma grande personagem. Muito legal. E Viserys, com todo o seu orgulho de rei, sendo tratado como um idiota por todos, apesar de às vezes ser um alívio cômico bem vindo, é preocupante…

  2. A publicidade da série que vai estrear na HBO é muito boa e repete alguns dos versos citados no início de tua postagem… Quem sabe depois de eu acompanhar alguns episódios, não fique com vontade de ler o livro. Confesso que a mortalidade dos personagens destacada por ti é um ótimo argumento tramático (risos)

    WPC>

    • Mesmo para que mnão é fã do gênero fantasia, a leitura de livro é prazerosa e interessante. As tramas políticas são bem feitas, os psicológicos dos personagens somados à taxa de mortalidade “real”… No início do livro mesmo Martin faz uma coisa como que de propósito. Um aviso para os incautos leitores: não se prenda a ninguém…

  3. Realmente, as construções dos personagens são excelentes. O meu preferido é Tyrion, o anão. Uma olhada de início parece um ponto de vista dos antagonistas da história, mas ele não é uma coisa nem outra. É alguém muito inteligente que você encontra na rua que não é bom nem ruim, só alguém normal que foi moldado pelo jeito que foi criado. Sensacional! Me acabo de rir de suas frases de efeito.
    E o autor também, constrói todo um drama em cima da personagem para depois tirá-lo de você (ou não)! Totalmente imprevisível!

    • Isso mesmo. Eu já me revirei, entusiasmei e senti raiva e apreensão com os personagens e o rumo que a história os levava a seguir. Muito bem escrito e desenvolvido.

  4. Pingback: Guerra dos Tronos – George R. R. Martin | Catálise Crítica

  5. Pingback: Top 10 – Livros – Eduardo « Catálise Crítica

  6. Pingback: A Fúria dos Reis – George R.R. Martin | Catálise Crítica

  7. Pingback: A Hora da Estrela – Clarice Lispector | Catálise Crítica

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s