Um copo de cólera – Raduan Nassar

Por José Leonardo Ribeiro Nascimento

Um livro para ser lido em pouco mais de meia hora, e foi o que fiz. Se fosse para classificá-lo (que coisa inútil, não?), acredito que figuraria como uma novela, ou quem sabe um conto mais longo. Mas isso não faz a menor diferença. Li meio que por acaso, sem fazer ideia do que encontraria. Apenas tinha na lembrança imagens eróticas da publicidade do filme (que não vi) com Alexandre Borges e Julia Lemmertz. E o livro realmente começa neste tom, com uma habilidade para narrar impressionante. Depois vem esse bendito copo de cólera, quando um fato aparentemente irrelevante serve de catarse para sentimentos ocultados, mágoas e frustrações virem à tona, numa tour de force soberbo do escritor. Mais uma vez chama a atenção a velha história:  a voz é das personagens ou do escritor? Não importa muito, elas se fundem e o que sobra é uma pequena pérola, uma obra que, sem dúvida alguma, pode ser utilizado, para além da inquestionável qualidade da trama, como fonte de estudo para aspirantes a escritores (e eu me incluo aqui).

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5 Respostas para “Um copo de cólera – Raduan Nassar

  1. Olhe que legal, Leonardo usou o “para além” kkkkkkkkkkkkkkkkk

    Bem, fica a dica do livro/novela/conto extenso…

  2. Não entendi a piada interna com o “para além”, mas este é um dos meus clichês/vícios confessos de escritura (risos)

    Quanto ao livro, não tem como não lê-lo em meia-hora, de gato. Primeiro, porque é breve mesmo e segundo, porque é bruto, venoso, incisivo, explosivo. “Lavoura Arcaica” é tão curto quanto (em tamanho), mas requer muito mais tempo de leitura e ruminação, sendo ambos genais!

    Quanto ao filme: confesso que gosto dele mais do que a maioria. Acho-o não somente fiel ao espírito do livro e positivamente artificial no que tange ao rebuscamento argumentativo dos personagens apaixonados e iracundos, mas também curto, bruto, venoso, incisivo e explosivo. O trabalho do casal real que vivifica o casal ficcional e o ótimo trabalho acessório de André Abujamra na trilha sonora, bem como os inúmeros ‘close-ups’ de um metafórico formigueiro me impressionam, de maneira que, apesar de admitir que ele é muitíssimo equivocado, eu, ainda assim, perdôo o diretor Aluísio Abranches, que enfiaria completamente os pés pelas mãos e pela genitália no abominável “Do Começo ao Fim”. É isso!

    Wesley PC>

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