Tudo Sobre Minha Mãe – Pedro Almodóvar

Por José Leonardo Ribeiro Nascimento

Após ter visto Abraços Partidos fiquei com vontade de rever Tudo Sobre minha Mãe, de Almodóvar, um dos filmes que mais me impressionou positivamente até hoje. Revi-o ontem e esse encanto se manteve (ou se reforçou). Para mim, esse é o exemplo de um película perfeita, dentro do que se propõe: contar uma história tocante, habitada por seres humanos (por mulheres, em especial), que sofrem e riem, que enfrentam dificuldades a cada dia e que conseguem (todos nós não conseguimos?) seguir em frente.

A suspensão da descrença funciona perfeitamente nesse filme por conta do envolvimento emocional de quem vê. Afinal, são muitas as coincidências no filme, desde aquelas envolvendo Um bonde chamado desejo, até outras envolvendo a paternidade de um determinado travesti ou mesmo coisas menores, como encontrar um determinado cachorro em uma determinada praça. Mas que importa isso? É só poesia. Belíssimas metáforas. O diretor lembrando-nos o tempo todo de que se trata de um filme e que ele nos mantém o tempo todo sob sua rédea. A história vagueia ao sabor de suas vontades, não as nossas. Mas é que ele tem consciência de que o que ele quer é melhor e pronto.

Voltando à película, o mote do filme é bastante simples: No dia do aniversário de 17 anos do jovem Estéban, que sonha em ser escritor, ele faz um pedido à sua mãe, Manuela: revelar a verdade sobre seu pai, de quem ele não sabe nada. Nesse mesmo dia, após ver a montagem teatral de Um bonde chamado desejo, ele tenta conseguir um autógrafo da atriz principal da peça, mas um acidente impede que seu plano se realize. Manuela decide então viajar de Madri até Barcelona, para reencontrar o pai de seu filho. É claro que nesta viagem ela se reencontrará com seu passado e terá a oportunidade de conhecer outras histórias e outras vidas…

Um de meus filmes favoritos, cada vez mais… 

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7 Respostas para “Tudo Sobre Minha Mãe – Pedro Almodóvar

  1. (…)

    O que mais dizer?

    (…)

    Minha relação com o filme é bem diferente da tua, pois tenho uma proximidade atroz com o diretor, que chegou a batizar um cachorrinho meu (risos)

    Fiquei particularmente encantado com a cena que escolheste – quando elas riem depois que a freirinha grávida e aidética fala que “faz muito tempo que não fala rôla”… Uma cena tão perfeita de entrega emocional plena…

    Não deve ser difícil intuir o quanto eu me identifico com Agrado neste filme: sua habilidade renovada para os boquetes mais discretos do mundo, o aforismo mais do que pertinente sobre autenticidade: “uma pessoa é tão mais autêntica quando faz todo o possível para ficar parecida com o que ela imaginou para si mesma”… Ah, não tem como não amar cada filigrana deste filme, cada homenagem, cada coincidência, a beleza breve do Eloy Azarin… Tudo!

    (…)

    Devo acrescentar que minha mãe foge deste filme, tem medo do que o filme pode emular, visto que também não conheço (leia-se: não sei NADA) meu pai… Sorte que não tenho mais 17 anos (risos)

    WPC>

  2. … E elas latindo?

    E Agrado dizendo á doída personagem de Marisa Paredes que é “fãs” dela, “assim mesmo, no plural”… Obra-prima!

    Mexe comigo sempre…

    WPC>

    • E Huma dizendo que sempre dependeu da bondade de estranhos? E o momento stand-up comedy de Agrado? E a reação de Manuela ao ver o resultado do exame de Rosa? Sublime… sublime filme.

      • Huma citando a frase-chavão do clássico de Tennessee Williams, sem perceber que o fazia, de fato encanta… OH!

        Quando tiveres tempo, veja o clássico de Elia Kazan, UMA RUA CHAMADA PECADO no Brasil, e compare: é forte!

        Aproveite e veja NOITE DE ESTRÉIA, do John Cassavetes, outro filme citado profundamente pelo Almodóvar aqui…

        E o prefácio do Truman Capote lá no comecinho: sempre repito a comparação positiva entre “o dom e o chicote destinado unicamente à automutilação” da escrita…

        perfeito!

        WPC>

    • Há pouco tempo (menos de um ano) estava na Escariz esperando minha esposa comprar alguma coisa e comecei a ler Um bonde chamado desejo. Tive vontade de comprar, mas como não compro pocket books (!), decidi aguardar por uma oportunidade futura.
      Mas fiquei fascinado pelo texto e decidi ver o filme, do qual já havia muito ouvido falar, especialmente pela atuação de Marlon Brando.
      Vi o filme e é espetacular. Acredito até que foi na mesma época em que vi aquele outro… (fui googlar, pois minha memória é péssima). Gata em teto de zinco quente (sobre o qual eu achava que tinha escrito, mas não o fiz, infelizmente). É outro grande filme, absolutamente sedutor.

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