Os Magos – Lev Grossman

Por José Eduardo Ribeiro Nascimento

Terminei ontem à noite… e já estou com vontade de relê-lo.

Como Leonardo havia relatado em seu post (aqui), o livro é uma grande homenagem ao gênero “literatura fantástica”. Ele faz inúmeras referências a livros como Harry Potter, Nárnia, Terra Média, e também aos fãs destas obras, descrevendo de uma maneira realista o que aconteceria se alguém realmente embarcasse em um mundo no qual a magia é real.

(Procurarei não falar sobre essas referências, porque a maioria delas são carregadas de spoilers).

O que é cativante no livro, de verdade, é que, apesar de todas essas “citações”, Grossman cria um mundo próprio, com características próprias, que conquista o leitor a primeira vista.

No post que Leonardo escreveu sobre o livro, ele comentou algumas coisinhas e deixou “outras” para que eu comentasse assim que terminasse a minha leitura. Na verdade, há pouco para se falar sem comprometer a história e as surpresas. Há grandes referências, e uma delas é ao RPG D&D. Na escola de magia, Quentin (o personagem principal) tem um professor chamado Bigby. “Bigby”, por sua vez, é oriundo de um dos maiores magos de Greyhawk (grandioso cenário de RPG, como é a Terra Média, de Tolkien), ao lado de Mordenkainen, Tenser, Melf e Otto, dando nome a várias magias dos livros básicos de D&D, como “As mãos de Bigby”.

Antes de escrever esse post, fui atualizar o status do livro no Skoob para “lido”, e comecei a ler algumas resenhas (a maioria adolescentes fãs de Harry Potter), e constatei que grande parte não gostou do livro. Por quais motivos? Acredito que eu possa destacar dois deles:

Primeiro, eles talvez tenham achado que, por Martin ter escrito: “Os Magos está para Harry Potter como uma dose de uísque puro malte está para uma xícara de chá”, eles iriam ler apenas uma versão mais madura de Harry Potter: o que é um coisa totalmente absurda! Apesar de o romance ser sobre adolescentes magos numa escola secreta escondida do mundo real (nada de mundo trouxa), tendo inclusive um esporte próprio com competição entre escolas, a referência a Harry Potter (senhora referência) acaba aqui. A magia em Grossman é descrita de forma muito mais “científica”, num misto de habilidade de movimentos, preparo de material, estudo químico, físico e matemático – e de todas as possibilidades de fenômenos físicos, astronômicos etc, que puderem acontecer. E apesar de a metade do livro ser sobre o treinamento mágico, esse treinamento –  de 5 anos – fica resumido a apenas 150 páginas. Já a parte do “esporte”, dura, no máximo, duas páginas. Logo, posso afirmar, o propósito do autor não é, definitivamente, o mesmo de Howling.

Segundo, todos esperavam ver um príncipe Caspian, um Harry Potter, um Frodo, enfim, um herói perfeito que sofre, mas levanta a cabeça em seguida; que ajuda os amigos, e busca forças ocultas nos momentos decisivos para salvar o dia. Isso, logicamente, não acontece aqui. Todas as personagens são “defeituosas”, cheios de conflitos psicológicos. Quentin, com sua mania de nunca estar contente com a própria vida; Eliot, e sua mania de nunca fazer nada na vida etc. Eles não são heróis nem de perto. No final, quem salva o dia não são eles, mas uma pessoa que realmente merecia… logicamente falando (e emocionalmente falando também, pois sempre foi um dos meus personagens favoritos e… ok, ok, nada de spoilers). Ah, detalhe: sempre que o perigo aparecia, Quentin ficava paralisado pelo medo (a não ser que estivesse bêbado e…)

As impressões (sem spoilers) que tive foram as melhores. Quem estiver a procura de um clone/adulto de Harry Potter é melhor ficar longe do livro. Quem procura um romance sobre heróis e um beijo romântico no final, fique longe desse aqui. Mas se estiverem procurando um livro fantástico, maduro, com humor ácido e inteligente, no qual as personagens são pessoas comuns em situações fantásticas, envolvidas com bebidas, sexo, traição, pecados e problemas psicológicos leves, “Os Magos” vai encantá-los.

Perfeito. Já estou com saudades…

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13 Respostas para “Os Magos – Lev Grossman

  1. Uma coisa que nao mencionei no post: a referência a D&D que coloquei não e a principal. E uma menor que percebi apenas Por ser jogador de RPG. A melhor referência, a que leonardo se refere em seu post, e bem explícita, e realmente uma das melhores.

  2. Tenho muitos livros ainda para ler. Terminado O caminho para a liberdade, pretendo ler Sartori, de Faulkner. Tenho ainda Os demônios, de Dostoievski e…

    Esse livro entra na minha lista sim. Fiquei muito curioso para ler essa referência ao amado e antigo D&D…

    (Bons tempos de RPG…)

    • A referência é genial. Muito legal. Na verdade desde o começo as referências a Harry Potter e a Nárnia são super explicítas, mas muito divertidas. É uma leitura rápida, divertida e bem humorada. Lagalíssimo!

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  6. Ah, fiquei curiosíssima pra ler esse livros! Confesso que nunca li Harry Potter e assisti apenas a uns poucos flashes de alguns filmes, mas confesso que nunca me atraiu.
    Espero que Os Magos esteja em um nível muito mais pertinente ao ser humano, como você falou, em que os personagens são apenas seres defeituosos em meio aos revezes da vida.

    • Os Magos me surpreendeu positivamente. Há magia, há os clichés, mas é tudo usado muito adequadamente. O autor é extremamente criativo e sabe como quer contar a sua história. Não gostei do segundo livro, O Rei Mago, mas aí já é outra história. Recomendo bastante Os Magos. Tenho a impressão de que você gostará bastante.
      Ah! Obrigado pela visita e volte sempre ao blog!

  7. O texto preto nesse fundo escuro é proposital? Achei difícil de ler a matéria aqui e honestamente a indelicadeza desta falta de percepção não me estimulou a copiar o texto e colar no word para ler. Cheguei aqui por meio do texto sobre o Rei Mago noutro post. Sugiro que usem um padrão visual mais legível para esse texto. Espero que não se aborreçam com a crítica, o texto sobre o Rei Mago foi muito bom e fiquei interessado no livro por causa dele. Este texto sobre os Magos não consegui enxergar direito para ler. Sorry.

    • Obrigado pela dica, JJ Marreiro.
      Mudamos o layout do blog recentemente e por algum motivo este post ficou assim, ruim de ler. Provavelmente a forma como ele foi colado a partir do Word apagou a formatação padrão do WordPress.

      Estou viajando, mas assim que chegar a um computador corrigirei essa falha.

  8. Pingback: Resenha – Os Magos – Lev Grossman – uma releitura | Catálise Crítica

  9. Comecei a ler agorinha e já estou quase na metade! Haha! Estou adorando!
    Lembrei que você tinha escrito essa resenha há alguns anos e vim reler (esperando spoilers, confesso kkkk).

    Parece que tem uma série. Espero que não tenham estragado o livro!

    Abraços!

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