Síndrome de Stendhal

Por José Reinaldo do Nascimento Filho

Estava zanzando pela net quando me deparei com um pequeno texto sobre o mais novo projeto de Dario Argento (preciso perguntar a Wesley sobre os filmes dessa criatura, pensei): “Drácula 3D”. Comecei, então, a dar uma olhadela na filmografia do dito cujo, até me topar com esse inusitado título: Síndrome de Stendhal (1996). “Caramba, deve ser legal!” pensei. Li rapidamente a sinopse, e, além disso, um pouco sobre essa tal doença do escritor francês. Vejam que curioso:

A Síndrome de Stendhal caracteriza-se pelo surgimento súbito de diversos sintomas simultâneos (vivências estranhas, por vezes acompanhadas de sintomas físicos, sensação de profunda emoção, seguida de um leve entorpecimento, desorientação têmporo-espacial momentânea, sudorese profusa e desrealização) mediante a exposição do indivíduo à contemplação de uma ou mais obras de arte.

Esta Síndrome recebeu o nome de Stendhal (pseudônimo de Marie-Henri Beyle), que em 1817 foi à Florença (Itália) e ao visitar a igreja de Santa Croce foi tomado de estranha combinação de sintomas e emoções, com palpitações e tonturas. Descreveu o que sentiu assim (em dois trechos de diário da viagem, que chamou de “Nápoles e Florença: Uma viagem de Milão a Reggio”):

Florença, 22 de janeiro de 1817: Ao chegar a Florença, meu coração batia com força… em uma curva da estrada, meu olho mergulhou na planície e percebi, de longe, como uma massa escura, Santa Maria Del Fiori e sua famosa cúpula, obra-prima de Brunelleschi. Eu me dizia:

“É aqui que viveram Dante, Michelangelo, Leonardo da Vinci! Eis esta nobre cidade, a rainha da Idade Média! É nesses muros que começou a civilização”… as lembranças se comprimiam em meu coração, sentia-me sem condição de raciocinar e entregava-me à minha loucura como junto de uma mulher a quem se ama… Eu já me encontrava em uma espécie de êxtase pela idéia de estar em Florença e pela vizinhança dos grandes homens dos quais eu acabava de ver os túmulos [Michelangelo, Alfieri, Machiavel, Galileu]… Absorvido na contemplação da beleza sublime, que via de perto, eu a tocava, por assim dizer. Tinha chegado ao ponto da emoção onde se encontram as sensações celestes proporcionadas pelas belas-artes e os sentimentos passionais. Saindo de Santa Croce, meu coração batia forte, o que em Berlim chama-se “nervos; a vida esgotara-se em mim, eu andava com medo de cair…”

Fiódor Mikhailovitch Dostoiévski diante do quadro O Cristo Morto, de Hans Holbein, o jovem, num museu da Basiléia descrito por sua segunda esposa Anna Grigoriévna Sniktina, em dados biográficos e na análise do entusiasmo com que o príncipe Míschkin, personagem principal do romance O Idiota, demonstra pelo quadro, na própria descrição que Dostoiévski fez dessa obra de arte, apresentou a Síndrome de Stendhal também. Sua esposa registrou em diário a perturbação do escritor:

“A visão do rosto inchado de Cristo após seu martírio desumano era terrível. (…) Fiodor permaneceu em pé diante do quadro com uma expressão oprimida. Olhá-lo me fazia mal, então fui para outra sala. Voltei 20 minutos depois e ele ainda estava lá, na mesma posição diante do quadro. Seu olhar exprimia medo. Levei-o para outra sala, ele se acalmou lentamente, mas insistiu ainda em tornar a ver o quadro que tanto o perturbara”.

Texto retirado de: http://dicionariodesindromes.blogspot.com/2010/01/sindrome-de-stendhal.html

Anúncios

Uma resposta para “Síndrome de Stendhal

  1. Não sei se vai parecer presunçoso de minha parte, mas o modo como alguns filmes e músicas me afetam talvez tenha a ver com algum diagnóstico patológico ainda pendente no meu catálogo já avançado de doenças… (risos)

    Dario Argento é mais do que respeitado por seus trabalhos inteligentes de horror – muito embasados em Edgar Allan Poe, aliás, tu vais gostar! – mas eu vi poucos filmes dele. Confesso, aliás, que o que eu vi até então não me empolgou de todo, mas a sua fase sessentista me parece prenhe de desejo: ah, se eu pego! (risos)

    Quanto ao seu novo projeto, puxa, Drácula mais uma vez?! O que ainda pode ser acrescentado a esta trama, hein? Esperemos os (des)caminhos da síndrome de Stendhal (kkkkkkkkkkkkkkkk)

    Tô gostando bastante destas postagens rápidas!

    WPC>

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s