A Fúria dos Reis – George R.R. Martin

Por José Eduardo Ribeiro Nascimento

Terminei ontem de madrugada, um mês depois de ler o primeiro livro, resenhado aqui, e confesso que olhei para minha estante e senti tristeza por não ver A Tormenta de Espadas, volume 3 da série As crônicas de Gelo e Fogo. O livro, surpreendentemente, consegue ser melhor do que o primeiro. Falar dele sem mencionar spoilers é uma tarefa árdua, mas vou tentar (quando você pensar que está vendo algum spoiler, pode ter certeza que está enganado).

A primeira coisa que fica evidente é o quanto a Magia e a Religião se tornam mais “palpáveis” em Westeros, o continente dos sete reinos. Não significa, lógico, que há magos arrotando bolas de fogo, deuses que mandam pragas e trovões etc., a Magia de Westeros é mais sutil, mas perigosa. Visões e presságios, sonhos, alquimia, substâncias, sombras, cultos a deuses vermelhos…

A Seleção Natural é força ativa neste universo. Quem é forte sobrevive, mata, se transforma, vence. Quem é fraco se perde, morre, sofre, perde. Quem não está preparado para essa máxima odiará o livro. Há mortes importantes recorrentemente, ninguém está à salvo. O jogo de tronos, que começou no primeiro livro, continua aqui. A diferença é o tabuleiro, antes a corte palaciana e as intrigas políticas, hoje o continente, e as consequências deste jogo. Os desavisados perecem, os fortes, intelectual, monetária e fisicamente falando usam de suas ferramentas para se impôr. Quem não dispõe de nenhuma destas ferramentas se apega à histórias e deuses, ou busca roubar uma dessas ferramentas para si.

Enquanto no primeiro livro, Martin nos deixou uma imensa guerra prometida, finalizando sua primeira obra com uma belíssima imagem do despertar da magia, neste ele deixa um destino incerto para todos. A guerra tomou rumos impensáveis, o deus vermelho está desaparecido, os Targaryen com esperança de regresso, Jon Snow mergulhando em um problema inimaginável… O inverno chegou, e o mundo está louco.

Quanto à tradução polêmica, A Fúria dos Reis apresenta um português mais brasileiro. Em a Guerra dos Tronos, a simples adaptação do português europeu para cá apresentava um português arcaico, que apesar de dar um toque especial à leitura, soava bastante estranho em alguns momentos, e perguntava-me recorrentemente se aquele termo seria mesmo o ideal para aquele momento. Nesse segundo livro, a editora parece ter ouvido as críticas dos leitores e fez uma “adaptação” melhor. Está muito confortável de se ler, pouquíssimas passagens lembraram o português antigo do volume anterior.

Agora começo minha espera ansiosa pelo terceiro livro, prometido para setembro deste ano. A Tormenta de Espadas que já teve a capa liberada pela editora Leya:

Anúncios

2 Respostas para “A Fúria dos Reis – George R.R. Martin

  1. Até setembro, quando sair o volume três, quero reler os dois primeiros, desta vez em português, e pretendo finalmente terminar o terceiro em inglês.
    Vamos ver se consigo…

  2. Pingback: Top 10 – Livros – Eduardo « Catálise Crítica

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s