Vou estar esperando – Raymond Chandler

Por José Reinaldo do Nascimento Filho

Moro numa cidade pequena, e é comum que, às vezes, aconteça alguma coisa “diferente”: um crime brutal, traições, fantasmas, mulheres que fogem com algum homem (ou mulher) depois de anos como viúvas etc. O mais recente acontecido, no entanto, foi o assassinato de uma senhora – esposa de um dos homens mais conhecidos e valentes da região -, largada morta em uma estrada rural próxima a um grande moinho de vento, com um tiro entre os olhos e um grande rombo na nuca (detalhe: ela estava de moto; esta, em seguida, fora encontrada numa outra estrada com o pneu furado).

Assim que essa mulher foi achada, os mais diversos comentários, de pouquinho em pouquinho, foram surgindo aos ouvidos desse que vos escreve. E pensando nisso – nos comentários -, somado à vontade de escrever alguma coisa, que me veio à mente uma idéia razoavelmente boa: escreverei um conto Noir a partir desse acontecido. Apropriar-me-ei do acontecimento, dos relatos, das especulações, da proximidade com o crime, para, assim, criar um conto. Para tanto, pensei: é necessário ler e assistir muito mais a respeito desse estilo tão peculiar para tentar fazer algo decente. É preciso pesquisar…

Cacei e encontrei uma série do autor estadunidense James Ellroy (autor de Los Angeles – Cidade Proibida e Dália Negra, adaptada ao cinema pelo cineasta Brian De Palma): Tablóide Americano, 6 mil em espécie e Sangue errante. Espero ansioso pela aquisição desses livros; todavia, não irei esperá-los chegar às minhas mãos para que eu volte a ler romances Noir (visto que já havia lido alguma coisinha sobre eles, incluindo o excelente livreto O longo Adeus, de Raymond Chandler). E como conheço muito pouco de autores que trabalham nessa área, resolvi ir direto àquele que “conheço” e tive o prazer da leitura, com o conto Vou estar esperando.

Na narrativa, a personagem Tony Reseck, detetive particular do hotel pelo qual trabalha, entra em diálogo com uma ruiva de “beleza clássica”, Srta. Cressy; esta, por sua vez, revela ao detetive que está em maus lençóis. Nesse ínterim, Tony é avisado por um dos funcionários que “Do outro lado do ponto de táxi. Tem um cara do lado do carro, esperando, com um pé no estribo (…) ele está usando um casacão escuro, largo, amarrado na cintura, e a gola larga ele levantou para tapar as orelhas. O chapéu está enterrado na cabeça, escondendo os olhos. Não dá nem para enxergar o rosto dele. Então ele vem e me diz “Me chama o Tony”, falando assim com o canto da boca”; ele, então, resolve averiguar, e descobre que o “cara do lado do carro” está atrás da ruiva do hotel. O “cara” dá uma ordem: “Tire ela de lá de dentro”. Tony, sem querer se envolver com os problemas alheios, concorda, e regressa ao hotel em busca da mulher de “beleza clássica”. Mas como bom anti-herói…

Vai a dica…

Leiam o conto clicando nesse link http://pt.scribd.com/doc/162296/78-Vou-estar-esperando

Ps:  ah, e aguardem o meu conto (por favor).

ps2: 31 páginas, se eu contar mais alguma coisa…

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3 Respostas para “Vou estar esperando – Raymond Chandler

  1. Se seu objetivo é ler noir de qualidade, tem que ler Dashiel Hammett. Tenho o clássico O Falcão Maltês e A mulher do bandido e outros contos. O primeiro é um romance e inaugurou o gênero. O segundo, óbvio, são contos, todos ótimos.

    E que venha esse seu conto!

  2. O título do conto é precioso…
    Vou ler sim… Estas personalidades de “beleza clássica” me fisgam classicamente (risos)
    ‘Noir’ é um gênero que me seduz!

    WPC>

  3. Pingback: Dumas Filho e Lovecraft « Catálise Crítica

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