Diário de uma Paixão – Nicholas Sparks

Por José Eduardo Ribeiro Nascimento

A vontade de ler esse livro nasceu no momento que soube que ele existia. Já havia assistido ao filme, e, como a maioria que o fez, gostei, por isso a curiosidade para lê-lo, aumentada ainda mais pelo fato de que o autor escreveu vários livros no mesmo estilo, e todos viraram bestsellers. Acho que seria uma curiosidade pela curiosidade mesmo. Aproveitando que Reinaldo deu um exemplar de presente para minha irmã, e que estou aqui de férias, resolvi colocar minha leitura atual de lado (Jonathan Strange & Mrs Norrell – aparecerá por aqui em breve) para pegar este pequeno livro de letras grandes por algumas horas, terminando de ler há alguns dias. Relutei em falar nele, mas decidi escrever isso aqui.

Não, o livro não é horrível. É comum, até demais na verdade. Uma leitura muito simples e fácil, sem atrativos. O escritor economiza em adjetivos, substantivos e até em frases. A primeira metade do livro ele simplesmente vai contando a história, sem descrever nada. Por exemplo, quando Noah encontra Allie pela primeira vez, ela é apenas uma mulher loira de olhos de esmeralda. Bem, eles se apaixonaram, é o que importa, acho.

Só há uma tentativa real de descrever quando o casal vai ter uma relação sexual, momento em que o autor se estende por pouco mais de duas páginas. Não é nada brilhante, mas ele não faz feio, e esse tipo de descrição faz muita falta. Em outro exemplo cria-se grande expectativa sobre um local que deveria ser o mais lindo do mundo, mas se o adjetivo (lindo) não tivesse sido usado não saberíamos o que pensar quando os personagens chegaram nesse local, já que eles chegam em uma linha e na outra já estão voltando… Isso até tira o “feeling” romântico do livro.

Em todo caso, terminei de ler o livro, e apesar de não ter me arrependido, também não fiquei satisfeito, tampouco emocionado, pensativo, ou qualquer outro tipo de emoção que se tem quando um livro acaba. O livro é morno o tempo inteiro, chegando a ficar frio em algumas horas… Ah, sim! Lembrei do pensamento que tive depois de terminar: “como conseguiram vender mais de 12 milhões de cópias deste livro?”

A ideia da história é muito boa, e talvez o esqueleto do desenvolvimento também tenha sido, mas o que existe entre esses dois pontos é péssimo. “Digitei 80 mil palavras, enxuguei para 25 mil”. Nós damos graças a Deus, Nick, por você ter enxugado tanto, por que se o livro tivesse o dobro do tamanho que tem, eu estaria dormindo agora…

Não recomendo a sua leitura. Quer conhecer a história? Assista ao filme. É muito bem adaptado, e tem a vantagem da visualização, recurso de que Nicholas Sparks não se vale para escrever o livro. Fique longe do livro, a não ser que você seja uma mulher romântica com pouca leitura na bagagem. Não, não é preconceito.

E pra não dizer que sou chato, um trecho do livro:

Ficamos sentados em silêncio, contemplando o mundo à nossa volta. Levamos uma vida inteira para aprender isso. Parece que somente os velhos conseguem ficar sentados desse jeito, um ao lado do outro sem nada dizer, e ainda assim se sentirem contentes. Os jovens, irrequietos e impacientes, têm sempre de quebrar o silêncio. É um desperdício, porque o silêncio é puro. O silêncio é sagrado. Ele aproxima as pessoas, porque só quem se sente confortável ao lado de outra pessoa pode ficar sentado sem falar. Esse é o grande paradoxo.

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7 Respostas para “Diário de uma Paixão – Nicholas Sparks

  1. A cultura popular diz que não se deve julgar algo que não se conhece. Nem sempre concordo com isso. Não preciso arrancar um dente para saber que isso não é bom, assim como não preciso ler Nicholas Spark para saber que também não é bom (desculpem a comparação esdrúxula).
    Confesso que sou mesmo preconceituosa com livrinhos da moda, nem me dou ao trabalho de dar uma chance a eles.

    • Eu também sou um pouco assim, Julia. Na verdade, penso que há tanto para ler que penso dez vezes antes de me arriscar a ler algo cujas maiores referências são filmes de sucesso entre adolescentes.

  2. Reconheço que caio um pouco nesse erro, e tenho curiosidade de ler várias coisas que estão na moda. No fim das contas não é uma grande perda de tempo, já que pode-se ler um livro desses em poucas horas desatentas…

  3. Eu gosto muito do filme, Eduardo. Muito mesmo! Chorei que me acabei na sessão, para minha própria surpresa visto que não esperava muita coisa dele. Mas nunca tive muita vontade de ler o livro original não… Este Nicholas Sparks nunca me enganou, nunca me convenceu de que prestava. Pois bem. Anos se passaram e colegas de classe demoraram-se em elogios ao livro: ‘nunca li algo tão rápido quanto o fiz com este livro aqui”. OK, não me custava nada arriscar. Não custava?

    Lendo a tua resenha, concordo bastante com tua apreciação, mas acho-o quase horrível sim. Abaixo de normal em sua catilinária vendável, em sua ladainha de amor capitalista, em que os seios empinados da protagonista feminina são minuciosamente mencionados, mas a ereção do bom protagonista masculino é ignorada ao longo das 200 páginas e um tantinho… Um ponto de vista narrativo que NÃO é feminino, mas que, ao contrário, quer atingi-las em cheio, fazê-las idealizar o sexo como algo revestido de pureza, encaixamento perfeito, comunhão suma de interesses morais. Juro que eu gostaria de pensar nisso também, mas não foi este livro que conseguiu. Irritei-me deveras com a leitura.

    Por sorte, o terço final do livro é interessante, o trecho sobre o enfrentamento “milagroso” do Alzheimer pelo menos, mas… é pouco para justificar o meu interesse. Foi pouco, muito pouco, como acabei de explicar a Reinaldo, acompanhado por inconvenientes declarações de amor renitente e interdito, e como despejei aqui:

    http://gomorra69.blogspot.com/2012/02/apesar-de-aparentemente-ter-nos.html

    Se tu não tiveres um receio exacerbado em imaginar o nome ou a memória de teu irmão associado às emoções vendáveis deste troço literário (sim, porque era nele que eu pensava a fim de tentar me identificar ou me agradar com as lamúrias passionais do tal Noah), compare as nossas resenhas e perceba que temos muitos pontos apreciativos em comum: amamos o amor, eu e tu (tu sendo mais realizado e bem-sucedido que eu nesse quesito), mas odiamos a venda chinfrim do mesmo. Isto me faz estar irmanado a ti por alguns instantes. Obrigado por ter permitido isso, visse? Abraço!

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  4. ao cotrario de muitos,gostei do livro e muito,eu acho que se ele de varios adjetivos como voce diz iria ficar maloso

    • Essa é a beleza da literatura, Gabrielle: eu gosto de um livro e não gosto de outro, e cada um tem suas preferências. Se esse livro não tivesse seu valor, não teria vendido milhões de cópias ao redor do mundo. A questão é o que cada um busca quando escolhe um livro para ler.

      Obrigado pelo comentário e volte sempre ao blog.

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