A fragilidade humana

Por Maria Déborah Ribeiro Nascimento

O ser humano, com a racionalidade e a inteligência que Deus lhe deu, se impôs sobre os demais animais, tornando-se o “soberano”. Com seus dons inventou, construiu, ergueu, explodiu, destruiu e reergueu; enfim, fez o mundo girar. Parando para pensar, é sempre um espetáculo ver as novas tecnologias, invenções e tudo o que o homem é capaz de fazer. Na verdade, é lindo tudo isso. Mas, olhando o “lado negro”, é cada vez mais surpreendente a capacidade que o homem tem de ser o mais irracional e cruel dos animais.

Vivemos no meio de tantas invenções formidáveis que serviram para facilitar a vida, inclusive salvá-la – meios de transportes, meios de comunicação, remédios, tudo isso criado pelo homem, para o homem. Por outro lado, quantas criações feitas para destruir: armas, bombas, além daquelas feitas para ferir fisicamente, muitos instrumentos causadores de discórdia, como a política e até o próprio esporte, que a princípio seria para a diversão, é utilizado para roubar, chantagear, matar… O homem vive como se fosse viver para sempre. Com a filosofia de querer “sempre mais”, mais dinheiro, mais sexo, mais prazer, mais droga, tudo mais. E quando chega ao final da linha, olha para trás e vê o quão má vivida foi sua vida.

Imagine só: você foi, durante toda a vida, uma pessoa que “amava” viver, e vivia na filosofia do “sempre mais”. Mais mulher, mais cigarro, mais internet, mais, mais e mais… Chega a velhice, e junto com ela, as consequências. Você termina numa cama, doente. Está o “couro e o osso”, já não pode andar, nem falar, mal pode se mexer. Volta a ser a criança de fraldas, dependente e fraco. Aí você pensa “será que valeu a pena querer mais e mais?”. Passar a vida correndo atrás do pote de ouro no final do arco-íris. Agora, com a vida indo embora, o arco-íris sumiu. E qual foi o tesouro que achou?

O que sei é que a gente colhe o que a gente planta, e o tesouro que acharemos no final, é constituído daquilo que fomos e fizemos durante a caminhada. O que você fez para chegar até o tesouro? Trapaceou para passar na frente dos outros? Humilhou alguém? A felicidade é edificada no nosso caminhar. É preciso priorizar as pessoas, os valores, os momentos no nosso dia-a-dia. Viver de tal forma que, no final, você sorria feliz, por ter começado a viver o céu aqui na Terra. Ao invés de falar que “devia ter amado mais, ter chorado mais…”.

Eu sei que vou esquecer-me disso tudo que escrevi, e que novamente deixarei os problemas ocuparem o pedestal da minha vida. A monografia para apresentar, o estágio a ser feito, o trabalho… Tanta coisa! Mas também sei que ao reler esse texto, a imagem do meu avô virá à cabeça, o que é triste relembrar, mas que, como tudo que Deus faz em minha vida, me ensina uma lição. Então mais uma vez tentarei “viver bem” e vou seguindo. A conclusão é que, o homem seria bem melhor se todos tivessem essa oportunidade de presenciar e sentir a fragilidade humana.

“Vós não sabeis o que sucederá amanhã. Que é a vossa vida? Sois, apenas, como neblina que aparece por um instante e logo se dissipa”. Tiago 4,14

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3 Respostas para “A fragilidade humana

  1. O meu avô tem 81 anos e está morrendo. “Como uma vela que se apaga lentamente”, disse a minha mãe. Macérrimo, fraco e branco. Definhando. Há muito ele descobriu ter câncer na garganta. Fez o que pôde para lutar contra esse mal. Adquiriu até a esperança de curar-se; mas nesses últimos dias parece ter desistido de tentar. Pouco sei sobre ele; e o que sei parece ser muito pouco para tomar algum tipo de juízo ao seu respeito. “Muitas mulheres antes, durante e depois do casamento!”, “Pai ausente”, “Gente boa” e “Grande mestre de obras” foram as frases mais repetidas que chegaram aos meus ouvidos (além da clássica: “Ele está pagando pelos seus pecados”). Será mesmo? pensei. Bem, não sei. Sei somente que pouco sei sobre ele.

    https://catalisecritica.wordpress.com/2011/06/27/sartoris-william-faulkner/

  2. Reinaldo já havia mencionado este caso de teu avô através de um exemplo literário… Mas gostei de como tu resolves as coisas no parágrafo final: assino embaixo!

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