Hades Terra-Inversa – Volume I – J. R. Moona

Por José Eduardo Ribeiro Nascimento

“Oliver Drummond, apenas mais um rosto na multidão, vive uma vida a qual nunca quis. Com seus vinte anos de idade, já aceitou que seu destino é o fracasso. Seu passado, embora deixado para trás, costuma persegui-lo pela morte de seu pai. Um pesadelo constante, que o atormenta desde seus quinze anos, torna-se freqüente e tenta passar-lhe uma mensagem: Hades está vindo. Sem sequer imaginar o que o aguarda, Oliver, a pedido de seu chefe, sai para entregar um documento para um cliente de seu patrão assinar. O que acontece, no entanto, muda radicalmente sua rotina e Oliver precisa manter sua sanidade quando descobre que o mundo esconde mais verdades do que aparenta. Obtendo a ajuda de um cavaleiro estranho e, futuramente, um companheiro, que passa longe de ser humano, ele viverá na pele a chegada lenta e devastadora do apocalipse. Dois mundos, sete raças, sete desertores e um ultimato para o mundo. Entre a vida e a morte haverá mais do que um julgamento final.

Comprei esse livro a uma autora independente que conheci no skoob. Meu gosto por livros fantásticos já é conhecido aqui no blog, e quando me foi oferecida a oportunidade de conhecer um livro novo, e ainda ajudar alguém que conseguiu lançar um livro impresso sozinha, não pensei duas vezes: comprei. Resultado: li e gostei bastante.

Capa

A capa do livro é bonita e foi desenhada pela própria autora. A ilustração mostra um dragão de cobre adulto (segundo os critérios de D&D), e apesar do dragão estar um pouco desengonçado, as cores do corpo, somado aos detalhes das asas e do fundo, dão uma expressão imponente e perigosa ao monstro, o que resulta numa capa realmente bonita.

Porém, faltou explicar melhor por que a capa do livro é um dragão. Imaginamos que ele seja o próprio Hades, mas este não aparece muito no livro, de forma que essa suspeita gera várias dúvidas, e gosto de pensar que minha dúvida esteja correta, e este não seja Hades. Como o próprio nome diz, ilustração serve para ilustrar uma idéia, complementar as informações, e a informação da capa não é utilizada no volume I. Mesmo gostando da ilustração da capa, não acho que ela seja a mais adequada para esse livro. Acho que ficaria melhor para o volume II ou III, quando os personagens já conhecerão melhor o inimigo e a história estará mais bem ambientada.

O livro físico

O livro tem orelhas, o que é muito bom. Odeio livros sem orelhas, por que elas ajudam no manuseio do livro, e evita que as páginas se dobrem, tornando-o uma peça mais robusta. As páginas ficaram um pouco espremidas, com margens bem pequenas, mas isso não é um problema muito grande, já que a fonte do livro é agradável de ler. Levando em conta que tudo foi feito pela própria autora, sem a ajuda de uma editora especializada, a diagramação do livro, e sua bela capa, estão nota 10.

Revisão

A própria Moona esclarece que ela mesma fez a revisão do livro, e pede desculpas pelos deslizes que com certeza passaram. Então peguei o livro já sabendo que encontraria erros gramaticais. Não há muitos erros de escrita de palavras, são mais comuns os erros de digitação, mas há alguns erros na construção das frases, palavras mal utilizadas, descrições sem sentido. Não digo que encontraremos esse tipo de coisa em todas as páginas, mas eles existem, e algumas vezes atrapalham a leitura.

Enredo

O plot do livro não é muito original. Como consta na sinopse acima, Oliver recebe a missão de evitar o fim do mundo, tornando-se um Cavaleiro da Terra-Inversa, uma espécie de plano paralelo à terra, em que as almas dos mortos ficam para serem encaminhadas para o juízo final: céu ou inferno (basicamente). Sua primeira missão é encontrar os outros seis cavaleiros, e depois disso evitar que a raça humana seja extinta.

Por essa perspectiva, o livro seria apenas mais um entre tantos, mas é aí que entra a forma de contar.

Desenvolvimento

J.R. Moona (não, ela não tem outro R…) é uma escritora de talento. Ela descreve muito bem, apesar de não haver nenhum tipo de “estilo” em sua forma de escrever. Explicando: ela escreve buscando ser sucinta, não cometer erros, o que para uma pessoa que está começando é o melhor caminho. Mas, voltando à história, o enredo que resumi acima não é original, mas as idéias que ela usa para incluir os muitos elementos lapidam-no. Não vou relacioná-las aqui porque não gosto de spoilers, mas eu realmente gostei do que li. O mundo, a terra-inversa, os monstros, a polícia, os demônios… tudo tem uma função, bem descrita e colocada no livro.

Mas como nem tudo são flores, algumas vezes a descrição das ações dos personagens, somado as opções que se mostram à sua frente, nos dá uma idéia de “infantilidade”, inocência no personagem principal, principalmente no começo do livro. Não parece uma pessoa que errou, se drogou, cometeu pecados graves no passado. Parece um adolescente ingênuo, que não conhece o mundo. Felizmente, a partir do meio do livro, a forma de escrever se desenvolve, fica mais encorpada, dando um clima mais interessante para o livro.

Referências

Quando terminei de ler o livro várias coisas que já tinha visto e lido me passaram pela cabeça. No começo (primeiras trinta páginas) como falei acima, o livro não me pareceu muito interessante. Mas quando a primeira criatura apareceu a ação começou a fluir. Penso no livro como uma história que se tornaria um bom Anime.

A ação frenética, o bandido tolo que aparece no primeiro episódio, o protagonista indesejável que se torna um ídolo, a missão de salvar o mundo. Muitos elementos me lembraram o bom e velho Yuyu-hakushô (sem a parte da comédia, e sendo um pouco mais pesado nos temas – mas não tanto quanto em Gantz…).

Conclusão

O livro faz parte de uma quadrilogia, prometida pela autora para o futuro. Espera-se muita ação, em um ambiente cada vez mais decadente e desesperado, já que o fim do mundo se aproxima. Profecias cada vez mais desesperadas, traições e personagens interessantes.

O livro é bom e foi escrito por alguém de talento. Mas fica evidente que a falta de revisão foi crucial para dar uma melhor qualidade no texto. A autora tem boas ideias, e desejo que ela continue escrevendo. Estou ansioso para ler o livro dois (espero que ele não demore muito…).

****************

Capa: 3/5

Diagramação: 4/5

Revisão: 2/5

Originalidade: 3/5

Desenvolvimento: 4/5

Conclusão: 3/5

Nota Final: 3,2/5

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7 Respostas para “Hades Terra-Inversa – Volume I – J. R. Moona

  1. Muito boa a sua análise. Fiquei agora na expectativa de que a autora venha nos prestigiar com algum comentário.

    Do mais, parabéns pela inciativa e coragem da escritora, e de Eduardo ao valorizar essa jovem talentosa.

  2. Oi! Primeiramente, devo dizer que estou extremamente honrada em ter recebido uma crítica tão minusciosa quanto essa. Eu nunca na minha vida esperava uma análise dessas; ainda mais de “supetão”!

    A opinião, na realidade, foi melhor do que esperava. Estou contente que as críticas tenham se mostrado para o lado que eu já sabiam que elas íam vir.

    Vamos lá.

    A capa: o personagem da capa está mais próximo do livro em si do que se imagina. E já posso adiantar: não é Hades. As pessoas estão tendo uma imagem errada a respeito de Hades, por um lado é bom: a surpresa com o decorrer da história vai ser maior. Por outro nem tanto, porque pode vir a dar uma idéia errada demais! talvez em uma próxima edição eu a mude, mas é ela que está abrindo as portas do livro e o personagem nela representado é extremamente essencial e fala mais da coleção do que qualquer outra coisa.

    O Livro físico: Tive que, infelizmente, reduzir o texto o máximo que eu pude para me manter no orçamento. Ou eu aumentava as margens e diminuia a letra, ou vice-versa. Achei que a letra maior era mais confortável do que as margens expremidas! Infelizmente, o orçamento era curto. E eu ainda tenho mais uma crítica: a gráfica pode ser boa, mas o acabamento que deram ao meu livro não foi o esperado. Não gostei da capa fosca e nem da duração que ela tem. Mas vamos tentar mudar isso na próxima edição.

    Revisão: a revisora original fez um ótimo trabalho, pelo menos eu achei. Deixei passar muita coisa durante a diagramação, por isso que aparecem vários erros. O orçamento curto mais uma vez me impediu de contratar outro revisor. Mas, sinceramente, se não fosse por ela o lviro não estaria aqui, então eu não teria feito diferente! Na próxima edição os erros gramaticais e de copidesk (pelo menos em sua maioria), vão sumir!

    Enredo: é impossível não fugir do clichê no primeiro livro. Ele é a abertura e tal. Deveriam haver 3 livros, mas tive que passar para 4 e espero não ter que ir para o quinto. A história é MUITO grande. Espero, de coração, que o segundo livro possa estar mais surpreendente! haah

    Desenvolvimento: Ah, o Oliver… Só posso dizer que ele não é nada do que parece. É o meu personagem preferido. Sem mais, para não estragar o resto.

    Olha, já me falaram isso três vezes. Não acho ruim ter as influências dos animes, até porque o primeiro esboço do livro não era assim. (eu reescrevi, duas vezes). O livro era violento, pesado, descrições longas e muito obscuro. Para você ter noção, Oliver, logo no primeiro capitulo, enfrentava um estuprador e tinha tanto sangue, que tive que cortar! Tive muita influência de autores de terror. Só que eu parei e pensei: Preciso adaptar para todas as idades. um livro assim não vende, nãoc om violência, palavrões, etc. Então, tornei o primeiro mais suave. Até porque, no segundo volume, existe uma mudança bem notável nos personagens e, principalmente, em Oliver.

    O segundo livro, como o próprio nome já diz, é o Princípio do Fim. Vamos ver o que ele reserva…

    Gostaria de agradecer pelo tempo que você dispôs para ler e também argumentar. Gostei muito da sua crítica. Sempre pensei que ia ter medo quando as lêsse, mas não é bem assim. Elas lapidam para que o segundo seja melhor, e o terceiro melhor ainda… De todos os volumes, o III é o que mais me anima. Eu sei quea coleção tem potencial para surpreender muita gente.

    Gostaria de por um banner seu na página do livro, de 50px de altura por 100/200 de largura, se possível!
    Abraço!

    • Providenciarei amanhã mesmo este banner.
      Gostei muito do texto de Eduardo. Não li o livro, mas dá para ter uma boa ideia do que esperar a partir da análise feita por ele.
      Boa sorte com os próximos volumes.

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