Ganhando meu pão – Maksim Górki

Por José Reinaldo do Nascimento Filho

Segundo volume de sua trilogia autobiográfica, Maksim Górki (Infância, Ganhando meu pão e Minhas universidades) nos apresenta momentos centrais para a formação de sua obra (como ser humano e escritor): o encontro com a literatura; suas experiências da juventude (entre tantas, o sexo); e, claro, o trabalho.

O título é a tradução perfeita do que é o livro. Alieksei se vê obrigado a crescer, a trabalhar; para tanto, vira vendedor numa loja de sapatos; na tripulação de um barco a vapor; ou como empregado numa oficina.

Para Boris Schnaiderman, que traduziu o texto direto do russo:

Todas as descrições do livro estão ligadas a vivências. E toda a realidade aparece em termos de convívio”.

Novamente, como já havia escrito a respeito de Infância: estejam preparados, pois a triolgia de Górki, como havia comentado com a minha Mãe – na tentativa de convencê-la: é a versão adulta de “O meu pé de laranja lima”.

Sem muitos comentários sobre o romance: como ele foi importante para mim. Diferente do outro livro, a proximidade com esse, esse momento da vida do autor, não me pareceu tão “educativa”, próxima aos meus anseios como pessoa. A relação de proximidade não foi tão forte. Posso destacar apenas dois momento que marcaram, que feriram:

“A vovó e os companheiros me faziam falta, não havia com quem falar, e a vida irritava, mostrando o seu reverso falso, pouco atraente” (pág. 21)

“Não bebia vodca, não andava com raparigas: os livros substituíam essas duas formas de embriaguez do meu espírito. Mas, quanto mais eu lia, mais difícil era viver da maneira vazia e desnecessária pela qual, parecia-me, viviam as pessoas”. (pág. 424)

Hummmm, isso me faz lembrar de alguém… 

Ps: Eu.

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3 Respostas para “Ganhando meu pão – Maksim Górki

  1. Do Górki, por ora, A MÃE fulgura como obra-maestra. Fui abordado por um professor de russo quando lia esta livro na praia, um dia… Conhecerei em breve esta trilogia… E te agradecerei de pé pela indicação, de pé! (WPC>)

  2. Essa citação final dá mesmo vontade de conhecer esse russo. Por falar nisso, como você gosta desse povo, né? Vamos ver quem escreve sobre A morte de Ivan Ilitch primeiro.

  3. Parece-me que no caso de Górki, principalmente no livreto Infância, o autor está conversando comigo, ao lado, contando a sua vida apenas para mim. Tenho essa boa impressão. Alguns trechos falam comigo. Aquela ideia adolescente e bonita de que foram feitos para mim.

    Ps: Devemos isso aos tradutores. Um viva a dois grandes nomes: Boris Schnaiderman e Rubens Figueiredo.

    Viva!!!! kkkkkkkkkkkk

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