Homem Comum – Philip Roth

Por José Leonardo Ribeiro Nascimento

Adentrei o mundo de Philip Roth lendo O Complexo de Portnoy, sobre o qual escrevi aqui. Trata-se de um livro que aborda um tema sério, mas no qual predomina o bom humor, a finíssima ironia. Homem comum, livro escrito em 2006 é tudo, menos bem humorado. Narra a história de um homem comum (único personagem do livro a não receber um nome) que vive à espera da morte, enquanto a combate. Dono de uma saúde frágil, visitante freqüente das salas de cirurgias, este judeu teve pais exemplares, mas não foi um. Sempre teve um fraco por mulheres, e por isso mesmo morreu sozinho, depois de três complicados casamentos. Publicitário de sucesso que sempre sonhou ser pintor, ele ao mesmo tempo em que admira o irmão mais velho, Howie, inveja-lhe a ótima saúde. Não é um homem de grandes pretensões, grandes realizações, mas um homem comum, que viveu como milhões de outros e, como esses mesmos milhões, não quer morrer, mas morrerá como todos eles.

E o livro se agarra à morte – ou ao medo que o homem tem dela – e vai visitando cada momento de sua vida por meio de um narrador que não se envergonha de aqui ou acolá emitir sua opinião, geralmente pessimista. É um livro proibido para pessoas que tendam à depressão, porque não há esperança nesse homem comum. Ele não acredita em Deus, nem em reencarnação, nem que haja qualquer sentido para a vida além de aproveitar os poucos anos que lhe foram dados para viver. Mesmo quando já velho e impossibilitado de fazer tudo o que mais gostava, ainda assim ele quer viver, quer continuar existindo.

Há um determinado momento em que ele conversa com uma senhora bastante idosa e doente, que depois de contar-lhe seus problemas, diz:

“Ah, mil desculpas. Eu realmente peço desculpas. Todo mundo aqui tem problemas. Não há nada de especial na minha história, e desculpe eu fazer você me aturar. Você provavelmente também tem a sua história.”

Li este livro durante um longo voo, por meio do qual iniciei uma longa viagem que me deixará por um longo tempo longe da minha família. Creio que meu estado de espírito – a dor provocada pela antecipação da saudade – contribuiu para a minha impressão em relação ao livro, mas começo a ficar fã de Philip Roth e estou bastante intrigado em relação a ele, ansioso pelo que poderei encontrar no próximo livro que ler.

A passagem a seguir ilustra o pessimismo do homem comum – um pessimismo do qual não compartilho, ressalto:

“De repente, ele estava perdido no nada, no som das duas sílabas “na-da” tanto quanto no nada em si, perdido, à deriva, e o terror começou a instilar-se nele. Não há nada que não traga riscos, pensava ele, nada, nada – nada que não termine mal, nem mesmo uma bobagem como pintar quadros.”

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3 Respostas para “Homem Comum – Philip Roth

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