The Lady from Shanghai

Por José Leonardo Ribeiro Nascimento

Ver um clássico do cinema no cinema era uma oportunidade que eu aguardava aqui em Washington. Em Aracaju só por algum milagre eu teria (ou terei) a chance de ver um filme como The Lady from Shanghai na tela grande do Cinemark.

Fui animado para a sessão no Landmark Theatre, um cinema muito simpático, com as paredes repletas de placas mostrando que ele fora escolhido nos últimos quatro ou cinco anos o melhor cinema de Washington, DC por uma série de jornais e revistas.

Desci a escada rolante e entrei na sala, bastante pequena, mas aconchegante. Não poderia esperar uma sala estádio para um filme de 1947, não é?

Fiquei decepcionado com o tamanho da tela: uns cinco metros de largura, e no formato 4:3… Pensei: seria esse o formato original do filme?

O filme começou, e começo agora a falar dele:

The Lady from Shanghai é um filme dirigido por Orson Welles e estrelado por ele e por Rita Hayworth, sua mulher à época. Apesar de não ser uma história de detetive, é considerado um filme noir por trazer algumas características comuns ao gênero: estilo visual de alto contraste, visão cínica do mundo, protagonista que não tem muita preocupação em ser politicamente correto, trama envolvendo algum interesse sexual, além da mistério a respeito da autoria de algum crime e, claro, o elemento mais lembrado desse tipo de filme, e aquele que claramente mais se destaca no caso de The Lady from Shanghai: a femme fatale.

Orson Welles é Michael O’Hara, um homem com um passado complicado (matou um homem com as próprias mãos?) que salva uma bela mulher, Elsa, de um ataque num parque. A atração entre os dois é evidente, até que ela menciona o fato de ser casada, deixando-o completamente desanimado. No dia seguinte o marido dela, Arthur Bannister, um advogado criminalista de sucesso com problemas físicos vai até o porto, onde Michael procura emprego, e contrata-o para trabalhar no seu iate, na travessia que eles farão de New York até San Francisco, pelo Canal do Panamá. Durante a viagem junta-se a eles o sócio de Bannister, George Grisby, que fica o tempo todo de olho no crescente clima de romance entre Michael e Elsa. Ele faz uma proposta inusitada a Michael: pagará 5 mil dólares se Michael simular o assassinato dele mesmo, George Grisby, que diz que pegará o dinheiro do seguro e desaparecerá. Michael não poderia ser preso tendo em vista que não haverá corpo para provar o assassinato.

A partir daí muita coisa não acontece como esperado, e o filme passa a ter seu momento tribunal, tendo seu desfecho num parque de diversões desativado, na famosa e homenageada/copiada cena dos espelhos.

Diferentemente de alguns filmes antigos, este é um filme que traz a marca do seu tempo bem estampada. É um filme que envelheceu. Dois fatos que tornam difícil manter o envolvimento com a história durante toda a película é que o roteiro não é bem lapidado, não se preocupa com alguns detalhes, e a execução de algumas cenas carece de um mínimo apuro técnico. Em relação ao roteiro posso citar a forma como Michael foge da prisão, num momento quase pastelão do filme.

Quanto à falta de apuro técnico, são vários os exemplos, especialmente todas as cenas que envolvem luta corporal (ao mesmo tempo datam o filme, com a câmera acelerada), além da cena da morte de Broome, que naquele momento parece um ator amador.

O filme é um tanto bizarro: se de um lado há toda a seriedade e tensão entre Michael e Elsa, há o rosto sempre sorridente de Grisby e algumas cenas hilárias, como o momento em que Bannister, advogado de defesa, interroga Bannister, testemunha convocada pela acusação.

Como falei antes, o elemento noir que mais se destaca no filme é a femme fatale, Rita Hayworth, dona de um rosto perfeito, de quem precisa o tempo todo de ajuda, e que ao mesmo tempo avisa: perigo! A presença dela dá um ar superior ao filme, e devo também dar crédito à atuação de Orson Welles. Ele parece mesmo ser aquele cara durão e meio burro do filme.

Terminado o filme, a confirmação de uma decepção já anunciada: apareceu o menu do filme! Era um blu-ray (ou um DVD)! Eu já havia pensado nessa possibilidade, afinal, só isso para justificar a dimensão tão pequena da tela. Saí de lá com um misto de tristeza e felicidade.

Minha avaliação:

4 de 5 estrelas.

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2 Respostas para “The Lady from Shanghai

  1. Sim, ele envelheceu…
    Mas, oh, com que graça, com que leveza, com que peso!
    Orson Welles me inspira tanta coisa…
    E Rita Hayworth é a moça triste mais linda desta época…
    Quero ver este filme de novo, mesmo não sendo meu preferido do diretor…

    Quanto ao menu do DVD em tela grande, bem-vindo ao clube!

    WPC>

  2. Tristeza de não desfrutar da originalidade que você esperava encontrar, e felicidade de estar num dos cinemas mais famosos do mundo. Acho que a felicidade supera a tristeza nesse caso. Hahaha.

    Vou procurar assistir esse filme!

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