Correndo em Washington

Por José Leonardo Ribeiro Nascimento

No dia onze de março, às 07:45h da manhã, quando deixei o hotel para caminhar até o metrô, os termômetros (ou melhor, o site Weather.com) marcavam 2°C. Eu estava indo participar da minha primeira corrida, a St. Patrick’s Day 8k, em homenagem ao dia de São Patrício, um dos santos mais celebrados pelos anglófonos.

Três semanas antes fui informado da corrida por Sergio, um dos colegas mexicanos do curso que estou fazendo por aqui. Ele avisou que iria correr e convidou o restante do grupo para juntar-se a ele. Após explicar que eu gostaria de participar, mas não teria tempo de conseguir a condição física necessária para correr oito quilômetros, ele ofereceu-se para treinar comigo, garantindo que eu conseguiria chegar até o final.

Dois dias depois daquela conversa começamos a correr, e houve pelo menos um momento complicado, quando saímos para a rua com -2°C para treinar subidas. Foi muito, muito exaustivo. Claro que eu não começava do zero. Apesar de não vir praticando atividade física nos últimos tempos, jogava futebol ocasionalmente e tinha uma pequena reserva de resistência física acumulada (assim imagino).

Na véspera da corrida, eu tinha como quase certo que conseguiria terminar, o que, aliás, era a minha única prioridade, já que não estava preocupado com tempo.

Além de mim, outros quatro colegas do curso correram, somando-se aos quase 7.500 inscritos para a prova. Na hora da largada, nove da manhã, a temperatura alcançara 4°C, mas a sensação lá na praça era um pouco maior, principalmente devido ao grande número de pessoas aglomeradas. Rezei para não me machucar e corri com paciência, sem forçar muito, num ritmo muito próximo de seis minutos por quilômetro.

Ao longo da corrida vi dois garotos de cerca de nove anos, um pouquinho maiores que André, eu filho, passarem de mim, mas a única coisa que eu podia fazer quanto a isso era sorrir. Já no último quilômetro, quando percebi que tinha guardado energia até demais, aumentei o ritmo e comecei a passar uma porção de gente. Nos últimos cem metros passava uma menina de uns dez anos, que corria ao lado do pai, quando ela tocou no ombro dele, falou um “Let’s go!” e me deixou para trás. Terminei com o tempo de 48m:25s e muito feliz. Fui até a banca onde eram distribuídas as frutas e petiscos para os corredores, peguei uma banana, uma água e fui respirar. Só vi meu tempo, na verdade, algumas horas mais tarde, no site da corrida. Cada corredor havia recebido um chip, para garantir a marcação mais precisa para os amadores como eu. Foi lá nesse site que vi, por exemplo, que um senhor de oitenta anos (isso mesmo, oitenta!) terminou a prova com um tempo de 44 minutos, bem mais rápido que eu, 49 anos mais novo. Isso, ao invés de me desestimular, me deu ânimo, pois se eu conseguir chegar a essa idade com fôlego para pelo menos terminar a prova com o tempo que fiz hoje, aos 31, já me sentirei bastante feliz.

Sempre achei correr uma atividade muito chata. Aqui ela se tornou bem interessante porque eu tinha uma meta: a corrida. Daqui a cinco semanas tem mais uma, e dessa vez o desafio será bem maior. Mais um estímulo para continuar correndo.

Não sou dono da maior força de vontade do mundo, muito distante disso. Sou muito bom em iniciar empreitadas. Só iniciar mesmo. Já fiz aula de judô por dois meses, já fiz uma (uma!) aula de natação, já comecei a correr milhares de vezes, a mesma coisa em relação à bicicleta, cheguei a fazer no máximo duas ou três semanas de academia, e isso só para falar de atividade física. Mas como não me canso de tentar, uma vez mais tentarei levar esse hábito (que aqui já está consolidado, mas não conta, porque a rotina é outra) para Aracaju. Quem sabe não terminarei um dia uma maratona? (se é para sonhar, que seja um sonho mesmo).

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3 Respostas para “Correndo em Washington

    • Falta “humanidade” no que escrevo somente ou o que escrevo deixa transparecer falta de humanidade em mim? Devo ficar preocupado com esse comentario? 🙂

  1. (risos)

    Não, não deve. Humanidade sobra em ti, mas talvez não “hominização”… Há um distanciamento grande entre tuas palavras e o que imaginamos como um ser vivo com problemas cotidianos… Não é um problema, é um pantim observacional pessoal, de alguém que ficou contente em te ver contente! (WPC>)

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