O Raio Verde – Júlio Verne

Por José Eduardo Ribeiro Nascimento

Depois de muito tempo sem ler nada, termino a leitura de mais um livro de Verne. Comprei esse livro há algumas semanas no sebo, e coloquei o à frente de outras leituras por ser pequeno (242 páginas), e por ser de um autor que gosto e já tenho certa experiência.

Júlio Verne é famoso pelos livros de grandes aventuras, a maioria épicas e que desafiavam a ciência de sua época, com Viagem ao Centro da Terra e Da Terra à Lua. Em o Raio Verde não temos uma aventura heroica. Para começar falemos do raio verde. Quando comprei, como nada tinha lido sobre o livro, imaginei que fosse algum tipo de ficção científica. Mas o raio verde é apenas um fenômeno meteorológico muito difícil de se observar. Quando não há nenhuma nuvem ou neblina, mais frequentemente no mar, com a temperatura e umidade em condições certas, no exato momento do pôr do Sol, numa fração de segundo, os raios vermelho, laranja e amarelo desaparecem primeiro que os raios azul, verde e violeta, dando um pequeno vislumbre de um feixe de luz verde esmeralda.

É esse fenômeno que a jovem romântica Miss Campbell deseja vislumbrar, adentrando assim em uma aventura por ilhas desertas, à procura do local perfeito para assistir o pôr do Sol no mar. O livro é o tempo inteiro é um amontoado de clichês românticos, com um desfecho bastante óbvio, que é suavizado apenas pela forma de escrever de Verne que me agrada bastante, com boas descrições das paisagens e dos fenômenos, e com diálogos bem interessantes. O livro é tão simplório que não ouso contar mais sobre ele do que já disse, para não acabar revelando spoilers. Mas separei um trecho para compartilhar um pouco da arte de escrever de Verne (Sobre Aristobulus Ursiclos):

“Era um Personagem de vinte e oito anos que nunca havia sido jovem e provavelmente nunca seria velho. Tinha evidentemente nascido com a idade que pareceria ter durante toda a sua vida. De aspecto, nem bom, nem mau; de cara muito insignificante, com cabelos demasiado louros para um homem; sob as lentes dos óculos, os olhos sem olhar do míope, um nariz curto que não parecia adequado à cara. Dos cento e trinta mil cabelos que devem existir em todas as cabeças humanas, segundo as últimas estatísticas não lhe restavam mais de sessenta mil. Uma barba em colar enquadrava-lhe as faces e o queixo – o que lhe dava um ar um tanto simiesco. Se fosse um macaco, teria sido um belo macaco – talvez o elo que falta aos partidários das teorias de Darwin para ligar a animalidade com a humanidade.”

Termino meu relato sobre esse livro dizendo que se você quer conhecer Verne, não comece por este aqui. Na verdade, se você quer conhecer as estórias pelos quais Verne ficou famoso, como 20.000 léguas, 5 semanas em um balão, Volta ao mundo em 80 dias etc., nunca chegue perto desse livro. Mas se quiser um romance com toques de aventura que só um mestre no assunto poderia criar, O Raio Verde é uma ótima opção.

Nota: 2 de 5 (Por Verne e sua maneira de escrever, e por quê eu não sabia o que era o Raio Verde).

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3 Respostas para “O Raio Verde – Júlio Verne

  1. (risos)

    O pior é que os tais clichês que tu mencionaste me interessam deveras…

    E eu fiquei com muita vontade de saber o que é o tai raio verde na perspectiva do livro. Vou anotar como preferencial por aqui (risos)

    WPC>

    • O raio verde é um fenomeno muito raro e dificil de ver que aparece por muito pouco tempo, num céu livre de nuvens e com temperatura e humidade razoaveis. Aparece por menos de um segundo e diz uma lenda escocesa(A protagonista Helena Campbell era escocesa) que quem o vê pode ver fundo na alma de todas as pessoas e até da sua. Ela provavelmente queria isso porque tambem dizia-se que quem o visse encontraria o amor verdadeiro. Eu li e gostei muito apesar de eu costumar ler ficção.

  2. Verne vai demorar um pouco para entrar na minha lista. So Andre mesmo me faria mudar a ordem, mas ainda lerei com ele os livros mais famosos. Esse aqui, nao sei.

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